This review may contain spoilers
É isso ai né...
Eu entrei nessa série achando que ia receber algo mais sério, mais pesado, mais “vamos trabalhar um drama decente”. Começou cheia de potencial, aquele gás de “vem aí”, e depois tropeçou no famoso plot da infância. E eu preciso abrir meu coração aqui: eu odeio plot de casal que se conhece na infância sem perceber. Não suporto. Parece sempre aquela muleta emocional que a série joga quando não sabe construir vínculo de verdade no presente. É tipo: “ah, eles não têm química agora? Relaxa, eles brincaram juntos quando tinham seis anos!”. E eu fico só pensando: e daí? Eu também brinquei com um monte de gente nessa idade e nem por isso fiquei emocionalmente marcada. Só deixa tudo com aquele gosto de preguiça narrativa que eu detesto.
Aí veio o arco com o Jason, que não acrescentou nada, nem pra criar tensão, nem pra fingir que a história sabia pra onde estava indo. O Jason, coitado, parecia ter sido colocado ali só porque alguém lembrou no roteiro que faltava mais um obstáculo qualquer. Ele entra na história cheio de pose de que vai virar um pivô importante, mas no fim não serve nem pra gerar tensão, nem pra balançar o trio principal, nem pra acrescentar uma gota de profundidade. Ele é aquele personagem que chega fazendo barulho, mas quando tu olha de novo já virou fumaça. Tanto faz ele estar ou não; a trama vai dar um jeito de eliminar ele mesmo. E o pior é que dava pra fazer algo interessante com ele, mas a série simplesmente não se compromete, deixa o homem flutuando ali, sem função, como se ele fosse só uma anotação esquecida no canto do roteiro. Mataram o homem e pronto, sumiu do universo.
O Than é aquele tipo de personagem que começa com potencial e termina me fazendo querer entrar na série pra dar uma sacudida nele. Ele passa tanto tempo no modo “sou um mártir incompreendido”, tudo dramático, tudo sofrido, tudo exagerado além da conta. Ele reage demais, pensa de menos e acelera decisões que deveriam ter peso, como se sentimento fosse interruptor. No fim, o Than não parece trágico, parece só perdido dentro da própria novela. Ele foi longe demais no modo “trouxa dramático” e nem o romance conseguiu justificar os surtos dele. O perdão chega correndo, o casamento passa em cinco minutos e eu fiquei ali, piscando pra tela, tipo: “Era isso mesmo? Acabou? De verdade?”. Uma maratona inteira pra esse finalzinho água de salsicha.
O plot twist final até tenta surpreender, mas já é tão usado e reusado que não gera nem cócega. E, sinceramente, todo episódio tinha briga, tentativa de assassinato, pai surtando, Chet apanhando… no quinto eu já tava exausta. É caos atrás de caos sem consequência real, como se nada que acontecesse tivesse peso ou gerasse consequências. Daou e Offroad seguraram o tranco lindamente, e o elenco no geral entregou, mas nem isso conseguiu salvar um roteiro que se perdeu de si mesmo. No fim não teve fanservice, não teve romance convincente e não teve um desfecho que pagasse a maratona.
Mas claro, teve seus brilhos. A série é pesada, cheia de cenas impactantes e visualmente intensas, mesmo quando a execução tropeça, ou o CGI caga a cena. Nos dois primeiros episódios eu jurei que ia ser aquele papo moralista de “bem contra mal”, mas quando percebi que ninguém presta e que todo mundo ali vive naquela área cinzenta saborosa, até animei. Os três irmãos se destruindo pelo trono do hospital é ótimo, ainda mais com aquele pai detestável que, de tão absurdo, dá a volta e vira praticamente um ícone da loucura.
E olha: as dinâmicas deles com seus seguranças/assistentes eram melhores que metade do romance principal. A lealdade, o carinho meio suspeito, o tanto de sentimento não dito… isso, sim, tinha química.
O Chet, pra mim, foi um dos personagens mais deliciosamente descontrolados da série. Ele foi afundando numa instabilidade tão grande que, em vez de perder o brilho, ficou ainda mais interessante. A obsessão dele pelo trono do hospital era quase hipnótica, daquele tipo que tu assiste meio horrorizada, meio encantada, porque dá pra ver a sanidade escorrendo pelos dedos dele em cada cena. A parte das drogas foi o auge do desespero dele, mas a verdadeira loucura veio mesmo quando ele começou a surtar pra se livrar dos irmãos. E o mais doido é que, no meio desse colapso inteiro, Chet e Phakphum tinham tudo pra ser um casal extremamente interessante, com aquela química tensa que já nasce do perigo. A série tinha ouro na mão e simplesmente deixou cair no chão.
A Risa, sinceramente, foi uma das poucas que me entregou exatamente o que eu queria… só que tarde demais. Ela começou toda sonsa, fazendo aquela pose de inocente que ninguém com um mínimo de intuição compra, e aos poucos foi soltando o cinismo com uma elegância quase irritante. Quando finalmente abraçou a vilania, eu quase bati palma. Era aquela energia que eu precisava dela lá no inicio, porque quando a Risa resolve mostrar as cartas, ela brilha de um jeito que faz todo mundo ao redor parecer amador. Não é nem pela maldade em si, é pelo prazer que ela sente em ser boa no que faz, pelo controle, pela calma, pelo olhar de quem já planejou o próximo passo faz tempo. Se tivessem deixado essa versão dela existir mais, a série teria ganho muito mais vida.
O Pheem me irritou porque ele tinha tudo pra funcionar, mas a série não deixa. Ele começa frio, desconfiado, carregando aquele peso que dá curiosidade de entender… só que quando finalmente chega a hora de mostrar quem ele é de verdade, tudo acontece rápido demais. Ele muda de postura sem construção, sem tempo, sem clima, como se tivesse decidido sentir coisas importantes de um episódio pro outro. E essa passagem brusca deixa ele parecendo inconsistente, não complexo. O Pheem não é ruim, só fica preso numa escrita que exige reações imediatas, sem dar espaço pra gente acompanhar o que se passa na cabeça dele. E aí, quando o romance engrena, já é tarde: a mudança dele não bate, não emociona, não cola. É como se faltasse metade do caminho a ser percorrido.
O problema é que o tom da série simplesmente não se organiza, e o romance acaba destoando de todo o resto. As cenas carinhosas não combinam com o clima pesado que domina a trama, e o vínculo de infância dos protagonistas não sustenta nada do que vem depois. A mudança do Pheem acontece rápido demais e fica difícil acreditar no que ele sente porque a série não mostra esse processo. As cenas de ação têm boas ideias, mas a execução é descuidada, e muitos episódios repetem o mesmo tipo de conflito sem avançar a história. No fim, é uma obra com boas intenções, mas que não sabe qual caminho seguir.
No fim das contas, não é uma série horrível, mas também não entrega nada que realmente compense as horas investidas. Fica aquela sensação de “podia ter sido tão mais”, porque as ideias estavam lá, as atuações estavam lá, mas faltou direção, ritmo e coragem pra amarrar tudo direitinho. Terminei com a impressão de que acompanhei um rascunho ambicioso que nunca chegou à sua melhor versão. E é isso, vi, entendi, não odiei, mas definitivamente não volto. Fica a experiência… e a frustração.
Aí veio o arco com o Jason, que não acrescentou nada, nem pra criar tensão, nem pra fingir que a história sabia pra onde estava indo. O Jason, coitado, parecia ter sido colocado ali só porque alguém lembrou no roteiro que faltava mais um obstáculo qualquer. Ele entra na história cheio de pose de que vai virar um pivô importante, mas no fim não serve nem pra gerar tensão, nem pra balançar o trio principal, nem pra acrescentar uma gota de profundidade. Ele é aquele personagem que chega fazendo barulho, mas quando tu olha de novo já virou fumaça. Tanto faz ele estar ou não; a trama vai dar um jeito de eliminar ele mesmo. E o pior é que dava pra fazer algo interessante com ele, mas a série simplesmente não se compromete, deixa o homem flutuando ali, sem função, como se ele fosse só uma anotação esquecida no canto do roteiro. Mataram o homem e pronto, sumiu do universo.
O Than é aquele tipo de personagem que começa com potencial e termina me fazendo querer entrar na série pra dar uma sacudida nele. Ele passa tanto tempo no modo “sou um mártir incompreendido”, tudo dramático, tudo sofrido, tudo exagerado além da conta. Ele reage demais, pensa de menos e acelera decisões que deveriam ter peso, como se sentimento fosse interruptor. No fim, o Than não parece trágico, parece só perdido dentro da própria novela. Ele foi longe demais no modo “trouxa dramático” e nem o romance conseguiu justificar os surtos dele. O perdão chega correndo, o casamento passa em cinco minutos e eu fiquei ali, piscando pra tela, tipo: “Era isso mesmo? Acabou? De verdade?”. Uma maratona inteira pra esse finalzinho água de salsicha.
O plot twist final até tenta surpreender, mas já é tão usado e reusado que não gera nem cócega. E, sinceramente, todo episódio tinha briga, tentativa de assassinato, pai surtando, Chet apanhando… no quinto eu já tava exausta. É caos atrás de caos sem consequência real, como se nada que acontecesse tivesse peso ou gerasse consequências. Daou e Offroad seguraram o tranco lindamente, e o elenco no geral entregou, mas nem isso conseguiu salvar um roteiro que se perdeu de si mesmo. No fim não teve fanservice, não teve romance convincente e não teve um desfecho que pagasse a maratona.
Mas claro, teve seus brilhos. A série é pesada, cheia de cenas impactantes e visualmente intensas, mesmo quando a execução tropeça, ou o CGI caga a cena. Nos dois primeiros episódios eu jurei que ia ser aquele papo moralista de “bem contra mal”, mas quando percebi que ninguém presta e que todo mundo ali vive naquela área cinzenta saborosa, até animei. Os três irmãos se destruindo pelo trono do hospital é ótimo, ainda mais com aquele pai detestável que, de tão absurdo, dá a volta e vira praticamente um ícone da loucura.
E olha: as dinâmicas deles com seus seguranças/assistentes eram melhores que metade do romance principal. A lealdade, o carinho meio suspeito, o tanto de sentimento não dito… isso, sim, tinha química.
O Chet, pra mim, foi um dos personagens mais deliciosamente descontrolados da série. Ele foi afundando numa instabilidade tão grande que, em vez de perder o brilho, ficou ainda mais interessante. A obsessão dele pelo trono do hospital era quase hipnótica, daquele tipo que tu assiste meio horrorizada, meio encantada, porque dá pra ver a sanidade escorrendo pelos dedos dele em cada cena. A parte das drogas foi o auge do desespero dele, mas a verdadeira loucura veio mesmo quando ele começou a surtar pra se livrar dos irmãos. E o mais doido é que, no meio desse colapso inteiro, Chet e Phakphum tinham tudo pra ser um casal extremamente interessante, com aquela química tensa que já nasce do perigo. A série tinha ouro na mão e simplesmente deixou cair no chão.
A Risa, sinceramente, foi uma das poucas que me entregou exatamente o que eu queria… só que tarde demais. Ela começou toda sonsa, fazendo aquela pose de inocente que ninguém com um mínimo de intuição compra, e aos poucos foi soltando o cinismo com uma elegância quase irritante. Quando finalmente abraçou a vilania, eu quase bati palma. Era aquela energia que eu precisava dela lá no inicio, porque quando a Risa resolve mostrar as cartas, ela brilha de um jeito que faz todo mundo ao redor parecer amador. Não é nem pela maldade em si, é pelo prazer que ela sente em ser boa no que faz, pelo controle, pela calma, pelo olhar de quem já planejou o próximo passo faz tempo. Se tivessem deixado essa versão dela existir mais, a série teria ganho muito mais vida.
O Pheem me irritou porque ele tinha tudo pra funcionar, mas a série não deixa. Ele começa frio, desconfiado, carregando aquele peso que dá curiosidade de entender… só que quando finalmente chega a hora de mostrar quem ele é de verdade, tudo acontece rápido demais. Ele muda de postura sem construção, sem tempo, sem clima, como se tivesse decidido sentir coisas importantes de um episódio pro outro. E essa passagem brusca deixa ele parecendo inconsistente, não complexo. O Pheem não é ruim, só fica preso numa escrita que exige reações imediatas, sem dar espaço pra gente acompanhar o que se passa na cabeça dele. E aí, quando o romance engrena, já é tarde: a mudança dele não bate, não emociona, não cola. É como se faltasse metade do caminho a ser percorrido.
O problema é que o tom da série simplesmente não se organiza, e o romance acaba destoando de todo o resto. As cenas carinhosas não combinam com o clima pesado que domina a trama, e o vínculo de infância dos protagonistas não sustenta nada do que vem depois. A mudança do Pheem acontece rápido demais e fica difícil acreditar no que ele sente porque a série não mostra esse processo. As cenas de ação têm boas ideias, mas a execução é descuidada, e muitos episódios repetem o mesmo tipo de conflito sem avançar a história. No fim, é uma obra com boas intenções, mas que não sabe qual caminho seguir.
No fim das contas, não é uma série horrível, mas também não entrega nada que realmente compense as horas investidas. Fica aquela sensação de “podia ter sido tão mais”, porque as ideias estavam lá, as atuações estavam lá, mas faltou direção, ritmo e coragem pra amarrar tudo direitinho. Terminei com a impressão de que acompanhei um rascunho ambicioso que nunca chegou à sua melhor versão. E é isso, vi, entendi, não odiei, mas definitivamente não volto. Fica a experiência… e a frustração.
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