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1000 Years Old thai drama review
Completed
1000 Years Old
0 people found this review helpful
by MiltonGomesQueiroz
9 days ago
12 of 12 episodes seen
Completed
Overall 6.0
Story 7.0
Acting/Cast 8.0
Music 3.0
Rewatch Value 1.0

1000 Years Old: entre o encanto e a frustração!

Quem diria que, depois de viver por mil anos, o maior problema de um vampiro poderia ser simplesmente encontrar alguém capaz de bagunçar sua rotina? O BL tailandês “1000 Years Old” parte justamente dessa ideia e transforma o romance entre um vampiro que já viu de tudo e um jovem universitário curioso em uma trama que mistura fantasia, comédia e romance de um jeito bem peculiar. Pun passou séculos levando uma vida tranquila e discreta, até que Yo aparece e começa a ocupar um espaço cada vez maior em seu cotidiano.

E talvez seja justamente esse contraste que torne a proposta tão divertida. De um lado, alguém que carrega séculos de existência e parece ter desenvolvido uma relação bastante particular com a própria vida. Do outro, um jovem cheio de curiosidade, energia e vontade de descobrir os mistérios que cercam aquele homem tão estranho quanto fascinante. No fim, “1000 Years Old” mostra que, mesmo depois de mil anos, talvez ainda exista algo capaz de surpreender um vampiro. E o encanto dessa história está nessa premissa inusitada, que foge completamente dos padrões das séries sobre vampiros que estamos acostumados a encontrar. Em vez de apostar apenas no lado sombrio e misterioso dessas criaturas, o BL nos brinda com dois protagonistas cheios de carisma e fofura, além de personagens secundários divertidos, empolgantes e com personalidades muito próprias.

Pun foi um dos personagens que mais me conquistou pela personalidade. Apesar de ter quase mil anos, ele ainda carrega muito do passado em suas roupas, seus modos e até nas famosas sombrinhas usadas por ele. É como se Pun vivesse no presente sem deixar para trás quem ele foi. Mas o que mais gosto nele é sua sinceridade. Pun não faz joguinhos, não enrola para dizer o que sente e enxerga o mundo com uma inocência quase encantadora. Acho que, depois de tantos séculos, ele aprendeu uma coisa importante: não desperdiçar tempo. Por isso, é um vampiro muito diferente do estereótipo sombrio e melancólico, sempre curioso, positivo e disposto a aprender. E, claro, completamente apaixonado por sopa de sangue de porco.

Yo é aquele universitário carismático, lindo e fofo, com uma paixão peculiar por OVNIs e mistérios inexplicáveis. Apesar de toda essa energia, ele também carrega uma certa inocência, principalmente quando o assunto é amor. Ele parece nunca ter se apaixonado antes e, por isso, demora a aceitar os próprios sentimentos. E é justamente esse jeito de Yo que acaba transformando a vida de Pun. Ele se torna uma espécie de luz que o tira daquela escuridão e monotonia de séculos, apresentando-o novas experiências, novas amizades e uma forma diferente de enxergar a vida. E, claro, os dois ainda compartilham uma paixão quase doentia por sopa de sangue de porco.

E se existe algo que praticamente funciona como o coração dessa trama, é essa famosa sopa de sangue de porco. O que começa como uma paixão em comum entre Pun e Yo acaba se tornando um negócio e um ponto de encontro que aproxima os dois, além de apresentar personagens como Yan, Kemsai e Shin. Achei uma maneira completamente inusitada de criar conexões em um BL, transformando um gosto exótico em amizade, troca de experiências e novas descobertas. É mais uma das qualidades que fazem essa produção se destacar, e como diria eles: “Vida longa à sopa de sangue de porco!”.

Outro ponto que me chamou bastante a atenção foi o figurino e a própria estética da série. Cada personagem tem um estilo muito particular, desde o mais peculiar e vintage de Pun e o jovial e moderno de Yo e seus amigos até o mais sombrio dos outros vampiros, Janja e Somchai. E as famosas sombrinhas de Pun são praticamente um personagem à parte, com suas cores e modelos diferentes para cada momento. Tudo isso ganha ainda mais força com uma fotografia que aposta bastante em cores fortes, vibrantes e modernas, criando uma identidade tão excêntrica quanto a própria história.

Mas nem só de pontos positivos vive “1000 Years Old” e, apesar de todos os destaques que encontrei, alguns aspectos acabaram me decepcionando. O primeiro deles foi a própria duração da série. Para mim, não havia necessidade de doze episódios, porque a narrativa acaba se perdendo um pouco no meio do caminho e ficando arrastada. Acho que poderia ter sido contada tranquilamente em oito episódios, com um ritmo muito mais direto e coeso. Outro ponto que me incomodou bastante foi a dinâmica dos diálogos. Em vários momentos, as conversas pareciam travadas ou sem sentido, o que acabava me deixando um pouco perdido em algumas situações e dificultava a compreensão do que estava acontecendo. E aí chegamos à parte que mais me decepcionou: o romance épico que me venderam. Passei o BL inteiro esperando ansiosamente por um beijo de verdade entre Pun e Yo e, no fim, recebi apenas um selinho simples e sem graça. Para uma história que constrói justamente o amor entre os dois de forma tão doce, pura e fofa, eu esperava pelo menos um beijo apaixonado que transmitisse a intensidade desses sentimentos. Outra decepção foi o final, que também não conseguiu me entregar a carga emocional e o fechamento que eu esperava. Tudo pareceu acontecer de forma muito corrida, principalmente quando é revelada a grande virada do enredo sobre o relacionamento de Pun e Yo. Existiu até um pouco de emoção e surpresa da minha parte, mas não com a intensidade e a qualidade que a relação deles merecia. E, para completar, ainda tivemos aquele drama entre o penúltimo e o último episódio que, para mim, foi completamente desnecessário e poderia muito bem nem ter existido. O que poderia ter sido um final épico se tornou comum e destoou de todo o relacionamento tão bem construído pela série, me deixando apenas com uma sensação agridoce no fim.

Por esses motivos, a minha nota vai ser apenas um triste 06. A série entrega entretenimento, uma proposta única e personagens bastante excêntricos e interessantes, mas decepciona justamente no fechamento, com uma conclusão apressada e uma carga emocional muito abaixo do que eu esperava. No fim, transforma uma história de amor que poderia ser inesquecível em algo comum, fugindo da própria proposta que construiu ao longo da série e me deixando com a sensação de que poderia ter sido muito mais.

Nota: 06/10

Recomendo (com ressalvas) ⭐⭐⭐
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