E quando o oprimido se torna o opressor ?
E quando o oprimido se torna o opressor ?
Essa foi a pergunta que me fiz ao assistir a este filme, que, de forma dura e cruel, expõe o que pode acontecer quando uma pessoa é levada ao limite. Seja pela omissão daqueles que se calam e fingem não enxergar o que está diante deles, seja pela negligência de adultos que falham justamente com quem mais precisa de apoio — aqui, a protagonista.
É revoltante perceber como a polícia permanece em silêncio diante dos sinais evidentes. E, quando o pior finalmente acontece, em vez de assumir a responsabilidade, tenta construir justificativas para encobrir os próprios erros, ignorando aquilo que sempre esteve diante de seus olhos.
O mesmo pode ser dito dos pais, figuras praticamente ausentes ao longo da narrativa. Quando aparecem, não demonstram acolhimento ou presença, mas reforçam sua incapacidade de oferecer suporte emocional aos filhos.
O filme não suaviza as falhas de ninguém. Não há proteção ou condescendência com seus personagens — apenas a exposição crua das consequências de suas escolhas. A obra também nos lembra que a vida está longe de ser justa ou igualitária.
A protagonista continua sendo vítima, mas, ao reagir da mesma forma que seu agressor, cruza uma linha perigosa. Ao sujar as próprias mãos, passa a carregar o peso de suas decisões. E é justamente nessa ambiguidade moral que o filme encontra sua maior força.
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