O tipo de produção que eleva a régua
Veil of Shadows faz algo que produções estreladas raramente conseguem sem tropeçar feio: reunir um elenco numeroso e repleto de nomes de peso sem transformar metade dos personagens em decoração cara. Há aqui um trabalho admirável de distribuição dramática, dando tempo, função e dignidade narrativa a praticamente todos, o que por si só já seria digno de aplauso. Some-se a isso um espetáculo técnico de fazer certos dramas modestos parecerem ensaio escolar. Figurino exuberante, CGI robusto, cenografia ambiciosa, maquiagem cuidadosa e um enredo que sabe sustentar a grandiosidade visual sem virar vitrine vazia. É o tipo de produção que estraga o espectador, porque depois dela voltar para dramas de orçamento apertado exige boa vontade quase espiritual.
Nem tudo, porém, escapa do excesso. O drama se entrega, com entusiasmo tipicamente chinês, a diálogos longos demais e a melodramas que, em certos momentos, mais testam a atenção do que aprofundam emoção, especialmente nas cenas românticas, onde a tentação de se distrair aparece sem cerimônia. Também chama atenção a atuação de Yan An, curiosamente aquém do restante do elenco, com expressões por vezes artificiais demais para um conjunto que opera em nível mais seguro, o que decepciona ainda mais considerando seu bom trabalho em Fangs of Fortune. Ainda assim, são ruídos pontuais em uma experiência amplamente vitoriosa. O final fecha com elegância e sem gancho barato para continuação, preferindo uma leitura quase fatalista de que o destino sempre encontra meios de cumprir aquilo que foi traçado, para o bem ou para o desastre, dependendo apenas do ângulo de quem observa.
Nem tudo, porém, escapa do excesso. O drama se entrega, com entusiasmo tipicamente chinês, a diálogos longos demais e a melodramas que, em certos momentos, mais testam a atenção do que aprofundam emoção, especialmente nas cenas românticas, onde a tentação de se distrair aparece sem cerimônia. Também chama atenção a atuação de Yan An, curiosamente aquém do restante do elenco, com expressões por vezes artificiais demais para um conjunto que opera em nível mais seguro, o que decepciona ainda mais considerando seu bom trabalho em Fangs of Fortune. Ainda assim, são ruídos pontuais em uma experiência amplamente vitoriosa. O final fecha com elegância e sem gancho barato para continuação, preferindo uma leitura quase fatalista de que o destino sempre encontra meios de cumprir aquilo que foi traçado, para o bem ou para o desastre, dependendo apenas do ângulo de quem observa.
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