This review may contain spoilers
Marcante
Ok, eu definitivamente não estava preparada para ser tão impactada por esse drama. E aqui estou com um nó na garganta, encarando o nada, tentando digerir tudo o que acabei de assistir.
Foi sem dúvida uma experiência marcante, intensa, ousada e cheia de personalidade. Um drama sobre como a covardia de dois homens foi capaz de destruir uma mulher até o fim.
Tudo é extremo. O protagonista masculino é pura explosão, tóxico, excessivo, avassalador. A intensidade dele consome tudo ao redor. Em muitas cenas eu me peguei tapando a boca em completo choque. Ainda assim, havia algo hipnótico nele, algo que me impedia de desviar o olhar. Ele é fascinante justamente por não conhecer limites.
Ele encontra uma mulher diferente de todas as outras, alguém sem orgulho, disposta a abrir mão do próprio corpo por dinheiro, que não finge sentimentos e não se ilude com promessas vazias.
Ela também é forte, direta, e isso os coloca em constante conflito. Para um homem rico, mimado, acostumado a ter tudo o que quer, ela se torna um desafio. Ele é contrariado, provocado e, de forma doentia e incontrolável, se apaixona. Uma paixão que machuca ambos.
Essa intensidade a atrai mais do que o dinheiro. Ela sempre viveu na escassez, órfã, passou frio, fome, precisou ser forte desde cedo. Por isso, consegue abrir mão do orgulho para ser a boneca de luxo dele. Ele ama mimá-la, ama tê-la ao seu lado. Mas ele é covarde. Não é capaz de abrir mão das regalias, do status e da família para assumir esse amor. Então permanece com ela mesmo comprometido, “te dou tudo, menos uma aliança”.
E então entra o terceiro vértice desse triângulo amoroso e, sinceramente, ele me irritou profundamente. O second lead é outro covarde, travestido de bom moço. É insuportável vê-lo se colocar como vítima, como se o mundo fosse injusto com ele. A protagonista o amava, queria ficar com ele. Ele também dizia querer, mas nunca fazia nada. Não tentava, não tomava atitude, apenas sofria e chorava pela própria inércia.
A diferença é gritante, o protagonista tinha muito a perder, por isso sua covardia é compreensível, ainda que condenável. Já o secundário não tinha absolutamente nada a perder, e mesmo assim passou o drama inteiro fazendo ela sofrer por uma covardia sem justificativa.
Outro ponto que me incomodou foi a forma como o drama constrói os sentimentos. Fica claro que o protagonista se apaixona por ela, no início por obsessão, ego ferido, orgulho (especialmente considerando o passado dele com a esposa e o second lead), mas, aos poucos, o sentimento ganha algo genuíno. Tóxico e abusivo sim, mas real.
Já o secundário parecia enxergá-la mais como um espelho do que como uma mulher. Ele foi o brinquedo de uma mulher rica, sofreu por alguém que nunca poderia ter por inteiro, e via nela o reflexo da própria dor. Isso gera pena, e pena não é amor. Além disso, a forma como ele tratava a própria mãe me adoecia.
Ainda assim, o drama insistia em pintá-lo como o good guy, algo que simplesmente não consegui comprar. Do protagonista eu sempre esperei o pior, e o próprio roteiro o tratava como tal. Já o secundário, arrogante e prepotente, era exaltado como se fosse um exemplo de virtude. Isso me irritou profundamente.
E aqui entra para mim o maior problema do drama: durante quase todos os episódios, senti que a protagonista gostava do protagonista. Talvez pela intensidade, pela excentricidade, pela forma quase sufocante com que ele parecia não conseguir existir sem ela. Mas gostar não é amar, e eu nunca senti que ela o amasse de verdade.
No final, o roteiro tenta justificar isso dizendo que ela não queria entregar o coração a ele porque aquele era o último resquício de orgulho que lhe restava. Mas isso não foi o que os episódios mostraram. O que vimos foi ela amando o secundário, e tudo bem, ele a tratava bem como pessoa apesar da covardia constante. O problema é que o drama não trabalhou o conflito interno dela. Não mostrou essa luta entre razão, segurança e desejo.
Faltou equilíbrio. Faltou desenvolvimento. Quando nos minutos finais o roteiro afirma que ela sempre amou o protagonista e por isso rejeita o secundário, eu não consegui comprar. Quando esse amor nasceu? Onde ele foi construído? Me senti confusa, como se tivesse perdido cenas importantes ou até episódios inteiros. A sensação foi de frustração, de algo roubado.
Mesmo assim no geral saí muito satisfeita. Queria ter me irritado menos com esse triângulo, porque o secundário é intragável mesmo não sendo tóxico como o protagonista. Queria acima de tudo que o drama tivesse investido mais no que a protagonista sentia pelo protagonista. Isso teria elevado a obra a outro nível.
Apesar dessa frustração, foi uma baita experiência. Estou genuinamente impactada. Os personagens são bem construídos, têm peso real na trama, não há desperdício com coadjuvantes irrelevantes. É um drama difícil de assistir, com cenas fortes, um “mocinho” que passa longe de ser bonzinho, surtos que causam medo real. O carisma do ator só tornou esse personagem ainda mais interessante.
Se esse ponto central tivesse sido melhor trabalhado, a nota seria muito mais alta. Ainda assim, é um drama que marca e que não sai fácil da cabeça.
Foi sem dúvida uma experiência marcante, intensa, ousada e cheia de personalidade. Um drama sobre como a covardia de dois homens foi capaz de destruir uma mulher até o fim.
Tudo é extremo. O protagonista masculino é pura explosão, tóxico, excessivo, avassalador. A intensidade dele consome tudo ao redor. Em muitas cenas eu me peguei tapando a boca em completo choque. Ainda assim, havia algo hipnótico nele, algo que me impedia de desviar o olhar. Ele é fascinante justamente por não conhecer limites.
Ele encontra uma mulher diferente de todas as outras, alguém sem orgulho, disposta a abrir mão do próprio corpo por dinheiro, que não finge sentimentos e não se ilude com promessas vazias.
Ela também é forte, direta, e isso os coloca em constante conflito. Para um homem rico, mimado, acostumado a ter tudo o que quer, ela se torna um desafio. Ele é contrariado, provocado e, de forma doentia e incontrolável, se apaixona. Uma paixão que machuca ambos.
Essa intensidade a atrai mais do que o dinheiro. Ela sempre viveu na escassez, órfã, passou frio, fome, precisou ser forte desde cedo. Por isso, consegue abrir mão do orgulho para ser a boneca de luxo dele. Ele ama mimá-la, ama tê-la ao seu lado. Mas ele é covarde. Não é capaz de abrir mão das regalias, do status e da família para assumir esse amor. Então permanece com ela mesmo comprometido, “te dou tudo, menos uma aliança”.
E então entra o terceiro vértice desse triângulo amoroso e, sinceramente, ele me irritou profundamente. O second lead é outro covarde, travestido de bom moço. É insuportável vê-lo se colocar como vítima, como se o mundo fosse injusto com ele. A protagonista o amava, queria ficar com ele. Ele também dizia querer, mas nunca fazia nada. Não tentava, não tomava atitude, apenas sofria e chorava pela própria inércia.
A diferença é gritante, o protagonista tinha muito a perder, por isso sua covardia é compreensível, ainda que condenável. Já o secundário não tinha absolutamente nada a perder, e mesmo assim passou o drama inteiro fazendo ela sofrer por uma covardia sem justificativa.
Outro ponto que me incomodou foi a forma como o drama constrói os sentimentos. Fica claro que o protagonista se apaixona por ela, no início por obsessão, ego ferido, orgulho (especialmente considerando o passado dele com a esposa e o second lead), mas, aos poucos, o sentimento ganha algo genuíno. Tóxico e abusivo sim, mas real.
Já o secundário parecia enxergá-la mais como um espelho do que como uma mulher. Ele foi o brinquedo de uma mulher rica, sofreu por alguém que nunca poderia ter por inteiro, e via nela o reflexo da própria dor. Isso gera pena, e pena não é amor. Além disso, a forma como ele tratava a própria mãe me adoecia.
Ainda assim, o drama insistia em pintá-lo como o good guy, algo que simplesmente não consegui comprar. Do protagonista eu sempre esperei o pior, e o próprio roteiro o tratava como tal. Já o secundário, arrogante e prepotente, era exaltado como se fosse um exemplo de virtude. Isso me irritou profundamente.
E aqui entra para mim o maior problema do drama: durante quase todos os episódios, senti que a protagonista gostava do protagonista. Talvez pela intensidade, pela excentricidade, pela forma quase sufocante com que ele parecia não conseguir existir sem ela. Mas gostar não é amar, e eu nunca senti que ela o amasse de verdade.
No final, o roteiro tenta justificar isso dizendo que ela não queria entregar o coração a ele porque aquele era o último resquício de orgulho que lhe restava. Mas isso não foi o que os episódios mostraram. O que vimos foi ela amando o secundário, e tudo bem, ele a tratava bem como pessoa apesar da covardia constante. O problema é que o drama não trabalhou o conflito interno dela. Não mostrou essa luta entre razão, segurança e desejo.
Faltou equilíbrio. Faltou desenvolvimento. Quando nos minutos finais o roteiro afirma que ela sempre amou o protagonista e por isso rejeita o secundário, eu não consegui comprar. Quando esse amor nasceu? Onde ele foi construído? Me senti confusa, como se tivesse perdido cenas importantes ou até episódios inteiros. A sensação foi de frustração, de algo roubado.
Mesmo assim no geral saí muito satisfeita. Queria ter me irritado menos com esse triângulo, porque o secundário é intragável mesmo não sendo tóxico como o protagonista. Queria acima de tudo que o drama tivesse investido mais no que a protagonista sentia pelo protagonista. Isso teria elevado a obra a outro nível.
Apesar dessa frustração, foi uma baita experiência. Estou genuinamente impactada. Os personagens são bem construídos, têm peso real na trama, não há desperdício com coadjuvantes irrelevantes. É um drama difícil de assistir, com cenas fortes, um “mocinho” que passa longe de ser bonzinho, surtos que causam medo real. O carisma do ator só tornou esse personagem ainda mais interessante.
Se esse ponto central tivesse sido melhor trabalhado, a nota seria muito mais alta. Ainda assim, é um drama que marca e que não sai fácil da cabeça.
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