O amor de Eugene Choi por Go Ae Shin foi o ato mais nobre e corajoso que já vi.
Assisto doramas desde 2012, e agora em 2026 assisti Mr. Sunshine, e posso afirmar com tudo de mim que essa foi a história que mais tocou meu coração. Essa é uma história sobre identidade, e sobre as nossas lutas - sejam elas internas ou externas, sejam elas contra os inimigos ou contra nós mesmos.
Eugene Choi, um homem que nasce como escravo na Coréia, e cresce cercado de fome, pobreza e desprezo da sociedade. Ele passa por grandes trágedias pessoais, até conseguir fugir para os Estados Unidos, aos 9 anos de idade. Mas lá, não sofreu menos. A xenofobia e o bullying preenchiam seus dias.
E só aqui no primeiro episódio já me deparo com duas cenas profundamente impactantes:
- Um pequeno Eugene de 9 anos chorando em meio a uma tempestade, como se naquele momento ele tivesse finalmente entendido tudo. Ele não teve um lugar na Coréia, e também não teria um lugar nos EUA. A dor que aquela criança demonstra é tão vívida que transborda.
- Um Eugene um pouquinho mais velho, em um momento de dificuldade, olha para alguns soldados do exército, que estão caminhando. Entre os brancos, ele vê um negro. Os brancos estão conversando e sorrindo junto com o negro. Nesse momento Eugene emocionado enxerga um caminho pelo qual ele pode seguir, pois ele vê finalmente um lugar no qual ele poderia ser aceito.
Go Ae Shin, uma mulher filha de coreanos guerrilheiros, nasce para em seguida ficar órfã. É criada por seu avô, um membro muito influente da nobreza coreana. Ela cresce cercada de luxo, riqueza e prestígio da sociedade. Mas desde pequena demonstra grande empatia com as pessoas independende da classe social. Quando fica adulta, ela convence seu avô a deixá-la seguir os passos de seus pais. Ela então treina durante 10 anos, se tornando uma hábil atiradora, e fazendo parte do exército de resistência anti-japonesa, chamado Exército dos Justos.
O plano de fundo histórico: a história se passa durante a ocupação japonesa na Coréia, antes da Coréia perder completamente sua soberania para o imperialismo japonês. E os japoneses cometerem inúmeros crimes de guerra na Coréia, foi um período terrível da história do país.
Agora sobre o amor: a cena em que Eugene e Ae Shin se conhecem pela primeira, é maravilhosa. Ambos carregando armas e apontando para matar um político japonês, até que eles percebem a existência um do outro. Eles miram suas armas um no outro, e seus olhares se cruzam. Eu amo como os olhares entre eles são tão bonitos e profundos!
Esse é o amor mais forte que já vi em qualquer história. É um amor dolorosamente lindo. Com um sabor tão doce e tão amargo ao mesmo tempo. Construído de forma leve e gradual, evoluindo até o ponto em que não existe mais volta. Um amor tocante, pois comovente. Um amor cruel, pois impossível.
Eles são opostos, mas são complementares, e eles são tão necessários na vida um do outro, quanto precisam do ar para respirar. E vale ressaltar que os personagens tem aproximadamente 10 a 12 anos de diferença de idade (e não 20, igual muitas pessoas estão falando).
Eugene se vê dividido entre odiar o país que o desprezou, e amar a mulher que quer proteger esse país. Eugene também tem sua identidade fragmentada. Nem completamente coreano, nem completamente estadunidense. Para quase todos, ele na verdade não é nenhum dos dois. Mas tenho certeza que no fundo do coração de Eugene, ele chegou na conclusão de que ele é inteiramente ambos. Coreano e americano.
Gu Dong Mae tem uma história de vida bastante similar a de Eugene. Dong Mae nasceu filho de açogueiros (eram considerados do mesmo status social tão desprezível quanto um escravo). Ele sofreu tragédias pessoais na infância e então fugiu para o Japão, onde entrou para a máfia se tornando um guerreiro samurai. Ele é um personagem bastante complexo, com a moralidade ambígua, mas que nos comove ao longo dos episódios, com sua devoção errante por Ae Shin. Ao longo dos episódios eu aprendi a amá-lo.
Kudo Hina de forma semelhante é coreana, filha de um político plebeu, e foi casada a força por dinheiro com um japonês. Ela também é bastante complexa e cheia de camanas. O que mais gosto nela, é o quanto ela protege as mulheres a sua volta. No início fiquei com medo que ela fosse ser aquelas personagens detestáveis que brigam com a protagonista por causa de homem, mas não, amar o mesmo homem não as fez brigar. E quanto mais a história avança, mais Hina nos emociona.
Kim Hee Seong é um nobre, noivo de Ae Shin, que fugiu do casamento por 10 anos no Japão, mas quando finalmente retorna para a Coréia se apaixona por sua noiva. Mas o seu amor nunca poderia ser correspondido, pois o coração de Ae Shin já pertencia inteiramente a Eugene. No início esse era o personagem que eu menos gostava, mas foi gratificante demais vê-lo amadurecer tanto durante a história, em especial quando ele compreendeu seus privilégios e suas dívidas, ele se tornou mais humano e no final conseguiu me comover muito, chorei demais com algumas cenas dele.
Os três homens que amavam Ae Shin, eram inimigos, mas se tornaram aliados para proteger aquilo que mais importava: a mulher que eles amavam.
Outro personagem que me emocionou muito foi Jang Seung Gu, o Artilheiro Jang. Profundamente marcado pela guerra, com um coração bondoso, e uma história pessoal que me tocou demais. Ele ter ido trabalhar no palácio foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, isso o fez enxergar certas coisas que deram sentido para o que ele sentia.
Também gostei demais do Kyle, amigo de Eugene. Foi tão bonito ver como eles eram verdadeiramente amigos! Kyle o ajudou sempre! Fiquei realmente feliz vendo essa relação que foi central em momentos decisivos.
Essa é uma história com início um pouco lento, mas os episódios tem um ritmo adequado, e a progressão da história é muito boa. As cenas, a fotografia, o modo como escolheram filmar, foi simplesmente espetacular, tudo completamente lindo e magnífico! Eugene e Ae Shin andando de cavalo, a cena deles cobrindo o rosto um do outro, a cena de Hina e Dong Mae na praia, tudo tão bonito que fazia o meu coração saltitar!
Uma frase que me emocionou, e eu nem sou religiosa, foi quando um personagem americano faleceu, e uma pessoa coreana foi em um templo budista pedir para a xamã rezar, mas avisando que aquele falecido acreditava em Deus. Então a xamã respondeu "As divindades a quem servimos devem se conhecer bem. Tenho certeza de que Buda vai mostrar a ele o caminho até Deus".
Uma cena que foi como um soco na minha cara, e que mostrou bastante da complexidade de Eugene, foi quando um personagem odioso disse para ele "você também acredita em imperialismo, você foi pra guerra em nome dos EUA e conquistou as Filipinas, agora o Japão está fazendo o mesmo com a Coréia". Isso me fez ficar muito pensativa, e triste.
Outra cena que me emocionou demais, foi a cena da bandeira com as mãos pintadas sendo erguida. Me acabei de chorar vendo a luta desse povo pelo seu país. E saibam que esse Exército dos Justos de fato existiu! O amor pela sua pátria também é tão profundo quanto o amor romântico - e isso é muito agridoce (eu pessoalmente queria que Ae Shin e Eugene simplesmente fugissem pra China e desaparecessem pra viver o amor deles, mas eu entendo que para Ae Shin esse seria um lento suicídio, e ela nunca seria feliz).
Acho que dificilmente outro dorama vai superar as emoções que Mr. Sunshine me provocou. Aqui é mostrado como as nossas decisões fazem parte de quem a gente é, e como cada uma delas molda o rumo de nossas vidas, e principalmente mostra que as vezes podemos ter o poder de escolha, mas nem sempre escolhemos o que é mais fácil. É profundamente belo. É dolorosamente lindo. Eugene Choi vai viver para sempre em minha memória enquanto eu viver, um personagem inesquecível. E seu amor por Ae Shin foi o ato mais nobre e corajoso que já vi.
Eugene Choi, um homem que nasce como escravo na Coréia, e cresce cercado de fome, pobreza e desprezo da sociedade. Ele passa por grandes trágedias pessoais, até conseguir fugir para os Estados Unidos, aos 9 anos de idade. Mas lá, não sofreu menos. A xenofobia e o bullying preenchiam seus dias.
E só aqui no primeiro episódio já me deparo com duas cenas profundamente impactantes:
- Um pequeno Eugene de 9 anos chorando em meio a uma tempestade, como se naquele momento ele tivesse finalmente entendido tudo. Ele não teve um lugar na Coréia, e também não teria um lugar nos EUA. A dor que aquela criança demonstra é tão vívida que transborda.
- Um Eugene um pouquinho mais velho, em um momento de dificuldade, olha para alguns soldados do exército, que estão caminhando. Entre os brancos, ele vê um negro. Os brancos estão conversando e sorrindo junto com o negro. Nesse momento Eugene emocionado enxerga um caminho pelo qual ele pode seguir, pois ele vê finalmente um lugar no qual ele poderia ser aceito.
Go Ae Shin, uma mulher filha de coreanos guerrilheiros, nasce para em seguida ficar órfã. É criada por seu avô, um membro muito influente da nobreza coreana. Ela cresce cercada de luxo, riqueza e prestígio da sociedade. Mas desde pequena demonstra grande empatia com as pessoas independende da classe social. Quando fica adulta, ela convence seu avô a deixá-la seguir os passos de seus pais. Ela então treina durante 10 anos, se tornando uma hábil atiradora, e fazendo parte do exército de resistência anti-japonesa, chamado Exército dos Justos.
O plano de fundo histórico: a história se passa durante a ocupação japonesa na Coréia, antes da Coréia perder completamente sua soberania para o imperialismo japonês. E os japoneses cometerem inúmeros crimes de guerra na Coréia, foi um período terrível da história do país.
Agora sobre o amor: a cena em que Eugene e Ae Shin se conhecem pela primeira, é maravilhosa. Ambos carregando armas e apontando para matar um político japonês, até que eles percebem a existência um do outro. Eles miram suas armas um no outro, e seus olhares se cruzam. Eu amo como os olhares entre eles são tão bonitos e profundos!
Esse é o amor mais forte que já vi em qualquer história. É um amor dolorosamente lindo. Com um sabor tão doce e tão amargo ao mesmo tempo. Construído de forma leve e gradual, evoluindo até o ponto em que não existe mais volta. Um amor tocante, pois comovente. Um amor cruel, pois impossível.
Eles são opostos, mas são complementares, e eles são tão necessários na vida um do outro, quanto precisam do ar para respirar. E vale ressaltar que os personagens tem aproximadamente 10 a 12 anos de diferença de idade (e não 20, igual muitas pessoas estão falando).
Eugene se vê dividido entre odiar o país que o desprezou, e amar a mulher que quer proteger esse país. Eugene também tem sua identidade fragmentada. Nem completamente coreano, nem completamente estadunidense. Para quase todos, ele na verdade não é nenhum dos dois. Mas tenho certeza que no fundo do coração de Eugene, ele chegou na conclusão de que ele é inteiramente ambos. Coreano e americano.
Gu Dong Mae tem uma história de vida bastante similar a de Eugene. Dong Mae nasceu filho de açogueiros (eram considerados do mesmo status social tão desprezível quanto um escravo). Ele sofreu tragédias pessoais na infância e então fugiu para o Japão, onde entrou para a máfia se tornando um guerreiro samurai. Ele é um personagem bastante complexo, com a moralidade ambígua, mas que nos comove ao longo dos episódios, com sua devoção errante por Ae Shin. Ao longo dos episódios eu aprendi a amá-lo.
Kudo Hina de forma semelhante é coreana, filha de um político plebeu, e foi casada a força por dinheiro com um japonês. Ela também é bastante complexa e cheia de camanas. O que mais gosto nela, é o quanto ela protege as mulheres a sua volta. No início fiquei com medo que ela fosse ser aquelas personagens detestáveis que brigam com a protagonista por causa de homem, mas não, amar o mesmo homem não as fez brigar. E quanto mais a história avança, mais Hina nos emociona.
Kim Hee Seong é um nobre, noivo de Ae Shin, que fugiu do casamento por 10 anos no Japão, mas quando finalmente retorna para a Coréia se apaixona por sua noiva. Mas o seu amor nunca poderia ser correspondido, pois o coração de Ae Shin já pertencia inteiramente a Eugene. No início esse era o personagem que eu menos gostava, mas foi gratificante demais vê-lo amadurecer tanto durante a história, em especial quando ele compreendeu seus privilégios e suas dívidas, ele se tornou mais humano e no final conseguiu me comover muito, chorei demais com algumas cenas dele.
Os três homens que amavam Ae Shin, eram inimigos, mas se tornaram aliados para proteger aquilo que mais importava: a mulher que eles amavam.
Outro personagem que me emocionou muito foi Jang Seung Gu, o Artilheiro Jang. Profundamente marcado pela guerra, com um coração bondoso, e uma história pessoal que me tocou demais. Ele ter ido trabalhar no palácio foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, isso o fez enxergar certas coisas que deram sentido para o que ele sentia.
Também gostei demais do Kyle, amigo de Eugene. Foi tão bonito ver como eles eram verdadeiramente amigos! Kyle o ajudou sempre! Fiquei realmente feliz vendo essa relação que foi central em momentos decisivos.
Essa é uma história com início um pouco lento, mas os episódios tem um ritmo adequado, e a progressão da história é muito boa. As cenas, a fotografia, o modo como escolheram filmar, foi simplesmente espetacular, tudo completamente lindo e magnífico! Eugene e Ae Shin andando de cavalo, a cena deles cobrindo o rosto um do outro, a cena de Hina e Dong Mae na praia, tudo tão bonito que fazia o meu coração saltitar!
Uma frase que me emocionou, e eu nem sou religiosa, foi quando um personagem americano faleceu, e uma pessoa coreana foi em um templo budista pedir para a xamã rezar, mas avisando que aquele falecido acreditava em Deus. Então a xamã respondeu "As divindades a quem servimos devem se conhecer bem. Tenho certeza de que Buda vai mostrar a ele o caminho até Deus".
Uma cena que foi como um soco na minha cara, e que mostrou bastante da complexidade de Eugene, foi quando um personagem odioso disse para ele "você também acredita em imperialismo, você foi pra guerra em nome dos EUA e conquistou as Filipinas, agora o Japão está fazendo o mesmo com a Coréia". Isso me fez ficar muito pensativa, e triste.
Outra cena que me emocionou demais, foi a cena da bandeira com as mãos pintadas sendo erguida. Me acabei de chorar vendo a luta desse povo pelo seu país. E saibam que esse Exército dos Justos de fato existiu! O amor pela sua pátria também é tão profundo quanto o amor romântico - e isso é muito agridoce (eu pessoalmente queria que Ae Shin e Eugene simplesmente fugissem pra China e desaparecessem pra viver o amor deles, mas eu entendo que para Ae Shin esse seria um lento suicídio, e ela nunca seria feliz).
Acho que dificilmente outro dorama vai superar as emoções que Mr. Sunshine me provocou. Aqui é mostrado como as nossas decisões fazem parte de quem a gente é, e como cada uma delas molda o rumo de nossas vidas, e principalmente mostra que as vezes podemos ter o poder de escolha, mas nem sempre escolhemos o que é mais fácil. É profundamente belo. É dolorosamente lindo. Eugene Choi vai viver para sempre em minha memória enquanto eu viver, um personagem inesquecível. E seu amor por Ae Shin foi o ato mais nobre e corajoso que já vi.
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