Details

  • Last Online: 2 days ago
  • Gender: Female
  • Location: Brasil
  • Contribution Points: 0 LV0
  • Roles:
  • Join Date: July 6, 2025
Hotel del Luna korean drama review
Completed
Hotel del Luna
0 people found this review helpful
by EchoesOfLove
27 days ago
16 of 16 episodes seen
Completed
Overall 10
Story 10.0
Acting/Cast 10.0
Music 10.0
Rewatch Value 10.0
This review may contain spoilers

O lugar onde o tempo para e a alma é cobrada

Hotel Del Luna não é só um drama sobre fantasmas. É uma alegoria elegante sobre culpa, apego, luto e a dificuldade humana de seguir em frente. Um hotel que só aparece para quem já morreu, administrado por alguém que, ironicamente, é incapaz de partir.

Jang Man Wol não é uma heroína romântica. Ela é ressentimento em forma de gente. Rica, poderosa, afiada, espirituosa, mas emocionalmente paralisada há séculos. O hotel é sua prisão dourada, construída não por correntes, mas por escolhas não resolvidas. E isso é o ponto central da obra: não é a morte que aprisiona, é o apego.

Cada hóspede traz uma história incompleta, mágoas não ditas, despedidas mal feitas. O roteiro costura esses relatos episódicos com um fio maior, quase filosófico: ninguém segue adiante enquanto insiste em carregar o que já passou do peso suportável. É budista na essência, mesmo quando veste fantasia pop.

A entrada de Goo Chan Sung, o gerente humano, funciona como contraponto moral e emocional. Ele representa o fluxo da vida, o tempo que anda, a lógica do “é preciso continuar”. Não há um romance arrebatador no sentido clássico. O que existe é um encontro necessário. Pessoas entram na nossa vida não para ficar, mas para nos ensinar a soltar.

Visualmente, o drama é um espetáculo à parte. Figurinos exuberantes, cenários quase oníricos, trilha sonora melancólica. Mas tudo isso seria vazio sem a camada simbólica que sustenta a narrativa. O luxo aqui não é glamour, é compensação. Man Wol compra tudo porque não consegue pagar a própria dívida emocional.

Sociologicamente, Hotel Del Luna conversa com uma sociedade que evita o luto, que não aprende a perder, que transforma dor em consumo, trabalho excessivo ou sarcasmo. O drama lembra, com delicadeza cruel, que não há atalhos para a despedida. Ou você sente, ou fica preso.

O final não é feliz no molde tradicional. E ainda bem. Ele é coerente. Libertação raramente vem sem perda.

Hotel Del Luna é sobre aprender a fechar portas sem amaldiçoar o passado. Um drama belo, melancólico e profundamente humano, que fica com a gente como aquelas memórias que doem, mas ensinam.
Was this review helpful to you?