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Esta série tinha uma premissa excelente e um potencial imenso, mas foi tremendamente mal aproveitada. O enredo, no geral, foi muito fraco, arrastado e repleto de decisões narrativas frustrantes.A personagem da avó é simplesmente odiosa, e a forma compassiva como todos ao seu redor acabam tratando-a e sua situação é incompreensível e revoltante. Roubar uma vida — 12 anos de uma mãe com seu filho — é um crime monstruoso, e a tentativa de "humanizá-la" no final com problemas de saúde não serve como redenção, só como uma desculpa preguiçosa.
A protagonista, por sua vez, é um caso à parte. Seu comportamento estoico e quase apático não condiz em NADA com alguém que sofreu um trauma daquela magnitude. Ela encara a mulher que roubou seu filho, que a fez acreditar que ele estava morto, e... reage com uma frieza desconcertante. Onde está a raiva? A dor? A luta? A explicação para o ódio irracional da mãe do protagonista demorou episódios e mais episódios para ser revelada. E quando veio, não serviu para gerar empatia — porque era impossível, dada a monstruosidade dos fatos —, mas apenas para confirmar que aquele ódio era, de fato, sem fundamento e doentio. Afinal, o "motivo" era proteger um estuprador. Nada ali poderia justificar qualquer simpatia, apenas nojo.
Falando em reconstrução familiar, foi um dos pontos mais fracos. Não houve esforço real da protagonista para se aproximar do filho, não houve conversas significativas entre os três, nenhum momento de vulnerabilidade compartilhada. A criança, claramente a pessoa mais madura da trama, é quem tem que tirar suas próprias conclusões e quase conduzir o reencontro. É frustrante assistir a uma reconciliação que não é construída, apenas anunciada.
E a melhor amiga vilã, do nada? Um absurdo completo. Uma virada de personagem que parece ter sido inventada na reta final para injetar um conflito extra, sem qualquer base ou desenvolvimento anterior.
O que mais me indigna, e qualquer telespectador que tenha assistido saberá exatamente do que estou falando, é a total falta de punição ou consequência real para os crimes cometidos. Sequestro emocional, roubo de bebê, anos de mentiras, manipulação… tudo é resolvido com um perdão textual, uma coletiva de imprensa ou um problema de saúde. É inaceitável do ponto de vista narrativo e moral.
Por fim, o estoicismo irritante da protagonista encontra seu par perfeito na passividade total do protagonista, um homem que nunca assume as rédeas da própria vida ou da criação do filho. São personagens que não evoluem, não explodem, não vivem — apenas existem para sofrer em câmera lenta.
E o final? Pífio. Não houve clímax, nem fechamento emocionante, nem justiça poética. Foi um esvaziamento total, como se os roteiristas tivessem perdido o fôlego e resolvido tudo com meias palavras e cenas tranquilas demais para uma trama que nasceu do caos.
No fim, os únicos personagens que salvam alguma coisa são a criança (o verdadeiro adulto da história) e a professora de piano, que trazem os poucos lampejos de humanidade genuína. Uma premissa poderosa, completamente desperdiçada em um drama sem coração, sem justiça e, acima de tudo, sem emoção verdadeira.
Acho que até uma nota 6 foi generoso da minha parte. Confesso que sou fã do Wallace e assisti principalmente por ele, o que torna a decepção ainda maior. Fiquei genuinamente desapontada ao vê-lo aceitar interpretar um papel tão mal escrito e sem profundidade, que não fez justiça ao seu talento.
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