This review may contain spoilers
"Os granizos caíram nas águas do arrozal de Haecheon.
Da última vez que amaram, como uma mentira, derreteram-se.
Ela pensou nele, a quem deixou no prado.
Por quanto tempo devo vagar na periferia da dor a fim de apagar tais lembranças?
Se memórias de amor também são como granizos, se são como um boneco de neve perdido na estação errada, o arrependimento é desnecessário, portanto, rezo para que desvaneça.
No prado solitário a solidão permanece.
Um amor passado vai além do oblívio.
Assim como eu, se ao menos pudesse atravessar esse campo de futilidade."
Tinha tudo para ser um excelente slice of life. A atmosfera existe - reflexiva, melancólica, aconchegante - sustentada por uma produção muito acima da média: trilha sonora sensível, paisagens montanhosas cobertas de neve, a floresta como espaço simbólico de introspecção e a tentativa constante de dialogar com poesia e silêncio. Os temas abordados são fortes e relevantes, especialmente trauma, memória, padrões emocionais e a relação entre passado e presente. O problema é que tudo isso fica no plano da intenção. Os personagens apenas simulam desenvolvimento: tocam superficialmente em suas feridas, mas raramente enfrentam ou transformam algo de fato. A extrema falta de comunicação, longe de ser sempre um recurso narrativo, torna-se frustrante e artificial, há momentos em que o silêncio não comunica, apenas paralisa a narrativa. Soma-se a isso inconsistências graves de roteiro, como a prisão da mãe da Mok Hae Won, tratada de forma excessivamente obscura e mal explicada, especialmente considerando a possibilidade de legítima defesa. A ausência de esclarecimento enfraquece o peso dramático do conflito e passa mais a impressão de conveniência narrativa do que de realismo emocional, fora as transições de cenas que são horríveis, a história parece picotada. No fim, o dorama escolhe retratar a estagnação como estado final, sem mudança ou verdadeiro amadurecimento. E esse é talvez seu maior erro: confundir realismo com imobilidade. A estética é bela, os temas são promissores, mas a execução carece de coragem para ir além da contemplação. Talvez seja por isso que é tão bem avaliado, tem sabor de profundidade, mas evita o desconforto necessário para realmente ser.
"Eun Sil, pode ser sufocante para você. Você deve achar que não é nada de especial, mas, para mim, chamo esse tipo de cotidiano de felicidade. O sonho de outras pessoas pode ser ir para a melhor universidade, ser famoso, viajar pelo mundo ou ir até a lua, mas para mim, depois de sair da faculdade, ter minha vida cotidiana comum e viver cada dia bem organizado, esse era o meu sonho. Viver diligentemente e normalmente é o que me faz feliz. Eu sei disso." - Essa frase do Lee Jang Woo, que eu complementei, me resume.
PS: Apesar de não ter uma história de fundo, a garota do encontro às cegas com Lee Jang Woo é bem melhor que a Ji Eun Shil. Ji Eun Shil é tenebrosa demais.
PS2: Kim Bo Young se mostrou ser bem melhor que a Mok Hae Won, principalmente perto do final, que tomou umas decisões bem merda. Estupidez ter abandonado o Eun Seob (apesar dele não ser expressivo e nem comunicativo em pedir pra ela ficar) e pq diabos ela foi visitar o Oh Young Woo?! Nem faz sentido.
Da última vez que amaram, como uma mentira, derreteram-se.
Ela pensou nele, a quem deixou no prado.
Por quanto tempo devo vagar na periferia da dor a fim de apagar tais lembranças?
Se memórias de amor também são como granizos, se são como um boneco de neve perdido na estação errada, o arrependimento é desnecessário, portanto, rezo para que desvaneça.
No prado solitário a solidão permanece.
Um amor passado vai além do oblívio.
Assim como eu, se ao menos pudesse atravessar esse campo de futilidade."
Tinha tudo para ser um excelente slice of life. A atmosfera existe - reflexiva, melancólica, aconchegante - sustentada por uma produção muito acima da média: trilha sonora sensível, paisagens montanhosas cobertas de neve, a floresta como espaço simbólico de introspecção e a tentativa constante de dialogar com poesia e silêncio. Os temas abordados são fortes e relevantes, especialmente trauma, memória, padrões emocionais e a relação entre passado e presente. O problema é que tudo isso fica no plano da intenção. Os personagens apenas simulam desenvolvimento: tocam superficialmente em suas feridas, mas raramente enfrentam ou transformam algo de fato. A extrema falta de comunicação, longe de ser sempre um recurso narrativo, torna-se frustrante e artificial, há momentos em que o silêncio não comunica, apenas paralisa a narrativa. Soma-se a isso inconsistências graves de roteiro, como a prisão da mãe da Mok Hae Won, tratada de forma excessivamente obscura e mal explicada, especialmente considerando a possibilidade de legítima defesa. A ausência de esclarecimento enfraquece o peso dramático do conflito e passa mais a impressão de conveniência narrativa do que de realismo emocional, fora as transições de cenas que são horríveis, a história parece picotada. No fim, o dorama escolhe retratar a estagnação como estado final, sem mudança ou verdadeiro amadurecimento. E esse é talvez seu maior erro: confundir realismo com imobilidade. A estética é bela, os temas são promissores, mas a execução carece de coragem para ir além da contemplação. Talvez seja por isso que é tão bem avaliado, tem sabor de profundidade, mas evita o desconforto necessário para realmente ser.
"Eun Sil, pode ser sufocante para você. Você deve achar que não é nada de especial, mas, para mim, chamo esse tipo de cotidiano de felicidade. O sonho de outras pessoas pode ser ir para a melhor universidade, ser famoso, viajar pelo mundo ou ir até a lua, mas para mim, depois de sair da faculdade, ter minha vida cotidiana comum e viver cada dia bem organizado, esse era o meu sonho. Viver diligentemente e normalmente é o que me faz feliz. Eu sei disso." - Essa frase do Lee Jang Woo, que eu complementei, me resume.
PS: Apesar de não ter uma história de fundo, a garota do encontro às cegas com Lee Jang Woo é bem melhor que a Ji Eun Shil. Ji Eun Shil é tenebrosa demais.
PS2: Kim Bo Young se mostrou ser bem melhor que a Mok Hae Won, principalmente perto do final, que tomou umas decisões bem merda. Estupidez ter abandonado o Eun Seob (apesar dele não ser expressivo e nem comunicativo em pedir pra ela ficar) e pq diabos ela foi visitar o Oh Young Woo?! Nem faz sentido.
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