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The Journey to Killing You japanese drama review
Completed
The Journey to Killing You
0 people found this review helpful
by MiltonGomesQueiroz
11 days ago
6 of 6 episodes seen
Completed
Overall 7.0
Story 7.0
Acting/Cast 9.0
Music 1.0
Rewatch Value 5.0

The Journey To Killing You: uma jornada de vingança, conflitos e sentimentos inesperados

Se tem uma coisa que “The Journey To Killing You” definitivamente não entrega, é um romance convencional. O BL japonês pega uma premissa que já começa no mínimo complicada, um homem encarregado de proteger justamente aquele que pretende matar, e transforma essa jornada em uma história de vingança, lealdade, culpa e sentimentos que surgem no lugar mais improvável possível. Adaptada do mangá “Anata wo Korosu Tabi”, de Asai Sai, a série acompanha Kataoka e Odajima enquanto os dois se escondem em uma pequena cidade, criando uma proximidade que começa a colocar em xeque tudo aquilo que Odajima acreditava sentir.

E talvez seja justamente essa contradição que torne a série tão interessante. Enquanto Odajima carrega um passado marcado pela dor e pelo desejo de vingança, Kataoka é um personagem que consegue surpreender justamente por não corresponder completamente à imagem que ele criou. Entre o perigo constante e momentos inesperadamente leves, a história transforma essa fuga em uma espécie de jornada de descoberta, onde conhecer melhor o outro começa a tornar cada vez mais difícil cumprir a missão que os colocou juntos.

Mesmo tendo a máfia japonesa como pano de fundo, a série consegue encontrar momentos de leveza em meio às partes mais densas das histórias dos personagens. E, para mim, o grande responsável por isso é Kataoka. O homem parece ter sido transportado diretamente de um anime ou de uma novel e colocado no meio de uma trama sobre a Yakuza. Ele é despreocupado, irresponsável, simpático e dono de um bom humor quase infantil, tudo isso acompanhado de uma caricatura tão exagerada que, em vários momentos, funciona como um verdadeiro respiro dentro da tensão da história. E eu simplesmente adorei esse contraste, porque Kataoka consegue ser completamente absurdo sem deixar de fazer sentido dentro daquele universo.

Por outro lado, Odajima traz uma dualidade de comportamentos e sentimentos que me deixou cada vez mais curioso sobre o que realmente se passava dentro dele. Enquanto tenta manter uma postura fria, séria e controlada, existe uma bagunça de sentimentos, conflitos e dores que ele tenta esconder a todo custo. E acho que foi justamente esse contraste entre o homem que ele demonstra ser e aquilo que carrega por dentro que fez com que eu me apegasse ao personagem. O desejo de vingança pelo seu melhor amigo, o trauma de infância e a descoberta de um sentimento inesperado fazem com que seja impossível não criar empatia por ele. Kataoka, inesperadamente, traz luz para a escuridão de Odajima e o força a encarar a si mesmo, seus sentimentos e as escolhas que fez.

Outra coisa que me chamou a atenção em Odajima foi sua beleza encantadora e sua inocência sedutora e maliciosa. Era impressionante como suas expressões, olhares e gestos nos momentos de intimidade com Kataoka conseguiam revelar uma faceta completamente diferente do personagem, principalmente considerando que, inicialmente, essa relação era marcada por uma evidente desigualdade de poder. As cenas de intimidade dos dois foram incrivelmente artísticas e poéticas, principalmente pela coreografia, iluminação e caracterização dos personagens. As tatuagens de ambos, misturadas em meio a abraços, toques e expressões, criavam uma dança quase ritualística, carregada de simbolismo e desejo. Mas confesso que os beijos poderiam ter sido melhores e transmitir a mesma intensidade emocional presente no restante da cena.

Outro ponto que merece destaque é a cinematografia da série, que em vários momentos assume uma aparência de filme, principalmente pela forma como as cenas são enquadradas e iluminadas. Essa escolha visual combina muito com a atmosfera da história e ajuda a deixar alguns momentos ainda mais marcantes. E uma curiosidade que achei especialmente interessante é que várias das fotos em filme utilizadas na abertura foram feitas pelo próprio Takahashi Hiroto durante as gravações, como uma espécie de registro da viagem de seu personagem Odajima, e acabaram incorporadas à abertura ao som de “Tsurezure”, de Yamamoto Daito. Acho que isso ajuda a explicar um pouco daquela sensação tão particular de jornada que a abertura transmite.

Por fim, “The Journey To Killing You” foi uma história interessante, fora dos padrões e que conseguiu me entreter, mas nada grandioso ou inesquecível. Por isso, minha nota vai ser apenas um 07, devido também à duração reduzida da série, que acabou limitando um pouco o desenvolvimento dos personagens. Destaco o episódio final, que para mim ficou corrido e sem emoção, entregando um desfecho raso e frustrando minhas expectativas. No fim, fiquei com a sensação de que essa história poderia ter sido muito mais. Quem sabe venha uma segunda temporada? Aguardemos.

Nota: 07/10

Recomendo ⭐⭐⭐
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