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  • Join Date: April 10, 2017
Completed
Mercy for None
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Jan 5, 2026
7 of 7 episodes seen
Completed 0
Overall 5.5
Story 3.0
Acting/Cast 6.0
Music 5.0
Rewatch Value 7.0
É um John Wick coreano de baixo orçamento e sem substância, eles não tinham dinheiro para todos os personagens usarem armas, então é só porradaria e faca. Desligue o cérebro e aproveite o show com muita carnificina gratuita, sangue, traições e filhos mimados querendo tomar o lugar do pai e o melhor de tudo, o Nam Gi Jun como uma entidade sobrenatural ambulante sem explicação alguma.
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Completed
Our Blues
0 people found this review helpful
Dec 29, 2025
20 of 20 episodes seen
Completed 0
Overall 7.5
Story 7.0
Acting/Cast 8.0
Music 8.0
Rewatch Value 6.0
This review may contain spoilers

Uma obra sobre a vida como ela é: imperfeita

A vida em seu estado natural é imperfeita, contraditória, bonita e dolorosa ao mesmo tempo. Há felicidade, tristeza, ciúmes, traumas, abandono, mentiras e reconciliação. Cada personagem carrega seu próprio mundo interior, e a ilha funciona como um espaço onde esses universos se cruzam, colidem e se revelam.

Por ser estruturado em vários arcos interligados, é inevitável que nem todas as histórias tenham o mesmo peso emocional, impacto dramático ou profundidade narrativa. Isso afeta a experiência final, mas apesar da irregularidade a maioria dos arcos apresenta boa escrita e trabalha emoções humanas com sinceridade.

O primeiro arco, centrado em Bang Ho-Sik e Jung Eun-Hee, é facilmente o ponto mais irritante e desgastante do dorama. Os personagens são deploráveis, principalmente o Ho-Sik, as motivações são rasas e, mesmo com tentativas em dar um corpo pelo passado dos personagens, tudo soa artificial e emocionalmente pobre. Definitivamente, foi o arco que quase me fez desistir do dorama e representa seu lado mais frágil. Em contrapartida, surge com folga a melhor história: Jung In-Kwon, Bang Ho-Sik, Jung Hyun e Bang Yeong-Ju. O dorama aborda gravidez na juventude, tentativa de aborto, choque familiar, ruptura emocional e reconciliação. É um arco forte, humano, doloroso e extremamente verdadeiro. Dois pais falhos, rígidos e orgulhosos, marcados por um passado trágico; dois jovens esmagados pela responsabilidade precoce, pelo medo, vergonha e pressão social. Dessa mistura nasce um processo de amadurecimento e reconciliação que é, de longe, o ponto mais alto do dorama, apesar dos desfecho não está a altura do todo.

Nos arcos seguintes, o eixo central é a honestidade. Homens emocionalmente íntegros se relacionam com mulheres cujo passado pesa, mas que, ao menos, têm a dignidade de serem sinceras sobre quem são e sobre o que viveram. Essa franqueza é essencial: ela dá aos homens a liberdade real de escolher se desejam ou não permanecer nesses relacionamentos. O drama trabalha, assim, a ideia de escolha consciente. (Falta muito disso nas mulheres atualmente e isso é de extrema importância para um homem tomar a decisão se quer permanecer ou não com essa mulher)

O capitão Park Jung-Joon é um homem reservado, íntegro e prestativo. Já Lee Young-Ok surge como uma mulher radiante, mas cercada por má fama e instabilidade emocional. Só depois entendemos a raiz disso: a responsabilidade de cuidar da irmã gêmea com síndrome de Down após perder os pais cedo demais. Rejeição, preconceito e cansaço a transformaram em alguém que viveu em fuga, mudando de cidade, trabalhando sem parar e evitando criar laços profundos. O arco é sensível e humano e com um ótimo desfecho.

Já Lee Dong-Seok e Min Seon-Ah protagonizam um dos núcleos mais pesados emocionalmente. Aqui, o drama trata de depressão, trauma, divórcio com disputa de guarda, culpa e ressentimento. São duas pessoas quebradas, tentando sobreviver a uma dor que não desaparece. O passado não é suavizado. Eles foram, um dia, à luz um do outro, sobretudo para Dong-Seok, que tinha apenas Seon-Ah, mas, ainda jovens e imaturos, ela rompe esse vínculo de uma forma severa (depois descobrimos que o ato não aconteceu, mas não por arrependimento dela e sim do amigo do Dong-Seok).. Essa ferida aberta é um dos motivos pelos quais ele nunca mais conseguiu se envolver seriamente com outras mulheres.

Entre esses arcos, surge uma história mais curta envolvendo Eun-Hee e Go Mi-Ran. A relação entre elas parece, muitas vezes, uma dinâmica de senhor e servo, marcada por desequilíbrio emocional, orgulho e ressentimentos antigos. É um arco interessante e com bons conflitos, mas que não alcança o impacto dos melhores momentos do dorama. Outro arco pequeno é a história da haenyeo veterana Hyun Choon-Hee e sua neta Son Eun-Ki. Após o acidente do pai, a menina passa a viver com a avó, e a relação entre as duas é construída lentamente, entre dureza e afeto. O desfecho desse arco está entre os melhores do dorama. A mãe de Eun-Ki, Oh Hae-Seon, também merece destaque por ser, em muitos sentidos, a Mulher entre as mulheres.

Por fim, o arco entre Lee Dong-Seok e sua mãe Kang Ok-Dong é menos sobre reconciliação e mais sobre dever. Uma mãe que nunca demonstrou acolhimento e amor pelo filho. Nunca demonstrou arrependimento pelas escolhas que fez e que só trouxeram sofrimento ao mesmo. Um filho que nunca recebeu amor precisa, ainda assim, cumprir o papel que lhe resta. A história é sobre despedida, aceitação amarga e uma paz que não chega por afeto, mas por encerramento.

Alguns pontos, porém, poderiam ter sido melhor desenvolvidos, como a relação entre Park Ki-Joon e Byeol-I, que tinha potencial e despertou meu interesse. Mas no geral, o saúdo é positivo. Our Blues constrói relações interessantes e trabalha múltiplos temas com sinceridade. A trilha sonora cumpre bem seu papel. A fotografia e as paisagens estão entre os grandes destaques. As atuações, no geral, são boas, embora em alguns momentos pareçam artificiais. E certos desfechos poderiam ter sido finalizados com mais consistência, ficaram muito aquém, mas a vida é assim mesmo, os nossos desfechos simplesmente terminam sem a gente nem nota que era um encerramento.

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Completed
Why Her?
0 people found this review helpful
Dec 25, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 4.5
Story 3.0
Acting/Cast 7.0
Music 7.0
Rewatch Value 1.0
This review may contain spoilers
Os temas abordados e o caso principal são, de fato, interessantes, mas é evidente que grande parte do enredo depende de decisões irracionais dos personagens. A trama se move pelo poder que o Choi Tae Gook dá a Oh Soo Jae, quando era só ter cortado ela inicialmente, ou seja, o próprio vilão se coloca em ruína, não é mérito de ninguém, só burrice da parte dele mesmo. A trajetória da Oh Soo Jae chega a ser instigante enquanto ela sofre as consequências de suas escolhas, porém o desfecho opta por uma resolução “feliz”, o que dilui esse impacto dramático. Outro dos muitos pontos negativos é a revelação de que a menina é sua filha, pois é extremamente mal conduzida: não há construção visual ou dramática desse evento - não vemos a gravidez, o parto ou sequer o corpo da criança — apenas ela no chão com sangue e uma comunicação verbal que a personagem aceita de imediato, sem qualquer mediação emocional crível, poderia ter mais peso essa parte. Por fim, o romance unilateral e devocional sendo o ponto mais fraco da obra. O protagonista masculino, apesar de ocupar essa posição nominalmente, carece de presença dramática e raramente exerce verdadeira função narrativa. Diante disso, torna-se difícil levar o eixo romântico a sério. Eu achava que Baek Seung Yoo (Melancholia) seria o pior protagonista masculino dos dramas, já que ele é um obsessivo perseguidor, mas Gong Chan (Why Her?) na verdade consegue superá-lo. O personagem não tem poder, nem relevância social, nem autoridade. Ele é apenas um lunático que vive inteiramente por Oh Soo Jae (Why Her?), como um acessório. Claro, Baek Seung Yoo (Melancholia) é parecido nesse sentido, mas ao menos ele tinha algum poder, exercia influência ativa e sua presença afetava a dinâmica de poder da história, sem mencionar outras habilidades que lhe permitiam confrontar os “inimigos” do seu universo. Gong Chan (Why Her?) não tem nada. Em síntese, Why Her? possui boas ideias e temas interessantes, mas se fragiliza por conta de personagens mal construídos, escolhas pouco verossímeis e um romance estruturalmente inconsistente.

A chuva desse dorama é extremamente mal feita e os personagens nem se molham kkkkkkkkkkkkkkk
Choi Yoon Sang é outra piada tentando separar o casal principal que não era um casal kkkkkkkkkkk

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Completed
God's Gift: 14 Days
0 people found this review helpful
Dec 23, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 3.0
Story 2.0
Acting/Cast 7.0
Music 1.5
Rewatch Value 1.0
God’s Gift: 14 Days starts from a powerful premise - a mother’s despair in the face of her child’s imminent death and the attempt to rewrite fate - and sets out to explore dense themes such as guilt, time, forgiveness, sacrifice, political and criminal corruption, motherhood, and moral responsibility. At first glance, the drama seems to contain all the elements of a great work. However, when it comes to filling in the narrative gaps and giving the script proper structure, the execution collapses.
The story becomes heavily reliant on illogical decisions, characters who behave foolishly merely to sustain the mystery, and narrative conveniences that undermine any genuine sense of suspense. Rather than being driven by causality, the plot leans on inflated melodrama and situations that verge on the absurd. Events unfold not out of dramatic necessity, but out of sheer narrative convenience. Episode 4 is a particularly egregious example: the confrontation between the protagonists and the villain is handled so artificially that, despite the entire struggle, the antagonist still manages to kill the victim. What makes this even worse is that the same situation is repeated multiple times throughout the drama, making the experience increasingly frustrating and almost surreal.
The protagonist, portrayed by Lee Bo-young, is not the core issue. Her performance is competent to a certain extent, but it is undermined by excessive dramatization and by narrative choices that force her character to act almost entirely on emotion, at the expense of coherence. The daughter’s character, on the other hand, is especially problematic: she is portrayed as a disturbed, dishonest child who repeatedly places herself in dangerous situations. The father is depicted as someone who seems to care only about his professional reputation, to the point of cheating on his wife, committing her to a psychiatric clinic, and leaving his daughter alone - although it is worth noting that the mother also abandons the child on several occasions.
The comparison with Mother (2018) is inevitable. In that drama, the same actress delivers a restrained, profound, and emotionally devastating performance, within a narrative that treats motherhood with complexity, sensitivity, and rigorous storytelling. Although both works share similar themes, Mother is vastly superior, while God’s Gift: 14 Days gets lost between good intentions and a script incapable of sustaining the weight of what it seeks to address.
The ending is particularly problematic. The finale makes little sense and does not logically align with the events preceding the child’s death, unless one assumes that the characters return to a parallel universe rather than the original timeline. In that interpretation, the primary events - which are never properly shown - would connect to the secondary events presented throughout the story. Ultimately, the drama implies the existence of two distinct timelines in each period: the original timeline, in which all three characters die, and a parallel one, in which only the male protagonist dies while the mother and daughter survive. This resolution, rather than providing clarity, reinforces the overall sense of incoherence and structural fragility that permeates the entire work.

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🇧🇷
God’s Gift: 14 Days parte de uma ideia potente - o desespero materno diante da perda iminente e a tentativa de reescrever o destino - e aborda temas interessantes como culpa, tempo, perdão, sacrifício, corrupção política/criminal, maternidade e responsabilidade moral. Em resumo, de fato parece uma grande obra, no entanto, quando começa o preenchimento das lacunas para estruturar e da corpo ao roteiro, isso desmorona na execução, o roteiro depende de decisões ilógicas, personagens que agem de forma estúpida para sustentar o mistério e conveniências narrativas que minam qualquer sensação de suspense real. A história se apoia mais em melodrama inflado e momentos que beiram a estupidez do que em causalidade, não se move pela necessidade e sim por conveniência narrativa - vide o episódio 4, que foi grotesco com aquela luta deles contra o vilão e o mesmo ainda conseguindo matar a vítima, o pior de tudo é que eles repetem a mesma situação em vários momentos do dorama, é surreal kkkkkk -, tornando a tensão artificial e frustrante. A protagonista, interpretada por Lee Bo-young, não é o problema em si, sua atuação é competente até certo ponto, apesar de ser excessivamente exagerada pela dramatização e agir puramente pela emoção em muitos momentos. Já a garotinha, que faz o papel da filha, que personagem perturbadinha, mentirosa e que gosta de se colocar em situações perigosas. O que dizer do pai dela que parece ligar apenas para a reputação no trabalho ao ponto de trair a esposa e internar a mesma em uma clínica psiquiátrica e deixar a filha sozinha - se bem que a mãe também deixou em vários momentos, mas enfim. O contraste com Mother (2018) é inevitável: ali, a mesma atriz entrega uma performance contida, profunda e devastadora, em um dorama que trata a maternidade com complexidade e rigor narrativo. Embora compartilhem temática semelhante, Mother é infinitamente superior, enquanto God’s Gift se perde entre boas intenções e uma escrita que não sustenta o peso do que propõe.

O final é uma piada, nem faz sentido e nem se encaixa logicamente com os eventos antes da morte da menina, a não ser que eles tenham voltado para outro universo paralelo e não o original em que de fato os eventos primários que não foram mostrados, se conectando com os eventos secundários que foram apresentados. Basicamente, foram apresentados duas linhas temporais diferentes em cada período, o primeiro é o original e o segundo é uma linha paralela. No original os três morrem. No secundário apenas o mc e as duas vivem.

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Completed
Call It Love
0 people found this review helpful
Dec 20, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 8.0
Story 8.0
Acting/Cast 8.0
Music 8.5
Rewatch Value 8.0

"Você me deu tudo."

Incrivelmente, Call It Love foi uma grata surpresa. Inicialmente, não havia intenção de assistir ao dorama, pois ele acabaria se tornando o meu centésimo, e existia o receio de que não estivesse à altura simbólica dessa marca. No entanto, à medida que os episódios avançavam, a sensação foi de perplexidade genuína diante do que se apresentava em tela.

O dorama é honesto ao retratar pessoas emocionalmente quebradas tentando coexistir. Há uma sensibilidade evidente na forma como o sofrimento é construído, sem apelos fáceis ou exageros dramáticos. Esteticamente, o dorama é coeso com sua proposta, sustentando uma ambientação introspectiva que remete diretamente a doramas como My Mister e Just Between Lovers. A dor silenciosa de seus personagens não é apenas um elemento temático, mas o verdadeiro motor de sua construção e desenvolvimento. O ritmo lento, quase contemplativo, não funciona como obstáculo narrativo, mas como ferramenta essencial para potencializar o peso emocional que os personagens carregam. Cada silêncio, cada lugar, cada pausa e cada olhar contribuem para a densidade da experiência. Trata-se, acima de tudo, de um dorama maduro, com personagens maduros, conscientes de suas escolhas e fiel àquilo que se propõe a contar.

"Você me deu tudo."

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Completed
Melancholia
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Dec 20, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 4.5
Story 4.5
Acting/Cast 3.5
Music 5.0
Rewatch Value 3.0
This review may contain spoilers
Não é possível que eu estava vendo o mesmo dorama. Os cinco primeiros episódios foram sensacionais, com uma construção gradual da relação entre Baek Seung-yoo e Ji Yoon-soo, além de um trabalho sólido nos temas centrais: a pressão familiar extrema na educação, a manipulação de resultados, a guerra de ego entre os pais, o abuso e a corrupção institucional. O passado de Baek Seung-yoo é bem desenvolvido, explicando seu fechamento emocional e sua personalidade melancólica, enquanto Ji Yoon-soo surge como uma luz em sua vida. A partir do episódio 8, no entanto, a obra perde força. O salto temporal é curto demais e compromete a verossimilhança: os antigos estudantes ainda parecem estudantes, não professores/ou adultos. Pior ainda, Baek Seung-yoo é descaracterizado e passa a agir como um perseguidor. O reencontro com Ji Yoon-soo, que deveria ser natural e inevitável, é forçado, com closes insistentes que soam ridículos. A vingança que deveria ser o ponto mais alto da obra pela tempo e pela preparação que se deu é risoria, é pífia, as situações acontecem se forma tosca e sem nenhuma inteligência por parte dos envolvidos, até tem uma ou outra cena interessante dos personagens envolvendo a matemática, mas definitivamente não passa disso.

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Completed
Tunnel
0 people found this review helpful
Dec 20, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 7.5
Story 7.5
Acting/Cast 7.5
Music 6.0
Rewatch Value 8.0
This review may contain spoilers
Os primeiros episódios se concentram em casos paralelos que apesar de ajudarem a estabelecer o tom, o ambiente e a dinâmica entre os personagens, carecem de relevância estrutural mais profunda. Embora contribuam para ritmo e ambientação, esses casos não dialogam de forma consistente e lógica com o arco central, embora interessantes individualmente, não integram o corpo narrativo do caso principal. Sua remoção não comprometeria a trama, o que mostra preenchimento narrativo, resultando em mais de cinco horas desperdiçadas, com pouco aproveitamento no geral. Entretanto quando a trama passa a priorizar o assassinato em série que atravessa décadas, o dorama definitivamente encontra sua verdadeira força e identidade. Ambos os vilões (Mok Jin Woo e Jung Ho Young) são bem construídos, desenvolvidos e com várias camadas psicológicas que ao lado do Park Kwang Ho, Kim Sun Jae e Shin Jae Yi movem toda a trama de forma quase impecável, elevando a tensão e o envolvimento dramático do dorama. É importante deixar claro que, apesar de envolver viagem no tempo, Tunnel não tem como foco o rigor científico ou explicações detalhadas sobre o fenômeno. O túnel é apenas um dispositivo narrativo, utilizado para conectar passado e presente. O verdadeiro interesse da obra está na resolução do mistério central e na forma como a investigação articula trauma, memória e violência através dos assassinatos em série. No conjunto, dificilmente um dorama com proposta semelhante alcança o nível de Signal. Ainda assim, Tunnel possui méritos próprios, constrói um caso central sólido e entrega um final sensacional, que justifica o investimento apesar das falhas estruturais iniciais.

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Completed
The Midnight Romance in Hagwon
0 people found this review helpful
Dec 14, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 6.0
Story 6.0
Acting/Cast 6.0
Music 5.0
Rewatch Value 4.0
This review may contain spoilers
É interessante por retratar situações cotidianas do sistema educacional a partir de uma ótica bastante incomum: a dos cursinhos preparatórios, espaço marcado por competitividade extrema, hierarquias rígidas e uma lógica de desempenho que reflete, de forma condensada, a dureza do sistema asiático de ensino. Nunca precisei frequentar esse tipo de ambiente, portanto não tenho base para afirmar como ele funciona de fato e, principalmente, se seria possível compará-lo ao sistema asiático, que é notoriamente mais rígido e marcado por uma carga de pressão insana. Para complicar ainda mais, o foco da narrativa não está exatamente nos alunos ou nas aulas - esses elementos existem, aparecem com certa frequência, mas cumprem mais o papel de normalizar o retrato apresentado. O verdadeiro centro da obra é o jogo de poder e controle exercido pelo sistema, mediado pelos professores e administradores, isso fica mais evidente perto do meio do dorama. O romance está presente, mas funciona mais como um motor narrativo que desencadeia uma série de consequências, servindo para expor o pior e o melhor dos personagens dentro dessa guerra silenciosa de inveja, manipulação e ego. Por outro lado, assim como a força do dorama está no tema incomum que ele escolhe abordar, suas falhas também se originam daí. Situações que poderiam ser resolvidas com relativa facilidade acabam, por vezes, escalando para níveis desnecessários, e isso ocorre com certa frequência ao longo da narrativa. Além disso, A figura do professor Pyo Sang Seop, embora carregada de simbolismo e certa relevância narrativa pela figura que representa, sofre com uma execução excessivamente engessada, tornando suas aparições menos palatáveis do que poderiam ser.

Ainda assim, o dorama acerta ao construir relações humanas críveis. O casal principal funciona bem, assim como o casal secundário que se desenvolve ao longo da narrativa - pena que eles possuem poucos momentos -, além dos donos do bar, que cumprem um papel importante como espaço de respiro e convivência. A fotografia e os cenários noturnos da cidade acrescentam uma camada de elegância e maturidade à obra, reforçando seu tom mais contido, adulto e reflexivo. No conjunto, trata-se menos de uma história de amor e mais de um retrato das distorções humanas provocadas por um sistema competitivo e opressivo.

*Possivelmente o dorama com a maior quantidade de personagens femininas que eu gostei no final: Seo Hye Jin (gostei dela depois do discurso sobre não precisar de jóias e riqueza e sim de ser amada e alimentada, das iniciativas por parte dela. Essas colocações e ações mexem com um homem de forma que poucas mulheres imaginam), Nam Cheong (passei a gosta dela perto do final) e a assistente da Seo Hye Jin.

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Completed
Bridal Mask
0 people found this review helpful
Dec 7, 2025
28 of 28 episodes seen
Completed 0
Overall 2.0
Story 1.0
Acting/Cast 4.0
Music 5.0
Rewatch Value 1.0
This review may contain spoilers
Diferente de algumas pessoas que iniciaram esperando um retrato histórico fidedigno - o que é um erro na esmagadora maioria das obras de ficção, que só usam o período histórico como pano de fundo -, eu coloquei esse dorama na minha lista unicamente pela capa, que achei sensacional, e criei todo um imaginário de um drama grandioso. Pois bem, realmente o dorama oferecia e tinha possibilidade de ser algo sensacional pela temática: a anexação da Coreia ao Japão, um protagonista moralmente ambíguo servindo ao império, tensões políticas, violência colonial, fortes vínculos do passado e presente, traições, um grupo fazendo a resistência coreana e, o mais importante, a figura mítica do “Gaksital”, um símbolo de resistência. O cenário é, em teoria, perfeito para um dorama inteligente, intenso, recheado dos conflitos e emocionante, caso fosse uma obra séria, o que definitivamente não é o caso.

Bridal Mask, infelizmente, pega todo o potencial narrativo e joga no lixo em prol de um melodrama barato e extremamente repetitivo, usando toda a ambientação histórica e política puramente como nada, essa história poderia se passar em qualquer outro lugar, só mudaria os países que não perderia absolutamente nada. A narrativa perde coerência, os personagens tornam-se peças inconsistentes movidas por conveniências do roteiro, os tiros nunca acertam ninguém, só quando é necessário, e o conflito se repete em ciclos exaustivos de capturas e resgates sem propósito. O trio principal sofre com arcos frágeis - Kang-to é o melhor personagem dos três com folga, por mais que antes da virada de chave ele seja insuportável pela cegueira em captura o símbolo da resistência; o problema dele é puramente a repetição e a inconsistência do roteiro, que acaba prejudicando o todo, mas puramente como personagem, ele é interessante. Shunji de certa forma se torna interessante com virada até certo ponto, o problema é que ele vai ficando cego e acaba virando nada mais que um psicopata que só enxerga o Mask, no caso, ele se torna o Kang inicial e, por fim, Mok Dan é reduzida a uma pobre donzela em perigo, que só é protegida na maioria das vezes e nada mais.

Os personagens secundários, muitos deles apresentados como se fossem parte de uma grande teia política e social, acabam servindo apenas como decorações dramáticos, figuras que entram e saem sem impacto, sendo abandonadas quando não são mais convenientes para o melodrama. Há uma falsa complexidade no excesso de rostos, mas pouquíssima substância. A trama política vira pano de fundo decorativo, o romance é artificial e construído sobre idealizações vazias, ninguém ama eles pelo presente, é sempre o passado ou a idealização de um símbolo, e o dorama, apesar de seu potencial, falha em entregar densidade dramática, coerência interna, profundidade dos elementos e desenvolvimento real. No fim, é só mais um dorama com ideias fortes, temas importantes, mas execução pífia e tratado com superficialidade, preferindo o impacto raso do momento a profundidade real e duradoura.

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Completed
Sandglass
0 people found this review helpful
Dec 4, 2025
24 of 24 episodes seen
Completed 0
Overall 7.5
Story 7.5
Acting/Cast 8.0
Music 9.0
Rewatch Value 6.0

O testemunho de um período turbulento.

Sandglass é um drama histórico intenso e melancólico que retrata com brutal realismo a Coreia do Sul durante os períodos de repressão militar e do massacre de Gwangju. O dorama começa com enorme força emocional ao explorar a juventude turbulenta dos protagonistas, focando na sobrevivência e formação de identidade em meio à violência social. Na minha visão, é nesse início que está a parte mais interessante e humana da obra, no retrato da juventude caótica dos personagens, que atrelado ao visual hostil pelas cores frias, pela trilha sonora e paisagens suburbanas, o dorama cria mais intimidade e conexão. Contudo, conforme a trama avança e foca no retrato histórico, ela acaba sacrificando o íntimo e humano pelo histórico e político, que passa a ser a denúncia e motor central do drama. Os protagonistas tentam escapar do turbilhão ideológico, mas os personagens secundários - fervorosos, desesperados, consumidos pela causa - empurram a narrativa para as ruas, para a revolta, para o confronto entre estudantes e militares. De fato, tem sua força, é ousado, principalmente pelo realismo das cenas com o uso de filmagens reais das revoltas e da repressão militar, porém menos envolvente do que a construção inicial. Em contrapartida, a terceira parte do dorama, que foca no jogo político, nos cassinos e no controle das gangues, apesar dos pesares pela repetição, subtramas que se arrastam, tornando a narrativa exaustiva e desinteressante, péssimas escolhas narrativas e carência de algumas explicações é definitivamente mais interessante que a segunda parte do dorama por todo significado que os personagens passam a representar nesse mundo e o próprio nome do dorama, como o ideal ético que é soterrado pela corrupção sistêmica, o reflexo da violência social de um sistema mais monstruoso ainda e a população esmagada entre Estado e crime, sobrevivendo à custa da própria dignidade emocional e acima de tudo o significado da ampulheta no dorama, não apenas como metáfora da inevitabilidade, mas da impotência dos indivíduos diante de forças históricas esmagadoras. No geral, Sandglass mantém grande impacto ao misturar ficção com imagens reais e ao construir personagens complexos, dilemas universais e tragicamente marcados, permanece como testemunho sobre uma geração destruída pela violência institucional e pela falência da justiça.




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Completed
Que Sera Sera
0 people found this review helpful
Nov 3, 2025
17 of 17 episodes seen
Completed 0
Overall 7.5
Story 7.5
Acting/Cast 7.5
Music 7.5
Rewatch Value 8.0

Sobre o amor que vem e dura a vida inteira.

Que Sera Sera é mais do que um dorama romântico; é um estudo profundo sobre amor, desejo, caráter e maturidade humana. A trama se desenvolve a partir de quatro protagonistas que representam arquétipos universais: Han Eun-soo, a mulher humilde e autêntica; Cha Hye-rin, a mulher rica e mimada; Kang Tae-joo, o homem cafajeste; e Shin Joon-hyuk, o homem bom e íntegro. Cada personagem funciona como um espelho de valores, falhas e dilemas humanos, cujas falhas e virtudes tornam suas jornadas críveis e tornando a narrativa reflexiva, também mostra como decisões impulsivas podem ter consequências profundas e duradouras.

O cotidiano se torna palco de escolhas significativas, mostrando que amadurecer envolve tanto aceitar responsabilidades quanto lidar com os sentimentos conflitantes que surgem ao longo do tempo.

O dorama explora a diferença entre amor e desejo. Enquanto o desejo é passageiro e instintivo, ligado à atração superficial e à posse, o amor verdadeiro nasce da autenticidade, da bondade e da conexão emocional. Eun-soo, com sua humildade, serenidade e humanidade, desperta nos homens não apenas atração, mas o impulso de cuidar e proteger, revelando que o amor genuíno transcende o corpo e o status. Em contrapartida, Hye-rin ilustra o perigo do egoísmo e da vaidade, mostrando que riqueza e beleza sem autenticidade atraem desejo, mas não amor.

Tae-joo aprende a transcender o instinto e reconhecer o valor do amor verdadeiro mesmo com suas falhas; Joon-hyuk representa a constância e a integridade emocional, mesmo que isso o leve ao ciúme extremo e ao desejo de posse; Eun-soo atua como catalisadora moral, desafiando todos de forma passiva a confrontarem suas próprias falhas; e Hye-rin, por sua superficialidade, evidencia a ilusão que muitas vezes guia escolhas equivocadas, mas que ao longo do dorama vai amadurecendo. A obra demonstra que o amadurecimento afetivo exige autoconhecimento, responsabilidade e capacidade de transcender interesses imediatos.

Que Sera Sera propõe uma reflexão sobre os valores essenciais do ser humano. O amor não se constrói sobre riqueza, aparência ou status, mas sobre conexão genuína, respeito e autenticidade. O desejo instintivo pode seduzir, mas é a virtude, a humildade e a verdade que sustentam relações duradouras. Em última análise, a obra mostra que o verdadeiro amor é também uma forma de crescimento moral e espiritual.

Os pontos que prejudicam o dorama são algumas intrigas mal construídas no ambiente de trabalho, com aquele típico jogo de poder de escritório, e certos momentos sem peso, consequência da falta de tempo para um desenvolvimento mais aprofundado.

Em síntese, Que Sera Sera é uma narrativa que começa leve e até boba, lembrando mangás shoujo com protagonistas de boa aparência que tratam mal a personagem feminina, mas que, à medida que a história avança, amadurece. Analisado de uma perspectiva mais madura, revela-se um profundo estudo sobre amadurecimento e a capacidade de transcender interesses imediatos e acima de tudo, amor definitivamente não é o mesmo que atração e por esse motivo muitas vezes deixamos escapar o que mais importa e nada vida real muitas vezes não existe segunda chance.

Particularmente me impressionei com esse Dorama e com o arquétipo de cada personagem, apesar das falhas narrativas, sentir como se estivesse vendo "90 Days of Love" de novo.

Eun-soo ❤️

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Completed
It's Okay to Not Be Okay
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Oct 31, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 6.5
Story 6.5
Acting/Cast 6.0
Music 8.0
Rewatch Value 5.0

Um conto leve de feridas profundas.

No geral, gostei da obra e dos temas abordados. Definitivamente, não é um dorama ruim. O dorama acerta em sua proposta de discutir traumas, saúde mental e amadurecimento emocional, mas a execução não mantém a força que esses temas exigem. A comédia, por exemplo, acaba destoando da densidade da narrativa, com momentos em que ela quebra a imersão e enfraquece o impacto emocional das situações.

Alguns personagens do elenco principal também sofrem com a falta de desenvolvimento. São figuras com potencial, mas rasas pela ausência de uma história de fundo que os tornasse mais ricos. As resoluções na clínica, por sua vez, são tratadas de maneira superficial, parecendo soluções rápidas para conflitos complexos, a mãe da Ko Mun Young, que deveria funcionar como o grande clímax sombrio da obra é um excelente reflexo dessa limitação do dorama, pela superficialidade da preparação dela, foi um incêndio, mas em palha seca. Acredito que o dorama teria se beneficiado muito de um mini arco, talvez de três a quatro episódios, mostrando a infância dos personagens, suas interações, a relação com as mães com os mesmos, mais da mãe do meninos com a Mun Young criança, da própria Mun Young com o Gang Tae, mais da Mun Young com a Ju Ri e fins, até o dia derradeiro. Apenas flashbacks pontuais não foram suficientes para criar a base emocional necessária para o desfecho.

A trilha sonora, por outro lado, é excelente e contribui bastante para a atmosfera melancólica e poética do dorama. Ainda assim, It's Okay to Not Be Okay não chega a ser um dorama marcante, é uma obra boa, com temas fortes, mas que carece profundidade narrativa para atingir todo o potencial que possuía.

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Completed
I'm Sorry, I Love You
0 people found this review helpful
Oct 25, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 5.0
Story 3.0
Acting/Cast 6.0
Music 8.5
Rewatch Value 3.0
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"Vamos nos encontrar em nossa próxima vida, então eu nunca vou te perder."

No geral, I'm Sorry, I Love You é um péssimo dorama narrativamente, pois o desenvolvimento, a construção da aproximação entre os personagens e o desenrolar das interações são rasos e mal executados. O dorama aposta excessivamente em takes em slow motion e long shots, que deveriam ter peso narrativo e profundidade, mas só funcionam quando a base da história está sólida, o que não é o caso aqui. Além disso, diversas ações dos personagens são ilógicas ou incoerentes, tornando grande parte do tempo desperdiçado.

Na prática, I'm Sorry, I Love You tem uma ótima ideia: trata do abandono, do destino, da complexidade das relações humanas marcadas pela dor e pelo ressentimento, mostrando como o peso esmagador do passado molda identidades e vínculos afetivos. Tenta explorar dilemas éticos e emocionais, trazendo à tona reflexão sobre perdão, inevitabilidade das escolhas que alteram vidas e sobre o quanto o amor pode salvar, ferir e transformar. No entanto, a execução dessa ideia que poderia deixar todos os elementos robustos é péssima.

No mais, a trilha sonora é excelente, e há bons momentos ao longo da obra, o cenário e a fotografia também são competentes. O início é demasiado estático, e o ápice do dorama só surge perto do final, mesmo com o irritante jogo de “agora quero, agora não quero, vou sumir, agora apareço de novo” apenas para encher tempo de tela. O desfecho, no cemitério, é de fato excelente, embora não triste, até porque o dorama não consegue construir tensão emocional suficiente até ele pelo desenrolar pífio da narrativa.

PS: Song Eun Chae é apaixonante. (Provavelmente a terceira ou quarta no máximo personagem feminina de Dorama que dá vontade de proteger com todas as forças)

PS2: O especial animado é melhor que todo o Dorama.

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Completed
Beautiful Love, Wonderful Life
0 people found this review helpful
Oct 16, 2025
100 of 100 episodes seen
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 4.0
Music 5.0
Rewatch Value 3.0
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Beautiful Love, Wonderful Life: A vida, bela e imperfeita, mas mal contada

Há obras que prometem revelar a beleza escondida na vida comum e "Beautiful Love, Wonderful Life" tenta ser uma delas. Seu olhar é terno, mas sua execução é dispersa. O Dorama tenta ser uma reflexão sobre o perdão, o amor e a reconstrução pessoal, mas o faz em meio a um labirinto de episódios que giram sobre si mesmos sem realmente se aprofundar. O que poderia ser um drama tocante sobre humanidade torna-se, aos poucos, um exercício de paciência.

A narrativa se divide entre duas irmãs: Kim Seol Ah, que sacrificou o amor/ a família em nome da ascensão social/materialismo, e Kim Cheong Ah, que carrega a culpa/mentira e a doçura das almas que tentam se redimir. A ideia é clara, contrastar o material e o espiritual, o brilho e a sombra, a aparência e o real, a mentira e a verdade. No entanto, o roteiro se perde em círculos, retornando aos mesmos dilemas com pequenas variações, sem nunca atingi-los em profundidade. São 100 episódios que poderiam, com sobriedade e propósito, caber em menos episódios sem que se perdesse nada e talvez ganhasse tudo: densidade, ritmo e emoção genuína.

Os personagens secundários, que poderiam servir de espelho ou contraponto mais profundo, tornam-se apenas preenchimento de tempo, orbitando a trama sem função dramática real. São ecos do mesmo tema, mas sem substância; figuras que surgem e desaparecem, deixando mais ruído do que sentido. Essa falta de foco enfraquece a estrutura e impede que a reflexão moral - sobre culpa, perdão e amadurecimento - alcance força verdadeira.

O que o drama tenta comunicar é compreensível e até nobre: o perdão como redenção, a ideia de que a vida, com todas as suas falhas, ainda é digna de amor, de que não vale nada uma casa gigante, mas fria e há um ponto de inflexão que o roteiro bate, mas acaba ignorando: nem tudo precisa ser perdoado, nem todos os arrependimentos devem ser recompensados. O desfecho entre Seol Ah e Do Jin Woo trai o próprio ensinamento do Dorama. Se ele, que sempre teve tudo o que quis, tivesse perdido o amor dela para Moon Tae Rang, o homem simples e sincero, o drama teria transmitido uma lição muito mais valiosa: a de que o amadurecimento não garante a conquista, e que aceitar a perda é, por si só, a forma mais honesta de crescimento.

Da mesma forma, Kim Cheong Ah e Goo Joon Hwi mereciam um final menos apressado, mais simbólico — a promessa na França, anos depois, teria sido o encerramento natural de um arco construído sobre esperança e reconstrução. Em vez disso, a pressa em resolver tudo dilui o impacto emocional e banaliza a jornada de duas pessoas que mereciam um epílogo digno da delicadeza que viveram.

Ainda assim, há méritos que resistem. Há momentos sinceros de ternura. O subtexto na relação entre Kim Young Woong (o pai) e Kim Yeon Ah (a filha mais nova), que representam o materialismo e o culto à aparência, o retrato de uma geração que confunde valor com status. Essa crítica social é sutil, mas talvez seja o elemento mais lúcido do Dorama.

No fim, Beautiful Love, Wonderful Life é um dorama que queria falar sobre a beleza da vida, mas acabou se perdendo na tentativa de explicá-la demais. É longa onde deveria ser breve, rasa onde prometia ser profunda, e condescendente onde poderia ser honesta. Ainda assim, há ali uma centelha verdadeira, uma tentativa de encontrar luz nas pequenas dores humanas. É pena que essa luz se dissipe no excesso de moralismo e na falta de coragem de aceitar o inacabado.

Uma obra de bons momentos e intenções sinceras, mas mal estruturada, redundante e incapaz de sustentar o peso das próprias lições. Beautiful Love, Wonderful Life tinha tudo para ser uma reflexão tocante sobre o perdão, verdade e a simplicidade, mas preferiu o caminho seguro e, por isso, acabou esquecível.

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Completed
Flower of Evil
0 people found this review helpful
Aug 6, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 8.0
Story 8.0
Acting/Cast 8.0
Music 8.0
Rewatch Value 8.0
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“O lugar onde a Estrela da Manhã repousa”.

"Você conhece Hefesto, o deus grego dos ferreiros, metais e fins? Ele era rejeitado pelos deuses e passava seu tempo na oficina. Mas seu grande amor era Vênus, o planeta que também é chamado de Estrela da Manhã. Eu passei tanto tempo nesse lugar pensando em você. Então decidi chamar esse lugar de 'Onde a Estrela da Manhã repousa'. Porque você sempre esteve na minha mente nesse espaço onde eu passo a maior parte do tempo."

Flower of Evil aposta em reviravoltas progressivas e numa estrutura de suspense sustentada por revelações graduais. O mérito do dorama está na forma como equilibra tensão e emoção: o protagonista não é apenas um possível assassino, mas também uma vítima da negligência social e do estigma, alguém que tenta desesperadamente reescrever seu destino, ainda que não possa apagar seu passado. A ambiguidade moral é constante, com o roteiro tensionando entre a empatia e o julgamento.

Lee Joon Gi entrega uma performance contida e poderosa, sustentando o papel de um homem dividido entre a máscara que construiu e a verdadeira natureza de seus sentimentos. Moon Chae Won, por sua vez, representa a perspectiva do confronto com a verdade, seu arco é menos sobre a investigação criminal e mais sobre o reconhecimento do outro na dor, na dúvida, no amor que resiste à quebra da confiança. Os vilões reforçam o tema central da narrativa: ninguém é inteiramente definido por sua origem, mas sim pelas escolhas que faz diante dela. Os antagonistas não apenas tensionam a trama, mas aprofundam o dilema moral do protagonista. Sua presença constante mantém viva a questão que o dorama levanta do começo ao fim: é possível escapar da escuridão quando ela foi o seu berço?

A direção valoriza os close-ups, as tomadas mais lentas e os silêncios, dando peso dramático às emoções contidas. A trilha sonora pontua bem os momentos de maior tensão, embora em certos pontos tenda ao melodrama excessivo. O ritmo é eficiente, mas o dorama poderia ter sido mais conciso: alguns episódios exploram conflitos já estabelecidos, com variações mínimas que estendem muito drama.

Flower of Evil é uma história sobre redenção e reconstrução da identidade. Questiona se é possível recomeçar quando a sociedade insiste em reduzir o indivíduo ao seu passado. Propõe que o amor verdadeiro só existe quando somos capazes de olhar para o outro com todos os seus monstros e ainda assim escolher ficar. No geral é um Dorama envolvente, bem atuado e emocionalmente intenso. Apesar de algumas repetições e de um sentimentalismo pontual, sua força está na capacidade de transformar um thriller criminal em uma meditação sobre amor, culpa e a possibilidade de cura. Uma história que, no fundo, fala sobre o medo de não sermos amados por quem realmente somos e sobre a coragem de amar mesmo assim.


PS. Curiosidade interessante é que pelo menos dois cenários nesse drama também são cenários do Dorama The Smile Has Left Your Eyes: a delegacia e onde a irmã do protagonista mora

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