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The Hymn of Death korean drama review
Completed
The Hymn of Death
0 people found this review helpful
by pedrinhoomota_
Nov 15, 2025
6 of 6 episodes seen
Completed
Overall 10
Story 10.0
Acting/Cast 10.0
Music 10.0
Rewatch Value 10.0
Desde a primeira frase — “Pela primeira e última vez na minha vida, eu quero viver do meu jeito. Mesmo que essa vida signifique a morte … ao meu lado” — somos convocados para uma jornada angustiante de liberdade, amor e resignação. Louvor à Morte nos põe frente a frente com dois corações que não só amam com violência, mas que sonham com a morte como a única rota possível para a verdadeira vida. A ambientação entre 1921 e 1926, no contexto da Coreia sob domínio japonês, não é apenas cenário histórico: é uma prisão invisível para os personagens. Kim Woo-jin vive num conflito interno constante, sufocado por uma linhagem familiar que lhe impõe um caminho que não escolheu. Ele é um estudante de literatura, sim, mas retorna ao negócio da família porque assim foi decidido para ele. Yun Sim-deok, por outro lado, é uma voz extraordinária — a primeira soprano profissional de Joseon —, mas seu talento é constantemente limitado pelas condições sociais e econômicas. Ela é artista, mas também sustentadora, e sua voz não é só seu talento, é a forma pela qual ela tenta dar dignidade à própria existência e à de sua família.

O romance que nasce entre eles, enquanto estudam no Japão, é belo na sua intimidade intelectual e artística. Eles compartilham mais do que atração: compartilham ideias, angústias, sonhos. Mas a tragédia está inscrita desde cedo: Woo-jin é casado por imposição, preso a obrigações que o envenenam por dentro; Sim-deok está sujeita a julgamentos morais, escândalos e à instabilidade financeira. Essa impossibilidade social — somada ao peso do patriarcado, das expectativas familiares e da ocupação colonial — constrói o silêncio entre eles, e esse silêncio grita. Visualmente, o dorama é sutil, quase poético em sua melancolia. A fotografia, segundo várias críticas, ajuda a amplificar esse clima de sombra emocional.

Há momentos em que parece que as cenas respiram devagar, permitindo que a dor dos personagens ecoe no ar, sem precisar de grandes explosões dramáticas para nos comover. Essa delicadeza pode ser vista como virtude, mas também revela um limite: por ser uma minissérie curta (só três episódios de aproximadamente uma hora cada, segundo a Netflix) , algumas camadas se perdem, e sentimos falta de aprofundamento — nas peças de Woo-jin, nos conflitos familiares mais amplos, na carreira de Sim-deok.

No entanto, o peso emocional permanece. A trilha sonora é envolvente, e há uma ponte simbólica importantíssima entre arte e morte: Sim-deok grava a canção “Praise of Death” (ou “Louvor à Morte”), que ecoa como uma prece final. A canção, baseada numa melodia europeia (“Waves on the Danube”), é transformada por sua voz numa despedida e numa afirmação: morrer é a forma mais sincera de resistência, se a vida lhe nega liberdade. Historicamente, essa gravação realista foi um marco — e se tornou parte permanente da memória cultural coreana.

O desfecho é devastador: no navio de volta à Coreia, Woo-jin e Sim-deok se dão as mãos, dançam num momento de paz silente — não há gritos, apenas uma aceitação tragicamente serena de que a única estrada para estarem juntos é mergulhar no mar. Essa cena final é punhal: é tanto a consumação do amor impossível quanto o derradeiro gesto de agência, mesmo que doloroso. Eles escolhem sua forma de existir — não mais sob regras alheias, mas na própria decisão de partir.

Refletindo sobre tudo isso, Louvor à Morte vai além do melodrama de casal trágico: é uma meditação sobre a liberdade que a sociedade nega, sobre a arte como refúgio e sobre o paradoxo de encontrar a vida na morte. Woo-jin e Sim-deok não são apenas amantes proibidos; são duas almas feridas que se recusam a aceitar papéis impostos e buscam uma transcendência que transcende o sofrimento. Sua morte não é fuga tácita, mas um protesto — um cântico final, triste e corajoso, que ecoa como um lamento de quem não teve escolha, mas tinha convicção. Por mais curto que seja, o dorama deixa uma marca. Ele nos obriga a pensar: o que significa viver do nosso jeito? Quanto de nós mesmos estamos dispostos a sacrificar para sobreviver? E se, às vezes, a morte pode parecer o único ato de liberdade que resta? É uma história que dói, sim, mas que ressoa com a beleza crua de um amor que se recusa a ser diminuído pela conformidade.
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