K-Drama Uma vida inteira diante dos nossos olhos
Eu só tenho a agradecer à dramaturgia chinesa por nos conceder uma obra como Against the Current. É um drama feito com um cuidado quase obsessivo, daqueles em que cada detalhe parece ter sido pensado antes de chegar à tela. O texto é primoroso e, mesmo funcionando como um legítimo slice of life, não abandona suas dimensões política, histórica e familiar. As atuações são maravilhosas, sem nenhuma ressalva da minha parte. Na realidade, estou escrevendo esta resenha emocionado e com lágrimas nos olhos, porque há algo particularmente poderoso em acompanhar, ao longo de 47 episódios, toda a trajetória de uma mulher e a construção de sua família durante décadas. O drama valoriza de maneira inequívoca a independência feminina e demonstra que uma mulher pode não apenas conduzir uma família, mas também fortalecer as outras mulheres ao seu redor e construir uma história na qual mulheres do Ocidente ao Oriente podem se reconhecer e se inspirar.
É preciso elogiar Tan Songyun pela atuação magistral e, sobretudo, comedida. Ela é daquelas atrizes que parecem ter encontrado um personagem escrito sob medida para suas próprias capacidades. Li Meng também merece um elogio especial por fugir daquele estereótipo preguiçoso da vilã dos dramas chineses. Sua personagem não nasceu simplesmente má: ela aprendeu a oferecer ódio porque foi praticamente tudo aquilo que recebeu da vida. E quando finalmente acreditou que um homem poderia amá-la para sempre, foi abandonada depois de chutes e ameaças. É uma personagem dolorosa justamente porque existe humanidade nela, e é possível compreender de onde veio aquela mulher, mesmo sem justificar aquilo que ela fez. Against the Current também teve a inteligência de não transformar a passagem do tempo em um catálogo de assassinatos e tragédias convenientes. Os personagens secundários simplesmente envelhecem e morrem, como acontece na vida, enquanto os anos passam sem pedir licença.
E talvez seja justamente essa compreensão da passagem do tempo que torne o encerramento tão bonito. Depois de tantas décadas, a protagonista e sua família finalmente encontram o descanso que lhes foi negado durante boa parte da vida. É um descanso tardio, mas nem por isso menos justo. Há dramas que terminam e deixam apenas a sensação de que assistimos a uma história. Against the Current termina deixando a sensação de que acompanhamos uma vida inteira. E quando uma obra consegue fazer isso, quando você chega ao último episódio emocionado e percebe que está se despedindo não apenas de personagens, mas de uma família que acompanhou durante 47 episódios, resta muito pouco a criticar. Resta agradecer. Obrigado, China, por essa belíssima obra.
É preciso elogiar Tan Songyun pela atuação magistral e, sobretudo, comedida. Ela é daquelas atrizes que parecem ter encontrado um personagem escrito sob medida para suas próprias capacidades. Li Meng também merece um elogio especial por fugir daquele estereótipo preguiçoso da vilã dos dramas chineses. Sua personagem não nasceu simplesmente má: ela aprendeu a oferecer ódio porque foi praticamente tudo aquilo que recebeu da vida. E quando finalmente acreditou que um homem poderia amá-la para sempre, foi abandonada depois de chutes e ameaças. É uma personagem dolorosa justamente porque existe humanidade nela, e é possível compreender de onde veio aquela mulher, mesmo sem justificar aquilo que ela fez. Against the Current também teve a inteligência de não transformar a passagem do tempo em um catálogo de assassinatos e tragédias convenientes. Os personagens secundários simplesmente envelhecem e morrem, como acontece na vida, enquanto os anos passam sem pedir licença.
E talvez seja justamente essa compreensão da passagem do tempo que torne o encerramento tão bonito. Depois de tantas décadas, a protagonista e sua família finalmente encontram o descanso que lhes foi negado durante boa parte da vida. É um descanso tardio, mas nem por isso menos justo. Há dramas que terminam e deixam apenas a sensação de que assistimos a uma história. Against the Current termina deixando a sensação de que acompanhamos uma vida inteira. E quando uma obra consegue fazer isso, quando você chega ao último episódio emocionado e percebe que está se despedindo não apenas de personagens, mas de uma família que acompanhou durante 47 episódios, resta muito pouco a criticar. Resta agradecer. Obrigado, China, por essa belíssima obra.
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