Herdeiros do Erro, Pais da Barbárie
Em A Cobertura 2, a pergunta já não é se pode piorar. É quem, afinal, é o pior. E a resposta fica cada vez mais clara: não são apenas os filhos destemperados, são os pais que os formaram assim, e que seguem cavando o abismo para esconder os próprios fracassos.
Os jovens são reflexo direto de uma criação torta, baseada em privilégio sem limite, afeto condicionado e ausência total de consequência. Cresceram aprendendo que errar não tem custo, porque sempre haverá um adulto poderoso disposto a apagar rastros, comprar silêncios e fabricar versões convenientes da verdade.
E é aí que a série dói mais.
Porque, diante dos erros dos filhos, os pais não corrigem. Protegem a qualquer preço. E, ao proteger, cometem atrocidades ainda maiores. Manipulam investigações, destroem vidas alheias, armam quedas morais e físicas, tudo para manter intacta a própria imagem e o império que construíram sobre mentiras.
A hipocrisia vira legado. A violência, herança. A falta de valores passa de geração em geração como um sobrenome maldito. Os filhos erram, sim, mas erram dentro de um sistema cuidadosamente arquitetado pelos adultos, que jamais assumem responsabilidade. São eles que puxam os fios, que decidem quem cai e quem sobe, que transformam culpa em estratégia.
Relacionamentos abusivos se multiplicam porque são normalizados desde cedo. O amor é condicionado ao sucesso, o respeito ao status, a dignidade ao sobrenome. Quando algo sai do controle, a resposta nunca é ética, é força, dinheiro, política, medo.
A Cobertura 2 deixa claro que a verdadeira podridão não está apenas na juventude desorientada, mas nos adultos que preferem cometer crimes maiores a admitir que falharam como pais e como seres humanos.
No fim, o desconforto permanece, porque a série não fala apenas de vilões caricatos. Fala de poder sem freio, de famílias que confundem proteção com destruição, e de um mundo onde educar mal não é acidente, é projeto.
E isso, talvez, seja o aspecto mais assustador de todos.
Os jovens são reflexo direto de uma criação torta, baseada em privilégio sem limite, afeto condicionado e ausência total de consequência. Cresceram aprendendo que errar não tem custo, porque sempre haverá um adulto poderoso disposto a apagar rastros, comprar silêncios e fabricar versões convenientes da verdade.
E é aí que a série dói mais.
Porque, diante dos erros dos filhos, os pais não corrigem. Protegem a qualquer preço. E, ao proteger, cometem atrocidades ainda maiores. Manipulam investigações, destroem vidas alheias, armam quedas morais e físicas, tudo para manter intacta a própria imagem e o império que construíram sobre mentiras.
A hipocrisia vira legado. A violência, herança. A falta de valores passa de geração em geração como um sobrenome maldito. Os filhos erram, sim, mas erram dentro de um sistema cuidadosamente arquitetado pelos adultos, que jamais assumem responsabilidade. São eles que puxam os fios, que decidem quem cai e quem sobe, que transformam culpa em estratégia.
Relacionamentos abusivos se multiplicam porque são normalizados desde cedo. O amor é condicionado ao sucesso, o respeito ao status, a dignidade ao sobrenome. Quando algo sai do controle, a resposta nunca é ética, é força, dinheiro, política, medo.
A Cobertura 2 deixa claro que a verdadeira podridão não está apenas na juventude desorientada, mas nos adultos que preferem cometer crimes maiores a admitir que falharam como pais e como seres humanos.
No fim, o desconforto permanece, porque a série não fala apenas de vilões caricatos. Fala de poder sem freio, de famílias que confundem proteção com destruição, e de um mundo onde educar mal não é acidente, é projeto.
E isso, talvez, seja o aspecto mais assustador de todos.
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