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Romance sim, comédia romântica não
No geral, eu gostei. Diria que foi bom e necessário, mas não entrou no meu top 10 desse ano. E o motivo não foi exatamente a obra em si, mas a classificação e a divulgação.O k-drama foi classificado como comédia romântica e, por isso, eu esperava leveza, paixão no estilo “primeiro amor”, algo mais bobinho mesmo em personagens adultos — o que costuma ser comum nessas obras. Segui nessa expectativa também pelas chamadas tendenciosas da divulgação, que reforçavam essa ideia.
O que percebi, no entanto, foi um k-drama do gênero Romance, sem subgênero. É importante lembrar que romance não se limita apenas a histórias de amor 😉, mas também à forma como os personagens e o enredo são desenvolvidos. Por isso, EU o classifico dessa maneira.
A personagem de Go Youn-jung, no início, pareceu ser apenas mais uma personagem bobinha e, em alguns momentos, chegou a me irritar a falta de firmeza em suas decisões e de amor-próprio. Mas isso só durou até a segunda parte do k-drama, quando a narrativa começou a ficar mais clara e meu ponto de vista mudou.
Ela não tinha “dupla personalidade” — tanto que o psiquiatra não a diagnosticou dessa forma. O que ela apresentava era dissociação, um mecanismo de autodefesa para fugir de um trauma, sem chegar a se tornar TDI. Ainda criança, ela passou por uma situação traumática grave, e essa foi a forma que encontrou para se desligar da dor e das memórias. Isso, porém, só ficou realmente claro para mim próximo do final.
Ela vivia em constante contradição e não conseguia deixar claro o que sentia. Tinha medo de ser abandonada e de não ser amada, carregava dores profundas e traumas da sua criança interior, e só conseguiu se curar através do amor. Um amor paciente, que observa de longe e protege dos perigos.
O personagem de Kim Seon-ho também tinha suas próprias questões familiares e um amor mal resolvido do passado. Não acredito que ele tenha se apaixonado à primeira vista, mas houve, sim, um encantamento, curiosidade e preocupação em relação à protagonista. Ficar ao lado dela quando ela se dissociava da realidade era a forma que ele encontrou para protegê-la. Ninguém faz isso por alguém com quem não se importa.
“Ra Mi” era o nome da personagem dela no filme. Após acordar do acidente, ela criou essa fuga da realidade com o mesmo nome e, posteriormente, deixou que essa persona assumisse o controle enquanto “ela dormia”. No fundo, ela sabia de cada ação, tanto que se lembrou de tudo depois. Ela apenas usava “Ra Mi” como um escudo para não se machucar, para não sentir — abandono e solidão outra vez.
Ele entendeu isso antes dela, antes de todos nós. Ele ficou, cuidou e protegeu quando ela não respondia por si mesma. Ele esteve lá o tempo todo. Trouxe a cura através da compreensão, do cuidado e do acolhimento. E fiquei muito feliz com o fato de o final dela ter sido feliz.
A personagem sofreu dores e abandonos irreparáveis na infância, mas, no fim, conseguiu enfrentar tudo o que lhe causava dor e viver, de fato, livre das fugas da realidade.
Esse k-drama exige paciência e reflexão — e nós não estávamos preparados para isso.
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