This review may contain spoilers
Cadê o romance que me prometeram?
Que medo de ser apedrejada...
Mas vou tentar destrinchar o que eu achei
A Tale of a Thousand Stars foi um BL que eu não desgostei, mas que me deixou bastante frustrada.
Ele tem uma proposta bonita, temas interessantes e momentos realmente sensíveis, só que, pra mim, a execução não acompanha tudo o que a história poderia ter sido.
Falando primeiro sobre o que não me agradou
Um dos maiores problemas foi o ritmo da relação dos personagens. Em vez de um slowburn envolvente, o desenvolvimento muitas vezes transmite a sensação de estagnação.
O romance entre Tian e Phupha foi construído de forma muito contida, quase fria em alguns momentos, parecia o tempo todo que algo estava faltando. A química até existe com os desentendimentos deles no início e com o entendimento que passam a ter no decorrer. Mas ainda assim, acho que foi explorado de maneira econômica demais, o que dificultou o meu envolvimento com o casal.
Um ponto que me incomodou bastante foi o próprio Phupha. Pra começar, até o nome dele me causou um certo estranhamento, nada contra, mas me remetia o tempo todo a um anime diabólico (não procurem, sério).
Mas o incômodo maior veio com o desenvolvimento do personagem ao longo da trama. Ele foi alguém que foi me perdendo conforme os episódios avançavam. Pela sinopse, eu imaginava que a resistência dele em admitir sentimentos pelo Tian estaria ligada à confusão emocional em relação à Torfun, mas isso se desfaz quando ele deixa claro que sempre a enxergou como uma irmã. Ou seja, essa dúvida nunca existiu de verdade. E aí fica difícil entender por que ele relutou tanto em admitir o que sentia. A demora deixa de ser conflito e vira enrolação. A declaração acontecer praticamente nos últimos minutos do segundo tempo foi demais até pra mim.
Eu até achava ele fofo no início, pois parecia ser alguém tímido que tinha dificuldades para se expressar, mas esse pensamento foi caindo por terra em cada oportunidade que ele perdia, e foram MUITAS.
Sinceramente, acho que a história teria funcionado muito melhor se eles tivessem se declarado depois do momento em que o Phupha leva um tiro protegendo o Tian, e só então viesse a separação temporária após a revelação sobre a Torfun, para que cada um resolvesse esse conflito com mais maturidade.
Não sei como me sentir sobre o pai do Tian ter deixado o Phupha encarregado da proteção do filho. Acho que guardaram esse plot muito pro final. Foi só mais uma questão que só trouxe mais mal entendidos e distanciamento entre os personagens.
A Torfun é um ponto que, pra mim, nunca funcionou emocionalmente do jeito que deveria. Eu sei que ela é mostrada, sei que o acidente que tirou a vida dela é triste e que a série faz questão de reforçar o quanto ela era uma pessoa boa e querida por todos. Ainda assim, não sei explicar direito, mas eu precisava de mais dela. Mais tempo, mais cenas, mais personalidade. Mesmo com alguns flashbacks, eu nunca consegui criar um laço real com a Torfun, e isso fez com que toda a trama que gira em torno dela soasse um pouco vazia pra mim. É como se ela existisse mais como um conceito, a pessoa perfeita, o símbolo do bem, do que como alguém que eu realmente conheci enquanto assistia.
Os problemas da comunidade como desigualdade, falta de recursos, educação precária e abandono do interior foram apresentados de forma um pouco superficial e, muitas vezes, romantizada. A série parece querer mostrar "consciência social”, mas sem se comprometer de verdade com a complexidade e o peso dessas situações.
Ainda assim, a série tem méritos importantes. O arco do transplante de coração de Tian é uma das ideias mais interessantes da trama. O questionamento moral sobre a origem do coração, especialmente a dúvida sobre ele ter ou não atropelado a Torfun, cria uma tensão ética real e pouco comum em BLs. Caso tivesse sido confirmado que Tian foi o responsável, o conflito seria extremamente pesado, complexo e até difícil de defender emocionalmente, o que mostra o quanto essa linha narrativa tinha potencial. O alívio ao descobrir que não foi ele é quase inevitável, e prova que, nesse ponto, a série conseguiu gerar impacto emocional genuíno.
Outro aspecto bastante positivo é tudo o que envolve as crianças da vila. Elas são carismáticas, funcionam bem narrativamente e ajudam a dar vida ao espaço onde a história se passa. A relação de Tian com os alunos é um dos momentos mais sinceros da série, trazendo leveza e afeto de forma natural.
Nesse sentido, a decisão de Tian de querer cursar Pedagogia é particularmente tocante. Trata-se de uma escolha que foge de idealizações fáceis: é um trabalho cansativo, pouco valorizado socialmente, mas profundamente necessário e capaz de ser repleto de amor e significado. Esse desejo revela um lado mais humano e coerente do personagem, e é um dos poucos momentos em que a série realmente conecta discurso social, desenvolvimento pessoal e emoção.
No fim, achei que foi um BL que deu uma sensação constante de quase. Quase emocionante, quase profundo, quase envolvente. Ele tem ideias boas, temas sensíveis e momentos que realmente tocam, mas se perde um pouco na execução, principalmente no romance e nesse slowburn que as vezes nem parecia que estava sequer queimando.
O Phupha, que deveria ser um pilar da história, acaba enfraquecido por escolhas narrativas confusas.
Não é uma série que eu odiei, longe disso, mas é impossível ignorar o quanto ela poderia ter sido melhor se tivesse coragem de avançar no relacionamento dos personagens, aprofundar conflitos e confiar menos só na própria atmosfera do interior. Acho que me deixou mais frustrada do que qualquer coisa.
Gostei, apesar dos apesares...
Mas vou tentar destrinchar o que eu achei
A Tale of a Thousand Stars foi um BL que eu não desgostei, mas que me deixou bastante frustrada.
Ele tem uma proposta bonita, temas interessantes e momentos realmente sensíveis, só que, pra mim, a execução não acompanha tudo o que a história poderia ter sido.
Falando primeiro sobre o que não me agradou
Um dos maiores problemas foi o ritmo da relação dos personagens. Em vez de um slowburn envolvente, o desenvolvimento muitas vezes transmite a sensação de estagnação.
O romance entre Tian e Phupha foi construído de forma muito contida, quase fria em alguns momentos, parecia o tempo todo que algo estava faltando. A química até existe com os desentendimentos deles no início e com o entendimento que passam a ter no decorrer. Mas ainda assim, acho que foi explorado de maneira econômica demais, o que dificultou o meu envolvimento com o casal.
Um ponto que me incomodou bastante foi o próprio Phupha. Pra começar, até o nome dele me causou um certo estranhamento, nada contra, mas me remetia o tempo todo a um anime diabólico (não procurem, sério).
Mas o incômodo maior veio com o desenvolvimento do personagem ao longo da trama. Ele foi alguém que foi me perdendo conforme os episódios avançavam. Pela sinopse, eu imaginava que a resistência dele em admitir sentimentos pelo Tian estaria ligada à confusão emocional em relação à Torfun, mas isso se desfaz quando ele deixa claro que sempre a enxergou como uma irmã. Ou seja, essa dúvida nunca existiu de verdade. E aí fica difícil entender por que ele relutou tanto em admitir o que sentia. A demora deixa de ser conflito e vira enrolação. A declaração acontecer praticamente nos últimos minutos do segundo tempo foi demais até pra mim.
Eu até achava ele fofo no início, pois parecia ser alguém tímido que tinha dificuldades para se expressar, mas esse pensamento foi caindo por terra em cada oportunidade que ele perdia, e foram MUITAS.
Sinceramente, acho que a história teria funcionado muito melhor se eles tivessem se declarado depois do momento em que o Phupha leva um tiro protegendo o Tian, e só então viesse a separação temporária após a revelação sobre a Torfun, para que cada um resolvesse esse conflito com mais maturidade.
Não sei como me sentir sobre o pai do Tian ter deixado o Phupha encarregado da proteção do filho. Acho que guardaram esse plot muito pro final. Foi só mais uma questão que só trouxe mais mal entendidos e distanciamento entre os personagens.
A Torfun é um ponto que, pra mim, nunca funcionou emocionalmente do jeito que deveria. Eu sei que ela é mostrada, sei que o acidente que tirou a vida dela é triste e que a série faz questão de reforçar o quanto ela era uma pessoa boa e querida por todos. Ainda assim, não sei explicar direito, mas eu precisava de mais dela. Mais tempo, mais cenas, mais personalidade. Mesmo com alguns flashbacks, eu nunca consegui criar um laço real com a Torfun, e isso fez com que toda a trama que gira em torno dela soasse um pouco vazia pra mim. É como se ela existisse mais como um conceito, a pessoa perfeita, o símbolo do bem, do que como alguém que eu realmente conheci enquanto assistia.
Os problemas da comunidade como desigualdade, falta de recursos, educação precária e abandono do interior foram apresentados de forma um pouco superficial e, muitas vezes, romantizada. A série parece querer mostrar "consciência social”, mas sem se comprometer de verdade com a complexidade e o peso dessas situações.
Ainda assim, a série tem méritos importantes. O arco do transplante de coração de Tian é uma das ideias mais interessantes da trama. O questionamento moral sobre a origem do coração, especialmente a dúvida sobre ele ter ou não atropelado a Torfun, cria uma tensão ética real e pouco comum em BLs. Caso tivesse sido confirmado que Tian foi o responsável, o conflito seria extremamente pesado, complexo e até difícil de defender emocionalmente, o que mostra o quanto essa linha narrativa tinha potencial. O alívio ao descobrir que não foi ele é quase inevitável, e prova que, nesse ponto, a série conseguiu gerar impacto emocional genuíno.
Outro aspecto bastante positivo é tudo o que envolve as crianças da vila. Elas são carismáticas, funcionam bem narrativamente e ajudam a dar vida ao espaço onde a história se passa. A relação de Tian com os alunos é um dos momentos mais sinceros da série, trazendo leveza e afeto de forma natural.
Nesse sentido, a decisão de Tian de querer cursar Pedagogia é particularmente tocante. Trata-se de uma escolha que foge de idealizações fáceis: é um trabalho cansativo, pouco valorizado socialmente, mas profundamente necessário e capaz de ser repleto de amor e significado. Esse desejo revela um lado mais humano e coerente do personagem, e é um dos poucos momentos em que a série realmente conecta discurso social, desenvolvimento pessoal e emoção.
No fim, achei que foi um BL que deu uma sensação constante de quase. Quase emocionante, quase profundo, quase envolvente. Ele tem ideias boas, temas sensíveis e momentos que realmente tocam, mas se perde um pouco na execução, principalmente no romance e nesse slowburn que as vezes nem parecia que estava sequer queimando.
O Phupha, que deveria ser um pilar da história, acaba enfraquecido por escolhas narrativas confusas.
Não é uma série que eu odiei, longe disso, mas é impossível ignorar o quanto ela poderia ter sido melhor se tivesse coragem de avançar no relacionamento dos personagens, aprofundar conflitos e confiar menos só na própria atmosfera do interior. Acho que me deixou mais frustrada do que qualquer coisa.
Gostei, apesar dos apesares...
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