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Pavane
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16 days ago
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Overall 8.5
Story 10
Acting/Cast 9.0
Music 10
Rewatch Value 8.5
This review may contain spoilers

triste, mas poético

Eu comecei Pavana achando que seria só mais um romance lento para preencher catálogo. Terminei com o coração apertado — e grata por ter dado play.

Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro que não está interessado em fantasia. Ele habita um mundo ligeiramente desalinhado da realidade: pessoas subempregadas, solitárias, vivendo rotinas repetitivas como se estivessem pedindo desculpas por existir. O cenário principal — uma loja de departamento — funciona quase como uma fábrica de repressão emocional. Ali, Gyeong-rok estaciona carros enquanto tenta convencer a si mesmo de que dançar ainda é um sonho possível. Mi-jeong trabalha no subsolo, como se a sociedade tivesse decidido colocá-la literalmente abaixo da superfície. E Yo-han flutua entre eles, carismático, socialmente aceito, mas com aquela solidão silenciosa de quem é admirado sem ser verdadeiramente conhecido.

O romance entre Gyeong-rok e Mi-jeong não explode em declarações épicas. Ele nasce de silêncios longos, olhares hesitantes e da identificação entre duas pessoas que não se enxergam como “escolhíveis”. É um amor que não promete cura mágica, apenas companhia. Não é amor de conto de fadas — é amor de sobrevivência. É quase como se dissessem: “Você também se sente deslocado? Então fica. Vamos ser inadequados juntos.”

Mi-jeong é o coração emocional do filme. E o mais bonito é que o roteiro se recusa a transformá-la para torná-la digna de amor. Não há glow-up, não há redenção estética. Há vulnerabilidade, há dor, há a crueldade de comentários sobre aparência — e há resistência. Ela continua existindo. Continua tentando. Isso é radical. Go Ah-sung entrega uma atuação contida, quase como alguém que respira com cuidado para não desmoronar. Você sente o peso que ela carrega mesmo quando ela não diz nada.

Gyeong-rok, interpretado por Moon Sang-min, é o tipo de homem que ama, mas não sabe traduzir isso em ações claras. Ele é gentil, mas emocionalmente analfabeto. Hesita. Erra. Frustra. E exatamente por isso parece real. Não é um CEO rico salvando ninguém. Não é um príncipe. É só um homem comum tentando não estragar algo raro.

Visualmente, o filme aposta em cores apagadas, uma atmosfera quase vintage, e uma fotografia que transforma estacionamentos subterrâneos em metáforas óbvias — mas eficazes — de vidas vividas fora dos holofotes. Os cortes são rápidos, secos, às vezes abruptos. Isso pode soar estranho para quem espera fluidez tradicional, mas funciona. Dá a sensação de que a vida não oferece transições suaves; ela simplesmente muda de cena.

Sim, o roteiro é previsível em alguns pontos. E ainda assim… não é. Porque o impacto emocional não está no “o que acontece”, mas em “como acontece”. O final pode doer. Pode deixar aquela sensação de algo inacabado. Mas talvez essa seja justamente a intenção. Nem todo amor veio para durar para sempre — alguns vêm para nos ensinar que fomos, sim, capazes de ser escolhidos.

Eu amo filmes melancólicos. E Pavana entende que melancolia não é sinônimo de autopiedade. É reflexão. É delicadeza. É a compreensão de que viver com arrependimento pesa mais do que viver com cicatriz.

Esse não é um filme sobre finais felizes. É um filme sobre presença. Sobre amar enquanto é possível. Sobre dizer agora. Sobre não deixar flores para depois.

Ele não é extravagante. Não tem arco-íris, transformação mágica ou protagonistas idealizados. Pode parecer “chato” para quem precisa de espetáculo. Mas é justamente essa simplicidade crua que o torna tão bonito.

Pavana é para quem ainda acredita no amor — não no amor perfeito, mas no amor possível. E às vezes, o possível é o mais corajoso de todos.

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