Ju Ji Hoon, Shin Min Ah, Lee Jong Suk, and Lee Se Young are the main leads of 'The Remarried Empress Repórteres estreantes de 20 e poucos anos conseguirão deixar sua marca ao cobrirem as notícias efervescentes de uma agitada metrópole? A idealista Choi In Ha enfrenta dificuldades quando se torna jornalista de TV, principalmente porque ela sofre de uma condição conhecida como “Síndrome de Pinóquio”, que faz com que ela tenha crises de soluço sempre que conta uma mentira. Seus colegas novatos são Choi Dal Po, cuja aparência desleixada esconde sua verdadeira eloquência e memória afiada; Seo Bum Jo, um rico herdeiro que sempre teve tudo nas mãos; e Yoon Yoo Rae, cujos conhecimentos de fangirl se tornam úteis para cobrir as notícias. Os repórteres estreantes de 20 e poucos anos conseguirão buscar justiça enquanto tentam conhecer a si mesmos? (Fonte: Viki) Editar Tradução
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- Título original: 피노키오
- Também conhecido como: No te puedo mentir , Pinokio , Pinóquio , Sindromul Pinocchio , Пиноккио , بينوكيو , พิน็อกคิโอ รักนี้หัวใจไม่โกหก
- Roteirista: Park Hye Ryun
- Diretor: Jo Soo Won
- Gêneros: Thriller, Mistério, Comédia, Romance
Onde assistir Pinóquio
Elenco e Créditos
- Lee Jong Suk Papel Principal
- Park Shin Hye Papel Principal
- Kim Young Kwang Papel Principal
- Lee Yoo Bi Papel Principal
- Jin Kyung Papel Principal
- Lee Pil MoHwang Gyo DongPapel Secundário
Resenhas
E se mentir te fizesse engasgar? O que sobraria dos noticiários?
Pinóquio é um dorama que começa com uma premissa curiosa e quase fantasiosa — pessoas com a síndrome de Pinóquio (que soluçam ao mentir) — e desdobra isso num drama denso, emocional e surpreendentemente real. Porque no fundo, o que está em jogo aqui não é só a verdade. É a coragem de contá-la. E o preço de escondê-la.A série entrega uma crítica poderosa à mídia sensacionalista, ao poder de manipulação das palavras e aos impactos disso na vida de pessoas comuns. Tudo isso embalado por um romance lindo entre dois protagonistas que cresceram juntos, mas separados por uma tragédia moldada justamente por... uma notícia falsa.
Lee Jong-suk (Choi Dal-po/Ki Ha-myung)
Carrega no olhar aquele peso de quem vive com feridas abertas. Brilhante, sarcástico, sensível. Seu personagem é uma bomba emocional esperando o momento certo de explodir e explode lindamente.
Park Shin-hye (Choi In-ha)
Com sua “maldição” de não conseguir mentir, ela é a luz que fura as sombras da narrativa. Forte, ética, determinada — mas também frágil diante do dilema de amar alguém envolvido na tragédia da sua própria família.
Lições que ficam:
A verdade tem camadas. E consequências.
Mentir machuca... mas omitir também.
A justiça não é feita só nos tribunais — ela começa nas manchetes.
Pinóquio somos todos nós: Talvez a maior provocação da série seja essa: todos queremos ser ouvidos. Mas estamos dispostos a ouvir? Estamos prontos pra dizer o que é certo, mesmo que doa? Porque não basta não mentir. É preciso escolher, todo dia, a honestidade emocional e moral, mesmo quando ela embarga a voz.
“A verdade pode ser pequena... mas seu eco é imenso.”
No Mito da Caverna, Platão formula de modo quase narrativo essa cisão: a verdade é aquilo que permanece idêntico a si mesmo, fora do jogo das sombras, e o erro não é uma mentira deliberada, mas uma condição existencial de quem vive aprisionado à superfície do sensível. Aristóteles, embora mais empírico, preserva esse horizonte ontológico: a verdade é a adequação entre o intelecto e o ser. Ainda há, portanto, um mundo que precede o sujeito, e o juízo verdadeiro é aquele que consegue se conformar com essa ordem objetiva. A ideia - o eidos - não nasce como invenção subjetiva, mas como forma inteligível que estrutura a realidade e que a razão pode captar.
Quando avançamos para a modernidade, essa arquitetura se inverte. Em Descartes, a verdade já não começa no ser, mas no sujeito: cogito, ergo sum. O fundamento desloca-se do mundo para a consciência. Em Kant, esse deslocamento se radicaliza: não conhecemos as “coisas em si”, mas apenas os fenômenos tal como aparecem sob as formas e categorias do entendimento. A verdade deixa de ser desvelamento do real e passa a ser, em larga medida, coerência dentro de um sistema de representação.
No modernismo e nos desdobramentos contemporâneos ela se torna ainda mais instável e obscura: não apenas mediada, mas atravessada por linguagem, vontade, discurso e relações de poder.
É nesse ponto que Pinocchio se torna surpreendentemente “grego” e, ao mesmo tempo, profundamente moderno. A chamada “síndrome de Pinocchio” funciona como uma alegoria da alétheia: o corpo da protagonista reage à mentira como se a verdade fosse uma força ontológica que não pode ser suprimida sem consequências físicas. A verdade, aqui, não é apenas um acordo social ou uma convenção discursiva - ela se impõe, quase como uma lei do ser. Nesse sentido, o dorama ecoa Platão: mentir não é apenas um erro moral, mas uma ruptura com uma ordem mais profunda que exige reparação.
No entanto, a ambientação no jornalismo e na mídia reinscreve tudo no horizonte moderno. A verdade não aparece como algo simplesmente dado, mas como algo disputado, editado, recortado e narrado. Reportagens moldam reputações, imagens públicas substituem pessoas reais, e fatos se tornam “realidade” apenas quando passam pelo filtro institucional. Aqui, o dorama se afasta da ontologia grega e se aproxima de uma visão completamente moderna: a verdade é inseparável dos regimes que a produzem e a legitimam.
O paralelo, portanto, se sustenta justamente na tensão. Pinocchio encena, em termos dramáticos, o conflito entre duas concepções históricas de verdade. De um lado, uma verdade que “faz adoecer” quando é negada - quase metafísica, necessária, inescapável. De outro, uma verdade que circula como produto social, vulnerável à manipulação, à audiência e aos interesses. A protagonista vive entre esses dois mundos: seu corpo pertence ao regime da alétheia grega, mas sua profissão a lança no regime moderno da narrativa e da mediação."
Pinocchio (2014), foi um dorama que eu estava postergando durante anos e que acabou se tornando uma grata surpresa, principalmente pelos seus temas - que me lembraram e fizeram ficar reflexivo sobre como a modernidade rompeu com os gregos e medievais em relação aos temas tratados pelo dorama - sobre verdade, mentira e responsabilidade, usando o jornalismo como pano de fundo para discutir como as histórias são contadas e como elas afetam a vida das pessoas. A “síndrome de Pinocchio” da protagonista é uma ideia criativa que dá leveza e, ao mesmo tempo, profundidade ao debate moral do dorama.
Choi Dal-po/Ha Myung é um protagonista movido pelo passado e pela busca por justiça. Sua jornada funciona bem porque mostra o conflito entre querer revelar a verdade e lidar com as consequências que ela traz. Choi In-ha é carismática e sincera, e sua condição de não conseguir mentir a torna o contraponto emocional e ético da narrativa. O romance entre os dois é envolvente e ajuda a manter o ritmo da história, mesmo nos momentos mais dramáticos.
Os personagens secundários cumprem bem seus papéis dentro da redação, representando diferentes formas de lidar com a notícia: alguns mais idealistas, outros mais pragmáticos. Embora nem todos sejam muito aprofundados, eles ajudam a dar contexto ao conflito central. No geral, Pinocchio é uma obra envolvente, subtramas bem interessantes, bons personagens, romance cativante (poderia ter mais momentos e um final melhor entre os personagens) e uma proposta muito rica sobre o valor da verdade no mundo moderno. Mesmo com seus excessos, é fácil de maratonar e deixa uma reflexão que vai além do drama.
Envelheceu como vinho.






























