Details

  • Last Online: 8 days ago
  • Location: Em algum lugar perdido do Br
  • Contribution Points: 0 LV0
  • Roles:
  • Join Date: June 2, 2025

Cryssieee

Em algum lugar perdido do Br
Something in My Room thai drama review
Completed
Something in My Room
4 people found this review helpful
by Cryssieee
13 days ago
10 of 10 episodes seen
Completed
Overall 7.5
Story 7.0
Acting/Cast 8.0
Music 7.0
Rewatch Value 7.0
This review may contain spoilers

Um quarto, um fantasma e muita fofura

Something in My Room é uma série boa. Não é perfeita, não virou minha favorita da vida, mas é daquelas que, quando você termina, sente que valeu a pena ter insistido. Eu cheguei nela muito mais por curiosidade mesmo, principalmente por causa do Nut. Queria ver um trabalho dele fora da dinâmica dele com o Ping, e foi uma ótima decisão. Mas vou ser honesta: os primeiros episódios quase me perderam. Achei tudo meio chatinho, arrastado. Só continuei porque o Nut estava lindíssimo, fofíssimo, e porque eu realmente gostei do personagem dele desde o início. Ainda bem que eu insisti, porque conforme a história avança, você começa a perceber que tem muito mais coisa ali do que parece.

Aos poucos, a série vai ganhando camadas e te puxando para dentro daquela casa, daquele quarto, daquela sensação constante de coisa mal resolvida. Não é uma história sobre sustos, apesar de ter sobrenatural. Não é exatamente sobre romance também, apesar de ter romance. É mais sobre vínculos, memórias, culpa, luto e esse limbo estranho entre seguir em frente e ficar preso ao que já passou. É uma série que dá para assistir tranquila, sentar, comer uma pipoca e relaxar a cabeça, mas ao mesmo tempo ela te cutuca aqui e ali emocionalmente. Essa dinâmica de uma pessoa viva se envolvendo com um fantasma me lembrou bastante My Little Ghost, uma série vietnamita que eu vi recentemente e que é um amorzinho, inclusive fica a recomendação.

Eu confesso que fiquei o tempo todo esperando um clichê clássico, achando que no final o Phob ia estar em coma igual aquele filme antigo "E Se Fosse Verdade", mas não. A série vai mostrando que o buraco é bem mais embaixo. Conforme o Phob tenta recuperar suas memórias, ele também vai se entendendo como pessoa, como espírito, como alguém que ficou preso ali por razões muito mais complexas do que parecia no começo. Esse processo de autoconhecimento dele é uma das partes mais interessantes da história.

O Phat é o ponto de entrada para tudo isso. Ele é o garoto que se muda para a casa com a mãe e acaba sendo sugado para aquele universo estranho sem querer. O que eu gosto nele é que ele não é aquele protagonista exagerado ou histérico. Ele reage como alguém confuso, assustado, mas curioso. Existe uma sensibilidade muito grande no jeito dele se conectar com o Phob, e isso cresce de forma natural. Nada parece forçado, nem apressado.

O Phob é o coração da série. Um fantasma amnésico que não sabe quem é, por que está ali ou o que aconteceu com ele. A tristeza dele é silenciosa, quase contida, e isso machuca mais do que qualquer drama escancarado. Ver ele aos poucos recuperando as memórias, entendendo o próprio passado e ganhando consciência de si mesmo é doloroso e bonito ao mesmo tempo. E quando ele finalmente consegue tocar o Phat, depois de todo esse processo, aquilo faz sentido narrativo e emocional. Não é só um recurso sobrenatural jogado ali. É uma consequência da jornada dele.

A relação entre Phat e Phob me ganhou completamente, mesmo eu não apostando nada neles no começo. Não precisa de beijo o tempo todo, nem de cenas apelativas. A química está nos olhares, nos silêncios, nos abraços, no cuidado. Dá para sentir o carinho entre eles sem ninguém precisar dizer muita coisa. O primeiro beijo físico só acontece depois que o Phob se reconstrói como indivíduo, e isso deixa tudo ainda mais significativo. Antes disso, o beijo acontece em sonho, e mesmo assim já carrega peso emocional.

A Dream é aquela personagem essencial para tudo funcionar. Ela é a ponte entre os mundos, a médium, a pessoa que acredita e age. Gosto dela porque ela não é tratada como caricatura. Ela acredita no sobrenatural, mas também questiona, tenta entender, erra. O relacionamento dela com o Luck traz um conflito interessante, porque ele não acredita em fantasmas, mas acredita em extraterrestres, enquanto ela é o oposto. Esse choque de crenças leva ao término deles, mas o desenvolvimento desse arco é até bonito, principalmente porque eles conseguem se entender mais para o final, sem precisar anular quem são.

O Luck é aquele personagem racional até demais, mas não é arrogante. Ele só acredita no que consegue explicar, e isso gera atrito, mas também rende bons momentos. Não achei o arco dele perfeito, mas achei honesto. Ele aprende, cresce e aceita coisas que antes negava completamente.

A Nuem é… complicada. Para dizer o mínimo. Ela é a senhoria da casa e simplesmente maluca. Obsessiva, perturbada, stalker pesada mesmo. A obsessão dela pelo Kinn, pai do Phob, é desconfortável de assistir, principalmente pelo nível de invasão e pelas coisas que ela faz depois de ser rejeitada. Ela cruza muitas linhas, tanto no mundo humano quanto no espiritual, e isso me incomodou bastante. O problema maior é a redenção dela, que eu simplesmente não comprei. Não fez sentido. Depois de tudo o que ela fez, de todos os crimes e desequilíbrios que causou, a solução foi simples demais. Ela liberta o espírito guardião, vai embora e pronto. Sem consequências reais. Sendo que a própria série fala sobre karma e fluxo natural das coisas. Para ela, não teve karma nenhum.

Também fiquei encucada com algumas regras do sobrenatural que a série não explica direito. O fato de o Phat conseguir tirar fotos com o Phob depois que ele recupera as memórias, por exemplo. Ele aparece nas selfies, aparece na câmera, mas isso nunca é realmente explorado. Fica a dúvida se só o Phat consegue ver, ou se qualquer pessoa veria. Se qualquer um pudesse ver, daria para gravar um vídeo para o pai dele, por exemplo. Mas isso não acontece. A série simplesmente segue adiante e deixa esse questionamento no ar.

O final, no geral, é ótimo. O fechamento principal é exatamente o que precisava ser, sem exagerar, sem estragar tudo. Mas aí vem aquela cena extra final, com um espírito andarilho entrando na casa e uma pessoa de preto passando, e… nada. Sem explicação, sem contexto. Eu tenho muita raiva desse tipo de final aberto jogado só para parecer misterioso. Para mim, essa última cena não acrescenta nada e só gera frustração.

No saldo final, Something in My Room é uma série que vale a pena, sim. Passe pelos dois primeiros episódios, confia. Você vai ser recompensada. O casal conquista, a história cresce, e mesmo com falhas, ela entrega emoção e uma experiência gostosa de assistir. Não entrou no meu top favoritos, mas indico sem medo. A fofura de Phat e Phob ganha o coração, queira você ou não.
Was this review helpful to you?