Obra-prima japonesa
10 Dance foi um filme muito aguardado por mim — e por uma pá de gente — e carregado de expectativas. Não consigo resumir essa obra em outra frase que não seja: um verdadeiro tutorial de como engolir o básico e o genérico para nos entregar, com destreza, algo original, belo e esplêndido.
Nesse filme, conhecemos dois Shinya e a complexidade de sua relação. Enquanto, no início, Suzuki Shinya sente ódio, repúdio e talvez até inveja do outro, Sugiki Shinya, ao observá-lo, enxerga um potencial enorme, escondido em cada gesto e movimento.
A forma como Suzuki vai se entregando a Sugiki poderia, sim, ter sido melhor distribuída ao longo do filme, e não concentrada nos primeiros 30 minutos. Com o passar do tempo, fica subentendido que ele já se sentia atraído por Sugiki desde o início, mas resistia em aceitar isso. Ainda assim, cai rapidamente nos encantos do parceiro de aula e logo se vê extasiado, apaixonado demais. Em contrapartida, Sugiki — que no começo se mostrava mais interessado — constrói uma parede entre eles, apresentada de maneira mais profunda e complexa.
Mais do que subentendido, o que vemos ali é paixão em estado puro. Eles dançam apaixonados. Dançam os dez estilos que ensaiaram juntos por meses, fazendo da relação o verdadeiro eixo do filme. São aplaudidos — mas não o suficiente. Os Shinyas mereciam muito mais do que aplausos.
A tensão entre os dois homens é palpável e indiscreta. Eles se rendem a ela e, a partir daí, tornam-se um só. Desde a cena do metrô, já não há separação: existe conexão. Cada beijo, cada dança e cada toque revelam uma paixão sincera, finalmente reconhecida por Sugiki no final da trama.
Eu me entreguei completamente enquanto assistia. Fiquei fisgada de um jeito raro, sem conseguir desviar os olhos. A cinematografia é belíssima, a dublagem em português é espetacular, e os figurinos, as danças e as atuações são entregues com precisão. A química entre os atores é evidente em todas as cenas em conjunto. Os personagens são carismáticos e cheios de personalidade, cada um em seu próprio mundo — e, quem diria, esses mundos colidem.
Minha única crítica fica no desenvolvimento individual da relação. O filme sabe mostrar o desejo, mas hesita em aprofundar o conflito interno. Vemos os dois muito juntos, porém emocionalmente separados; seus pensamentos nem sempre se encontram. O estopim da história acontece por conta dos conflitos internos de Sugiki, que são apresentados, mas apenas parcialmente explicados.
Senti falta de algo mais de Suzuki. Sabemos que ele é de Cuba, dança ritmos latinos, dorme com muitas mulheres e adora festas — mas Suzuki parece carregar histórias que o filme escolhe não contar. Não há um verdadeiro “X da questão” para ele. Ainda assim, essa ausência não diminui a força do filme; apenas evidencia o quanto seria interessante explorá-lo melhor em uma possível continuação.
Sem mais delongas, 10 Dance entende o amor como movimento: quando para de dançar, perde o ritmo — mas enquanto dança, é impossível desviar o olhar.
Nesse filme, conhecemos dois Shinya e a complexidade de sua relação. Enquanto, no início, Suzuki Shinya sente ódio, repúdio e talvez até inveja do outro, Sugiki Shinya, ao observá-lo, enxerga um potencial enorme, escondido em cada gesto e movimento.
A forma como Suzuki vai se entregando a Sugiki poderia, sim, ter sido melhor distribuída ao longo do filme, e não concentrada nos primeiros 30 minutos. Com o passar do tempo, fica subentendido que ele já se sentia atraído por Sugiki desde o início, mas resistia em aceitar isso. Ainda assim, cai rapidamente nos encantos do parceiro de aula e logo se vê extasiado, apaixonado demais. Em contrapartida, Sugiki — que no começo se mostrava mais interessado — constrói uma parede entre eles, apresentada de maneira mais profunda e complexa.
Mais do que subentendido, o que vemos ali é paixão em estado puro. Eles dançam apaixonados. Dançam os dez estilos que ensaiaram juntos por meses, fazendo da relação o verdadeiro eixo do filme. São aplaudidos — mas não o suficiente. Os Shinyas mereciam muito mais do que aplausos.
A tensão entre os dois homens é palpável e indiscreta. Eles se rendem a ela e, a partir daí, tornam-se um só. Desde a cena do metrô, já não há separação: existe conexão. Cada beijo, cada dança e cada toque revelam uma paixão sincera, finalmente reconhecida por Sugiki no final da trama.
Eu me entreguei completamente enquanto assistia. Fiquei fisgada de um jeito raro, sem conseguir desviar os olhos. A cinematografia é belíssima, a dublagem em português é espetacular, e os figurinos, as danças e as atuações são entregues com precisão. A química entre os atores é evidente em todas as cenas em conjunto. Os personagens são carismáticos e cheios de personalidade, cada um em seu próprio mundo — e, quem diria, esses mundos colidem.
Minha única crítica fica no desenvolvimento individual da relação. O filme sabe mostrar o desejo, mas hesita em aprofundar o conflito interno. Vemos os dois muito juntos, porém emocionalmente separados; seus pensamentos nem sempre se encontram. O estopim da história acontece por conta dos conflitos internos de Sugiki, que são apresentados, mas apenas parcialmente explicados.
Senti falta de algo mais de Suzuki. Sabemos que ele é de Cuba, dança ritmos latinos, dorme com muitas mulheres e adora festas — mas Suzuki parece carregar histórias que o filme escolhe não contar. Não há um verdadeiro “X da questão” para ele. Ainda assim, essa ausência não diminui a força do filme; apenas evidencia o quanto seria interessante explorá-lo melhor em uma possível continuação.
Sem mais delongas, 10 Dance entende o amor como movimento: quando para de dançar, perde o ritmo — mas enquanto dança, é impossível desviar o olhar.
Was this review helpful to you?

