Subestimado
Agora que finalmente terminei o drama, vou dar uma opinião bem sincera: eu gostei muito.
Ele parte de uma premissa simples e objetiva, e o maior mérito da obra é justamente se manter fiel a ela do primeiro ao último episódio.
Tudo gira em torno da vida e da ideia de gerar: um médico obstetra, uma astronauta responsável por experimentos de reprodução de roedores no espaço, a fecundação secreta na estação espacial para que o sogro do protagonista continuasse sua linhagem, enfim, a trama nunca foge do que se propôs a discutir. Gerar é a base de tudo, e isso dá uma coesão muito bonita à narrativa.
Dentro disso, nada mais natural do que desenvolver um relacionamento entre o médico e a astronauta, o que acrescenta justamente a possibilidade de gerar vida no espaço também no plano humano. Eu gostei bastante de como essa relação foi construída. Ele é um personagem que nunca havia se apaixonado, e dividir um espaço tão íntimo e extremo com uma mulher tão dedicada, tão focada em criar e preservar a vida, acaba encantando ele. Ela, por sua vez, vive um tabu profissional ao se envolver com um turista espacial enquanto comandante, e as situações constantes de risco e quase-morte são fundamentais para despertar esse vínculo entre eles. Tudo isso fez sentido dentro do contexto.
O drama é muito gostoso de assistir. Tem um ritmo fácil, é acessível, não se perde em termos científicos nem tenta parecer mais inteligente do que é. Apesar de ser sci-fi, ele não foca em estudos técnicos, mas nas relações humanas. Acompanhar a rotina dos astronautas enquanto pessoas, convivendo, trabalhando, trocando experiências naquele ambiente tão específico, foi algo realmente prazeroso.
A mensagem do drama é bastante clara, até óbvia demais em alguns momentos, e eu nem concordo com ela. Mas, olhando como ficção, isso não me incomodou. Toda obra quer dizer alguma coisa, seja política, social ou emocional, e aqui o diretor escolheu passar a mensagem dele de forma direta. Eu gosto de assistir às coisas de forma crítica, e isso não me impede de aproveitar, pelo contrário, enriquece a experiência. Dá para perceber as intenções por trás de algumas falas e acontecimentos, especialmente quando lembramos da crise demográfica que a Coreia enfrenta hoje. Ainda assim, isso não estragou minha experiência, deu para discordar e, ao mesmo tempo, aproveitar personagens, diálogos e situações.
Um bom exemplo disso é a cena em que ela joga as mórulas fora e ele a chama de assassina. Eu discordo completamente da visão dele, mas o personagem foi construído exatamente para pensar assim. Ele é coerente consigo mesmo e com seu papel na história, e isso torna a cena válida dentro da lógica da narrativa.
Outro ponto forte é como o drama foi soltando pistas sutis desde o início sobre como tudo terminaria. O final não parece jogado, aleatório ou inventado às pressas, a história caminha para ele desde o começo, construindo aquele desfecho aos poucos.
Sinceramente, eu não entendo por que esse drama foi tão criticado. A trilha sonora é ótima, a fotografia é linda, os efeitos especiais são muito bem feitos e deixam tudo visualmente prazeroso. As cenas de tensão no espaço me deixaram com o coração na boca, e as cenas mais leves me fizeram rir à toa.
Ele não é complexo, não é profundo, mas também nunca prometeu ser. Isso não significa que seja vazio. Pelo contrário, achei interessante como o drama insere de forma natural aspectos reais das missões espaciais, a rotina, os exercícios diários por causa da perda de massa muscular, os enjoos, as sequelas físicas, inclusive ligadas à gravidez, sem transformar isso em algo técnico demais ou didático demais. São fatos reais inseridos com leveza, que enriquecem a trama sem sobrecarregar.
A química do casal é muito boa, e embora eu ache que o sentimento deles avançou rápido demais, relevei isso pelo contexto. Quando você confina pessoas em situações extremas, os sentimentos realmente se intensificam, basta ver como isso acontece até em realities como Big Brother.
Mesmo na simplicidade, os personagens conseguiram me emocionar, me fazer rir e até chorar (muito, em especial no último episódio).
Agora, se alguém me disser que se frustrou porque criou expectativas muito altas por causa da roteirista, eu entendo. Pelo peso do nome dela, esse realmente é um trabalho mais simples e modesto, poderia ter mais nuances, mais subentendidos, relações mais complexas. Mas claramente houve uma escolha do diretor por uma mensagem clara e uma narrativa linear. E, dentro dessa proposta, ele foi muito bem-sucedido.
No fim, é isso, um drama muito bom, coeso, linear, fiel à própria proposta e tecnicamente muito bem feito, que entrega exatamente o que promete, sem fingir ser algo que não é.
Ele parte de uma premissa simples e objetiva, e o maior mérito da obra é justamente se manter fiel a ela do primeiro ao último episódio.
Tudo gira em torno da vida e da ideia de gerar: um médico obstetra, uma astronauta responsável por experimentos de reprodução de roedores no espaço, a fecundação secreta na estação espacial para que o sogro do protagonista continuasse sua linhagem, enfim, a trama nunca foge do que se propôs a discutir. Gerar é a base de tudo, e isso dá uma coesão muito bonita à narrativa.
Dentro disso, nada mais natural do que desenvolver um relacionamento entre o médico e a astronauta, o que acrescenta justamente a possibilidade de gerar vida no espaço também no plano humano. Eu gostei bastante de como essa relação foi construída. Ele é um personagem que nunca havia se apaixonado, e dividir um espaço tão íntimo e extremo com uma mulher tão dedicada, tão focada em criar e preservar a vida, acaba encantando ele. Ela, por sua vez, vive um tabu profissional ao se envolver com um turista espacial enquanto comandante, e as situações constantes de risco e quase-morte são fundamentais para despertar esse vínculo entre eles. Tudo isso fez sentido dentro do contexto.
O drama é muito gostoso de assistir. Tem um ritmo fácil, é acessível, não se perde em termos científicos nem tenta parecer mais inteligente do que é. Apesar de ser sci-fi, ele não foca em estudos técnicos, mas nas relações humanas. Acompanhar a rotina dos astronautas enquanto pessoas, convivendo, trabalhando, trocando experiências naquele ambiente tão específico, foi algo realmente prazeroso.
A mensagem do drama é bastante clara, até óbvia demais em alguns momentos, e eu nem concordo com ela. Mas, olhando como ficção, isso não me incomodou. Toda obra quer dizer alguma coisa, seja política, social ou emocional, e aqui o diretor escolheu passar a mensagem dele de forma direta. Eu gosto de assistir às coisas de forma crítica, e isso não me impede de aproveitar, pelo contrário, enriquece a experiência. Dá para perceber as intenções por trás de algumas falas e acontecimentos, especialmente quando lembramos da crise demográfica que a Coreia enfrenta hoje. Ainda assim, isso não estragou minha experiência, deu para discordar e, ao mesmo tempo, aproveitar personagens, diálogos e situações.
Um bom exemplo disso é a cena em que ela joga as mórulas fora e ele a chama de assassina. Eu discordo completamente da visão dele, mas o personagem foi construído exatamente para pensar assim. Ele é coerente consigo mesmo e com seu papel na história, e isso torna a cena válida dentro da lógica da narrativa.
Outro ponto forte é como o drama foi soltando pistas sutis desde o início sobre como tudo terminaria. O final não parece jogado, aleatório ou inventado às pressas, a história caminha para ele desde o começo, construindo aquele desfecho aos poucos.
Sinceramente, eu não entendo por que esse drama foi tão criticado. A trilha sonora é ótima, a fotografia é linda, os efeitos especiais são muito bem feitos e deixam tudo visualmente prazeroso. As cenas de tensão no espaço me deixaram com o coração na boca, e as cenas mais leves me fizeram rir à toa.
Ele não é complexo, não é profundo, mas também nunca prometeu ser. Isso não significa que seja vazio. Pelo contrário, achei interessante como o drama insere de forma natural aspectos reais das missões espaciais, a rotina, os exercícios diários por causa da perda de massa muscular, os enjoos, as sequelas físicas, inclusive ligadas à gravidez, sem transformar isso em algo técnico demais ou didático demais. São fatos reais inseridos com leveza, que enriquecem a trama sem sobrecarregar.
A química do casal é muito boa, e embora eu ache que o sentimento deles avançou rápido demais, relevei isso pelo contexto. Quando você confina pessoas em situações extremas, os sentimentos realmente se intensificam, basta ver como isso acontece até em realities como Big Brother.
Mesmo na simplicidade, os personagens conseguiram me emocionar, me fazer rir e até chorar (muito, em especial no último episódio).
Agora, se alguém me disser que se frustrou porque criou expectativas muito altas por causa da roteirista, eu entendo. Pelo peso do nome dela, esse realmente é um trabalho mais simples e modesto, poderia ter mais nuances, mais subentendidos, relações mais complexas. Mas claramente houve uma escolha do diretor por uma mensagem clara e uma narrativa linear. E, dentro dessa proposta, ele foi muito bem-sucedido.
No fim, é isso, um drama muito bom, coeso, linear, fiel à própria proposta e tecnicamente muito bem feito, que entrega exatamente o que promete, sem fingir ser algo que não é.
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