This review may contain spoilers
Não era hype. Era tudo isso mesmo.
Hometown Cha-Cha-Cha é um dorama que entende que romance não precisa existir isoladamente. Antes de assistir, confesso que o título e todo o hype ao redor da obra me fizeram criar uma expectativa negativa. Porém, conforme a história avança, fica evidente que reduzi a série ao que ela parecia ser: mais uma comédia romântica leve ambientada em uma cidade pequena. E esse talvez seja justamente um dos maiores méritos do roteiro: utilizar o romance como porta de entrada para construir uma narrativa muito mais ampla sobre comunidade, luto, solidão, pertencimento e relações humanas.
O romance entre Hye Jin e Du Sik funciona porque não depende apenas da química entre os protagonistas. Existe um desenvolvimento gradual da relação, no qual os dois precisam confrontar características e preconceitos próprios antes de realmente se compreenderem. Hye Jin, especialmente, pode ser bastante difícil de suportar em determinados momentos. Sua postura inicialmente arrogante e julgadora incomoda (confesso q tive MUITA raiva dela), mas também serve para estabelecer um contraste importante com a dinâmica comunitária de Gongjin. O interessante é que o roteiro não tenta simplesmente transformá-la em uma personagem “melhor” de maneira instantânea; ela é colocada em situações que a obrigam a rever a forma como enxerga as pessoas.
E Gongjin talvez seja o verdadeiro coração da série.
Os personagens secundários não existem apenas para preencher o cenário ou servir de alívio cômico. Cada núcleo possui conflitos próprios e, em diferentes momentos, a série consegue fazer com que histórias aparentemente pequenas adquiram um peso emocional enorme. O roteiro trabalha com a ideia de que cada pessoa carrega uma história que não é imediatamente visível. Outro ponto forte é a maneira como a serie aborda temas difíceis sem abandonar completamente a atmosfera acolhedora que caracteriza o dorama. Luto, arrependimento, solidão, fracasso, envelhecimento, maternidade, casamento e diferentes formas de felicidade aparecem ao longo da narrativa. Nem todos esses temas recebem a mesma profundidade, e esse é um dos pontos em que o roteiro poderia ter sido mais equilibrado, mas, ainda assim, existe uma intenção clara de mostrar que uma comunidade é formada por pessoas imperfeitas tentando continuar vivendo. O ritmo também merece destaque. A série qconsegue alternar comédia, romance e drama sem fazer com que as mudanças de tom pareçam completamente desconectadas. Há episódios extremamente leves seguidos por momentos emocionalmente pesados, mas essa alternância contribui para a sensação de que estamos acompanhando a vida daquela comunidade, e não apenas uma sequência de acontecimentos planejados para conduzir o casal até o final. Visualmente, a ambientação de Gongjin complementa muito bem essa proposta. O litoral, as casas, os estabelecimentos e a rotina dos moradores criam uma sensação de familiaridade que faz com que a cidade deixe de ser apenas cenário e se torne uma grande família realmente. E preciso falar da trilha sonora, especialmente de “Romantic Sunday”. A música se tornou praticamente uma extensão da identidade do dorama. É uma daquelas trilhas que conseguem carregar imediatamente a atmosfera de uma obra, e tenho certeza de que nunca mais vou ouvi-la sem lembrar de Gongjin. La la la la la la la Romantic Sundayyyyy 🥹no fim, o que torna Hometown tão eficiente não é a originalidade absoluta de sua história, mas a execução. A série trabalha com elementos bastante conhecidos das comédias românticas — cidade pequena, opostos que se atraem, protagonista inicialmente resistente, comunidade acolhedora e consegue transformá-los em uma experiência emocionalmente muito envolvente. Não considero a série perfeita. Alguns conflitos poderiam ter sido desenvolvidos com mais profundidade e determinadas resoluções parecem mais convenientes do que realmente construídas. Ainda assim, existe uma qualidade rara na forma como o dorama faz o espectador se importar não apenas com o casal principal, mas com praticamente toda a comunidade ao redor deles. Comecei Hometown Cha-Cha-Cha esperando entender por que todo mundo gostava tanto.
Terminei entendendo.
É uma história sobre romance, mas, acima de tudo, sobre pessoas. Sobre aquilo que escondemos, aquilo que carregamos e sobre como, às vezes, uma comunidade inteira pode ajudar alguém a encontrar novamente um lugar ao qual pertencer.
E, sinceramente? Gongjin deixou saudade.
O romance entre Hye Jin e Du Sik funciona porque não depende apenas da química entre os protagonistas. Existe um desenvolvimento gradual da relação, no qual os dois precisam confrontar características e preconceitos próprios antes de realmente se compreenderem. Hye Jin, especialmente, pode ser bastante difícil de suportar em determinados momentos. Sua postura inicialmente arrogante e julgadora incomoda (confesso q tive MUITA raiva dela), mas também serve para estabelecer um contraste importante com a dinâmica comunitária de Gongjin. O interessante é que o roteiro não tenta simplesmente transformá-la em uma personagem “melhor” de maneira instantânea; ela é colocada em situações que a obrigam a rever a forma como enxerga as pessoas.
E Gongjin talvez seja o verdadeiro coração da série.
Os personagens secundários não existem apenas para preencher o cenário ou servir de alívio cômico. Cada núcleo possui conflitos próprios e, em diferentes momentos, a série consegue fazer com que histórias aparentemente pequenas adquiram um peso emocional enorme. O roteiro trabalha com a ideia de que cada pessoa carrega uma história que não é imediatamente visível. Outro ponto forte é a maneira como a serie aborda temas difíceis sem abandonar completamente a atmosfera acolhedora que caracteriza o dorama. Luto, arrependimento, solidão, fracasso, envelhecimento, maternidade, casamento e diferentes formas de felicidade aparecem ao longo da narrativa. Nem todos esses temas recebem a mesma profundidade, e esse é um dos pontos em que o roteiro poderia ter sido mais equilibrado, mas, ainda assim, existe uma intenção clara de mostrar que uma comunidade é formada por pessoas imperfeitas tentando continuar vivendo. O ritmo também merece destaque. A série qconsegue alternar comédia, romance e drama sem fazer com que as mudanças de tom pareçam completamente desconectadas. Há episódios extremamente leves seguidos por momentos emocionalmente pesados, mas essa alternância contribui para a sensação de que estamos acompanhando a vida daquela comunidade, e não apenas uma sequência de acontecimentos planejados para conduzir o casal até o final. Visualmente, a ambientação de Gongjin complementa muito bem essa proposta. O litoral, as casas, os estabelecimentos e a rotina dos moradores criam uma sensação de familiaridade que faz com que a cidade deixe de ser apenas cenário e se torne uma grande família realmente. E preciso falar da trilha sonora, especialmente de “Romantic Sunday”. A música se tornou praticamente uma extensão da identidade do dorama. É uma daquelas trilhas que conseguem carregar imediatamente a atmosfera de uma obra, e tenho certeza de que nunca mais vou ouvi-la sem lembrar de Gongjin. La la la la la la la Romantic Sundayyyyy 🥹no fim, o que torna Hometown tão eficiente não é a originalidade absoluta de sua história, mas a execução. A série trabalha com elementos bastante conhecidos das comédias românticas — cidade pequena, opostos que se atraem, protagonista inicialmente resistente, comunidade acolhedora e consegue transformá-los em uma experiência emocionalmente muito envolvente. Não considero a série perfeita. Alguns conflitos poderiam ter sido desenvolvidos com mais profundidade e determinadas resoluções parecem mais convenientes do que realmente construídas. Ainda assim, existe uma qualidade rara na forma como o dorama faz o espectador se importar não apenas com o casal principal, mas com praticamente toda a comunidade ao redor deles. Comecei Hometown Cha-Cha-Cha esperando entender por que todo mundo gostava tanto.
Terminei entendendo.
É uma história sobre romance, mas, acima de tudo, sobre pessoas. Sobre aquilo que escondemos, aquilo que carregamos e sobre como, às vezes, uma comunidade inteira pode ajudar alguém a encontrar novamente um lugar ao qual pertencer.
E, sinceramente? Gongjin deixou saudade.
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