K-Drama This review may contain spoilers
Summertime — gostar de alguém não é o mesmo que possuí-lo
Eu realmente amei Summertime. É um BL bem simples, um friends to lovers que não tenta ser muito mais do que isso, mas que, para mim, consegue desenvolver de uma forma muito natural a passagem da amizade para um relacionamento.
No começo, confesso que fiquei me perguntando várias vezes por que Yeo Eun Ho era amigo de Cha Do Hyeon, porque o Hyeon é meio red flag mesmo KKKKK. Ele é extremamente determinado e, quando coloca alguma coisa na cabeça, é do tipo que vai tramar e fazer o possível para conseguir exatamente o que quer — e, nesse caso, o que ele queria era o melhor amigo.
Apesar de ter seu próprio círculo social e conseguir se relacionar bem com outras pessoas, fica muito claro que Eun Ho ocupa um lugar completamente diferente na vida dele. É a pessoa mais importante para Hyeon e, na verdade, alguém que ele já nem enxerga verdadeiramente como apenas um amigo.
E uma das coisas que mais gostei em Summertime foi justamente a naturalidade com que esse desejo é tratado. Não tem nada mais normal do que gostar de alguém, desejar essa pessoa, imaginar uma intimidade com ela e querer compartilhar a vida ao lado dela. Apesar do jeitinho meio psicótico do Hyeon de demonstrar tudo isso, foi assim que interpretei os sentimentos dele por Eun Ho.
Só que existe uma diferença enorme entre compartilhar a vida com alguém e querer possuir alguém, e acho que esse é justamente o aprendizado do Hyeon durante a história.
Quando eles finalmente começam a namorar, Hyeon parece querer realizar de uma vez todas as fantasias que construiu durante o tempo em que desejava o melhor amigo. O problema é que, nesse processo, Eun Ho começa a se sentir inferior dentro da relação e, em alguns momentos, até como se fosse um objeto do desejo dele, e não alguém que deveria ter o mesmo espaço e poder de escolha naquele relacionamento.
Por isso, gostei muito quando Eun Ho finalmente dá um basta. Para mim, é nesse momento que Hyeon percebe que amar Eun Ho não significa simplesmente conseguir tê-lo. Ele percebe que não consegue mais imaginar sua vida sem aquele amor, mas, se realmente quer permanecer ao lado dele, precisa aprender que uma relação não pode existir somente nos seus próprios termos. Ele precisa aprender a compartilhar, e não possuir.
O que realmente prejudicou minha experiência foi o final.
A direção colocou uma cena que, pela forma como foi editada, deu a entender que tudo o que acompanhamos poderia ter sido um sonho. Pelo que foi esclarecido depois, a intenção era mostrar Eun Ho falando sobre seus sentimentos para Hyeon ainda no colégio, mas isso simplesmente não ficou claro na montagem.
E, para mim, quando é necessário ir à internet explicar o que uma cena queria dizer porque a própria edição transmitiu outra coisa, existe um problema. Ainda mais quando estamos falando justamente da última cena de uma história.
É frustrante porque eu gostei muito de Summertime. Não diria de forma alguma para as pessoas não assistirem — muito pelo contrário, acho que vale bastante a pena. É simples, natural e eu realmente gostei de acompanhar a relação entre Eun Ho e Hyeon.
Mas o final deixou muito a desejar. É uma pena construir um BL tão gostoso durante praticamente toda a sua duração e, justamente na finalização, tomar uma decisão de edição capaz de prejudicar tanto a experiência.
Eu amei a viagem. Só queria que eles tivessem sabido onde parar o carro.
No começo, confesso que fiquei me perguntando várias vezes por que Yeo Eun Ho era amigo de Cha Do Hyeon, porque o Hyeon é meio red flag mesmo KKKKK. Ele é extremamente determinado e, quando coloca alguma coisa na cabeça, é do tipo que vai tramar e fazer o possível para conseguir exatamente o que quer — e, nesse caso, o que ele queria era o melhor amigo.
Apesar de ter seu próprio círculo social e conseguir se relacionar bem com outras pessoas, fica muito claro que Eun Ho ocupa um lugar completamente diferente na vida dele. É a pessoa mais importante para Hyeon e, na verdade, alguém que ele já nem enxerga verdadeiramente como apenas um amigo.
E uma das coisas que mais gostei em Summertime foi justamente a naturalidade com que esse desejo é tratado. Não tem nada mais normal do que gostar de alguém, desejar essa pessoa, imaginar uma intimidade com ela e querer compartilhar a vida ao lado dela. Apesar do jeitinho meio psicótico do Hyeon de demonstrar tudo isso, foi assim que interpretei os sentimentos dele por Eun Ho.
Só que existe uma diferença enorme entre compartilhar a vida com alguém e querer possuir alguém, e acho que esse é justamente o aprendizado do Hyeon durante a história.
Quando eles finalmente começam a namorar, Hyeon parece querer realizar de uma vez todas as fantasias que construiu durante o tempo em que desejava o melhor amigo. O problema é que, nesse processo, Eun Ho começa a se sentir inferior dentro da relação e, em alguns momentos, até como se fosse um objeto do desejo dele, e não alguém que deveria ter o mesmo espaço e poder de escolha naquele relacionamento.
Por isso, gostei muito quando Eun Ho finalmente dá um basta. Para mim, é nesse momento que Hyeon percebe que amar Eun Ho não significa simplesmente conseguir tê-lo. Ele percebe que não consegue mais imaginar sua vida sem aquele amor, mas, se realmente quer permanecer ao lado dele, precisa aprender que uma relação não pode existir somente nos seus próprios termos. Ele precisa aprender a compartilhar, e não possuir.
O que realmente prejudicou minha experiência foi o final.
A direção colocou uma cena que, pela forma como foi editada, deu a entender que tudo o que acompanhamos poderia ter sido um sonho. Pelo que foi esclarecido depois, a intenção era mostrar Eun Ho falando sobre seus sentimentos para Hyeon ainda no colégio, mas isso simplesmente não ficou claro na montagem.
E, para mim, quando é necessário ir à internet explicar o que uma cena queria dizer porque a própria edição transmitiu outra coisa, existe um problema. Ainda mais quando estamos falando justamente da última cena de uma história.
É frustrante porque eu gostei muito de Summertime. Não diria de forma alguma para as pessoas não assistirem — muito pelo contrário, acho que vale bastante a pena. É simples, natural e eu realmente gostei de acompanhar a relação entre Eun Ho e Hyeon.
Mas o final deixou muito a desejar. É uma pena construir um BL tão gostoso durante praticamente toda a sua duração e, justamente na finalização, tomar uma decisão de edição capaz de prejudicar tanto a experiência.
Eu amei a viagem. Só queria que eles tivessem sabido onde parar o carro.
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