Justiça sem inocência, mas com impacto
Em The Judge Returns, chama atenção como Ji Sung parece escolher projetos que raramente falham em impacto e recepção. Mais uma vez vestindo a toga de juiz, ele conduz um drama que combina construção narrativa sólida e tensão constante, ainda que se apoie, sem pudor, em ilegalidades estratégicas para enfrentar um sistema igualmente corrompido. O jogo entre justiça e pragmatismo moral é o motor da trama, especialmente nos conchavos e articulações entre magistratura, promotoria e imprensa, onde a linha entre herói e anti-herói se torna deliberadamente turva. E é justamente aí que a série ganha força, ao sugerir que, para derrubar o mal entranhado, talvez seja necessário operar fora das regras que o sustentam.
O contraponto perfeito surge na atuação de Park Hee-soon, que constrói um vilão à altura do protagonista, sem jamais parecer inferior ao conflito central. A dinâmica entre os dois encontra seu ápice na cena final do tribunal, um duelo verbal que merece ser estudado como exercício de dramaturgia. Ali, texto e atuação se encontram num nível raro de precisão, elevando o confronto a algo maior do que simples embate jurídico, transformando-o numa disputa moral que reverbera para além da tela.
O encerramento, por sua vez, funciona em duas frentes. Pode ser lido como abertura para uma nova temporada ou como comentário pessimista e realista sobre o ciclo eterno de corrupção e poder, sempre restaurado por novos atores e interesses. Ao mesmo tempo, a cena final deixa claro que nem mesmo a ajuda dos aliados é totalmente altruísta, revelando interesses políticos ocultos por trás do apoio institucional. Ainda assim, permanece a ideia reconfortante de que sempre haverá alguém disposto a enfrentar o sistema novamente. O saldo é amplamente positivo, e a expectativa por uma continuação surge menos por gancho narrativo e mais pelo prazer genuíno de acompanhar esse universo.
O contraponto perfeito surge na atuação de Park Hee-soon, que constrói um vilão à altura do protagonista, sem jamais parecer inferior ao conflito central. A dinâmica entre os dois encontra seu ápice na cena final do tribunal, um duelo verbal que merece ser estudado como exercício de dramaturgia. Ali, texto e atuação se encontram num nível raro de precisão, elevando o confronto a algo maior do que simples embate jurídico, transformando-o numa disputa moral que reverbera para além da tela.
O encerramento, por sua vez, funciona em duas frentes. Pode ser lido como abertura para uma nova temporada ou como comentário pessimista e realista sobre o ciclo eterno de corrupção e poder, sempre restaurado por novos atores e interesses. Ao mesmo tempo, a cena final deixa claro que nem mesmo a ajuda dos aliados é totalmente altruísta, revelando interesses políticos ocultos por trás do apoio institucional. Ainda assim, permanece a ideia reconfortante de que sempre haverá alguém disposto a enfrentar o sistema novamente. O saldo é amplamente positivo, e a expectativa por uma continuação surge menos por gancho narrativo e mais pelo prazer genuíno de acompanhar esse universo.
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