O arco da fuga da prisão foi, sem dúvida, o ponto de virada da trama. Foi nesse momento que Defendant realmente começou a me cativar, trazendo mais dinamismo e uma tensão palpável. No entanto, há um momento que me irritou profundamente: quando eles deixam a corda para trás. Achei aquilo desnecessário e, para ser sincero, uma forma preguiçosa de esticar a trama, gerando uma tensão artificial.
Os pontos altos de Defendant estão, sem dúvida, nos últimos seis episódios. A resolução da história é satisfatória, e, apesar de o desfecho ser previsível, ele ainda consegue ser bom e envolvente. No fim, os personagens recebem o que merecem, o que traz um senso de justiça e fechamento à narrativa.
Embora Defendant tenha um enredo sólido e um bom clímax, a maneira como alguns pontos são abordados ao longo da história, especialmente no desenvolvimento do protagonista, deixa a desejar. A obra poderia ter sido mais intensa e inteligente em sua execução, com escolhas narrativas mais precisas e personagens mais bem construídos.
Em resumo, Defendant é um drama que tem seus altos e baixos. Ele oferece um bom entretenimento e uma resolução gratificante, mas peca em elementos cruciais, como a caracterização do protagonista e algumas decisões de roteiro. Por isso, a minha avaliação final fica em 6,5/10, uma nota acima da média, mas longe de ser uma obra impecável.
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A atuação também é bastante padrão, sem grandes destaques. Nenhum dos personagens se destaca de maneira significativa, o que torna difícil se conectar ou realmente torcer por eles. A própria Kim Bok Joo, apesar de ser uma personagem central, não é suficientemente aprofundada para causar um grande impacto. O elenco, em geral, parece estar apenas cumprindo seu papel, sem grande emoção ou complexidade, o que diminui o potencial da obra.
As piadas, embora presentes, não são eficazes e não conseguem gerar muitas risadas ou sequer arrancar um sorriso genuíno. A famosa "MESSI", que sempre é citada, é um exemplo de uma tentativa de humor que não se sustenta de maneira interessante ou memorável. A comédia parece forçada, não fluindo de forma natural dentro da narrativa.
A história segue a fórmula típica do dorama, com o "garoto bonito" sendo um dos melhores atletas da escola, e claro, ele tem uma ex-namorada "louquinha". Esses clichês são abordados sem grande inovação, e os acontecimentos são facilmente previsíveis. Como resultado, a trama perde força à medida que avança, não trazendo grandes surpresas ou profundidade.
Weightlifting Fairy Kim Bok Joo é um dorama descontraído, sem muitas pretensões, ideal para quem quer algo leve e sem maiores reflexões. Não há grande profundidade nas relações ou nas questões abordadas, mas isso não significa que não tenha seu público. Ele é um exemplo clássico de um dorama “água com açúcar”, fácil de assistir, mas que não acrescenta muito ao gênero.
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A premissa de Black inicialmente parece promissora e interessante, mas ao longo dos episódios, ela se revela aquém das expectativas. O drama se perde em alguns momentos, especialmente nos primeiros episódios, onde a história parece não se levar a sério. A presença dos ceifeiros, seres que observam os humanos por décadas, mas não sabem que as pessoas precisam usar calças, chega a ser ridícula. É como se a obra estivesse tratando o telespectador com desdém, o que, apesar de me fazer rir em certos momentos, não deixa de ser uma escolha narrativa sem noção.A protagonista é, sem dúvida, um dos pontos mais irritantes do drama. Ao invés de agir de forma mais natural, ela força constantemente as situações, o que torna suas ações e as primeiras tramas menos envolventes. No entanto, a partir do episódio 9, a trama começa a ganhar um ritmo mais interessante. O protagonista masculino, que inicialmente é insuportável, especialmente no primeiro episódio com suas reações exageradas ao ver cadáveres, acaba se tornando mais tolerável após os eventos que seguem sua morte e a posse de seu corpo pelo ceifador.
O drama, para mim, deveria ter se mantido mais sombrio e sério, mas há momentos de comédia que, na minha opinião, tornam a obra cansativa em diversos pontos. Em alguns episódios, o tom não parece condizer com o tema central, o que prejudica a experiência, pois a obra parece perder foco entre os momentos de tensão e as tentativas de inserir humor.
Apesar de algumas falhas, como a trama rasa do romance e a falta de maior profundidade nos personagens, a obra tem qualidades. A principal delas é a conexão entre os eventos, algo que, no geral, foi bem estruturado, apesar de algumas soluções previsíveis. O fato de tudo ser orquestrado por uma única pessoa, com motivações aparentemente aleatórias, faz com que a história, no fundo, se torne um pouco forçada. A sugestão de que a protagonista é metade ceifadora e metade humana, explicando sua habilidade de ver a morte das pessoas, é uma teoria plausível, assim como a ideia do ceifador ser capaz de ver o futuro das mortes.
A fotografia do drama também é um ponto positivo, com cenas bem produzidas e que ajudam a criar uma atmosfera envolvente. Os últimos 30 minutos do drama, de fato, são de grande impacto e oferecem uma conclusão satisfatória, embora a resolução de alguns aspectos do enredo, como o destino do deus do mundo, permaneça em aberto, o que pode frustrar alguns espectadores.
Black é um bom drama, mas se você não for fã de enredos que misturam investigação, crimes e o sobrenatural, pode achar a trama arrastada e, em alguns momentos, monótona. O romance, por sua vez, é raso e carece de intensidade, o que prejudica o envolvimento emocional do telespectador. Para quem está mais acostumado com esse tipo de enredo, pode ser mais cativante, mas, para mim, foi uma experiência um pouco aquém do esperado.
Em conclusão, Black tem qualidades interessantes, como a conexão dos eventos e a fotografia, mas peca em momentos cruciais pela falta de profundidade e pela inconsistência tonal. A obra tem um bom potencial, mas se perde ao tentar equilibrar comédia e drama, e a falta de explicações mais claras para alguns aspectos do universo do drama acaba deixando questões em aberto. Para quem gosta do gênero, pode ser uma boa pedida.
No fim, nunca explicaram o deus desse mundo, mas enfim... é isto.
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Agora, os problemas. E eles não são poucos. O primeiro grande incômodo é a quantidade de furos de roteiro. A história se apoia em conveniências absurdas e em resoluções que simplesmente não fazem sentido dentro da própria lógica da trama. Isso fica ainda mais evidente na morte forçada e sem propósito da protagonista, um dos momentos mais mal trabalhados do dorama. A cena, que deveria ser emocionalmente impactante, acaba sendo apenas frustrante, pois parece acontecer apenas por necessidade de drama barato e não como uma consequência natural da história.
Outro grande problema é a atuação medíocre de Lee Dong Wook como o Ceifador (Grim Reaper). O personagem tinha bastante potencial, mas seu desenvolvimento é praticamente nulo, sua personalidade é rasa e sua presença na trama acaba sendo bem menos significativa do que poderia. Sinceramente, não entendo o motivo de tanta idolatria em torno dele, já que sua performance não acrescenta nada de realmente memorável à obra.
No final, Goblin é um dorama que impressiona visualmente, mas falha em entregar uma narrativa coesa e emocionalmente envolvente. Sua estética grandiosa e trilha sonora impecável não são suficientes para sustentar um roteiro cheio de inconsistências e personagens mal desenvolvidos. É o típico caso de uma obra que tinha tudo para ser excelente, mas se perde em escolhas questionáveis e no excesso de melodrama sem profundidade.
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A premissa do drama já não é algo genial, e como eu suspeitava, eles ainda conseguem errar fazendo o simples.A história começa com o príncipe da corte do reino de Yuan emboscando a rainha do reino de "Goryeo", que é ferida fatalmente. Ninguém no reino tem a capacidade de salvá-la, então, sob ordens do Rei, o general é enviado até os "céus" para trazer uma médica, pois só as pessoas de lá têm a habilidade de cura necessária. A ideia central até parece interessante, com esse entrelaçamento entre o mundano e o sobrenatural, mas a execução falha em diversos aspectos.
Sinceramente, à primeira vista, poderia parecer algo espetacular e promissor, mas, na realidade, é uma grande bagunça. A trama se perde em seus próprios recursos e não consegue manter a coesão de uma narrativa envolvente.
Os personagens são um dos pontos mais fracos da obra. Com exceção do general, que é o único que possui um desenvolvimento mínimo (sabemos um pouco sobre suas frustrações, seu passado e o motivo de suas ações), os outros personagens não são bem explorados. O Rei, que apresenta uma pequena mudança ao passar a querer se libertar das garras do príncipe da corte de Yuan, e Ki Cheol, o príncipe, são pouco desenvolvidos. O que é mais frustrante é que os personagens secundários aparecem apenas como ferramentas do roteiro, sem qualquer profundidade, e são descartados à medida que a história avança. Não há interesse no que acontece com eles, pois não foi investido tempo em criar uma ligação mais forte com o espectador.
Em relação à trilha sonora, ela é mediana: não se destaca, mas também não compromete. Não é uma música que vai ficar na memória, mas também não é algo que prejudique a experiência do espectador. No entanto, o grande erro é que, mesmo sem grandes falhas musicais, ela não contribui efetivamente para a imersão no drama.
A ambientação é outro ponto que compromete a obra. Não sei se foi uma escolha intencional ou uma falha técnica, mas a ideia de "antigo" se perde em efeitos medíocres e cenários que são, no mínimo, decepcionantes. A transição entre as cenas também é um grande erro, especialmente quando se foca constantemente no mesmo ângulo para mostrar o castelo, o que transmite uma falta de criatividade no uso do cenário. O problema não é só a repetição, mas a falta de imaginação na hora de criar uma sensação de grandiosidade e misticismo.
Além disso, o maldito portal, que é um dos maiores elementos que move a trama, simplesmente aparece sem qualquer explicação. Ele é jogado na história como um artifício para avançar a narrativa, mas sem aprofundamento sobre sua origem ou seu propósito. Os personagens com poderes também são introduzidos sem qualquer contextualização ou justificativa plausível. A separação dos poderes e a forma como eles interagem entre si nunca é explicada, o que deixa o espectador com muitas perguntas e sem respostas.
Apesar de todos esses problemas, existem algumas poucas coisas que funcionam no drama. O personagem do general, por exemplo, é razoavelmente cativante, e a interação entre ele e a médica é um dos poucos aspectos que trazem algo mais genuíno à obra. O enredo tem potencial, mas não é bem aproveitado.
O final, apesar de ser feliz, não apaga os erros cometidos ao longo da trama. Ele oferece uma resolução, mas não é suficiente para corrigir todos os furos e a falta de desenvolvimento que permeiam toda a obra. O drama, no fim, acaba se mostrando uma grande oportunidade perdida, uma história com uma premissa interessante que se perde pela falta de coesão e profundidade.
Em resumo, "Faith" é um drama que poderia ter sido muito mais do que foi, mas falha em quase todos os aspectos essenciais para criar uma obra realmente envolvente. Não justifica seu tempo de exibição, especialmente com tantos elementos mal explorados e pontos que ficam soltos sem nenhuma explicação convincente.
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A Calm Sea and Beautiful Days with You
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Foi então que decidi assistir Nami Uraraka ni, Meoto Biyori (2025), e acabou sendo uma boa escolha. É uma história aparentemente simples, com toques de humor e tristeza, que acompanha a vida de um casal recém-casado e completamente inexperiente. A princípio, parece apenas um retrato cotidiano de dois jovens tentando construir uma vida a dois, mas à medida que a narrativa avança, torna-se uma jornada sensível de amadurecimento e conexão afetiva.
Mesmo com sua leveza, o Dorama carrega uma melancolia silenciosa. Sabemos, com o olhar de quem conhece a história, que alguns anos depois o Japão entraria na Segunda Guerra Mundial, e tanto o exército, a aeronáutica quanto, principalmente, a marinha, onde Takimasa serve, seriam praticamente dizimados. Ou seja, as chances de ele ou mesmo de Ryunosuke terem sobrevivido são quase nulas. Essa camada de tragédia histórica, ainda que não dita explicitamente, paira sobre toda a narrativa como uma sombra sutil, tornando o final bem doloroso.
A série também retrata com bastante sensibilidade o sofrimento silencioso das mulheres que ficam. A solidão de ser esposa de um marinheiro, os pesadelos constantes, a espera angustiante pela trágica notícia que pode chegar a qualquer momento pelo rádio. Cada momento vivido pode ser o último - a última conversa, o último abraço, o último beijo. É justamente na simplicidade desses momentos cotidianos que a série encontra sua força: valoriza o efêmero, o pequeno, aquilo que será perdido sem alarde.
As personagens femininas são adoráveis, tanto pela sua doçura ou carisma ou por representarem com muita dignidade a resiliência diante da incerteza e da dor. Elas sustentam emocionalmente a história com profundidade e delicadeza.
No fim, Nami Uraraka ni, Meoto Biyori é mais do que um drama sobre um casal jovem — é uma lembrança de como os afetos são moldados pelo tempo em que vivemos e de como até as histórias mais simples podem carregar um peso histórico imenso, desde que contadas com verdade e sensibilidade, coisa que Welcome to Samdal-ri definitivamente não foi.
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A série também faz uso da Arte da Guerra, aplicando suas estratégias tanto no campo militar quanto no político, o que dá um tom mais realista e interessante às intrigas da trama.
A história começa com uma pequena escrava e sua mãe, que são levadas para Yuan como concubinas. Durante a jornada, um príncipe, ao ver como elas são tratadas, decide libertá-las. A mãe de Nyang acaba sacrificando sua vida para protegê-la, o que dá início a uma jornada de vingança contra os responsáveis pela destruição de sua família e do seu povo.
O enredo se passa no momento em que Goryeo está submisso ao Império de Yuan, tendo que enviar tributos humanos. A série nos mostra logo de cara que o verdadeiro poder de Yuan não está no Imperador, mas sim nas mãos de El Temur, o regente, que se torna o maior responsável pelos conflitos enfrentados pelos três protagonistas. A trama é movida por conspirações, traições e uma busca implacável por poder, com Nyang se tornando uma das figuras centrais.
O início é, sem dúvida, o ponto mais forte do drama. A forma como o enredo prende o espectador, com os conflitos sendo bem resolvidos, e como os personagens lidam com suas frustrações e ambições, é muito bem trabalhada. As traições e manipulações geram um ambiente tenso e envolvente, fazendo o telespectador querer saber o que vem a seguir.
Após esse início, o drama introduz uma narrativa dupla: uma que ocorre no palácio de Yuan, com Nyang, e outra na fronteira de Yuan, com Wang Yoo enfrentando os turcos. Essa alternância entre batalhas e estratégias políticas mantém o ritmo da história interessante e dinâmico.
Porém, depois que esse arco se resolve, a série volta a focar apenas no palácio, e aqui o drama começa a mostrar suas falhas. Embora o drama continue a ter algumas reviravoltas, o ritmo começa a cair, com certos arcos ficando cansativos. A tensão e a empolgação que antes eram predominantes começam a se perder, tornando o desenvolvimento mais monótono. Isso foi especialmente perceptível após a união dos "mocinhos" para derrotar El Temur, quando a história se estende ainda mais e entra em um ciclo de disputas internas, como se nada tivesse sido aprendido com as traições anteriores. Essa repetição de trama, com Bayan assumindo um papel semelhante ao de El Temur, foi desnecessária e diluiu o impacto da história.
Os personagens são bem construídos, especialmente Nyang, que evolui consideravelmente, indo de uma simples escrava a uma mulher de grande poder. O Imperador também tem uma evolução interessante, passando de um personagem inseguro para alguém mais firme, tudo devido à influência de Nyang. Essa transformação deles é um dos maiores méritos da série.
Quanto ao triângulo amoroso, ele traz uma dinâmica interessante. Wang Yoo representa Goryeo, e o Imperador, Yuan. A medida que Nyang se aproxima de um, se afasta do outro. Quando ela se torna concubina do Imperador, não é por amor, mas por vingança, o que é um ponto crucial na personagem. Em alguns momentos, fica claro que Nyang não tem amor genuíno pelo Imperador, mas sim um afeto mais pragmático. Ela o usa como meio para alcançar seus objetivos. Ao mesmo tempo, o amor que ela sente por Wang Yoo, que representa o ideal de Goryeo, é mais verdadeiro, mas também está preso a ambições e sentimentos de lealdade. O dilema de Nyang em relação a seus próprios sentimentos e suas ambições torna a personagem muito mais complexa e, às vezes, difícil de simpatizar.
Embora a série apresente um bom retrato de fatos históricos, retratando a vida de Imperatriz Ki, uma das figuras centrais do Império Yuan, ela também se perde em excessos. A obra tenta ser grandiosa em sua narrativa, mas às vezes se enrola em arcos desnecessários e repetitivos. O drama poderia ter sido encerrado de forma mais eficiente entre os episódios 38 e 39, quando a maioria dos vilões foi derrotada. No entanto, o roteiro estende a trama por mais episódios, trazendo novas batalhas e intrigas que, embora rápidas, acabam sendo repetitivas e um pouco cansativas.
Em conclusão, "Empress Ki" é um ótimo drama no geral, cheio de intrigas e personagens interessantes, mas não escapa das armadilhas de estender demais a trama e cair em repetição. Apesar de suas falhas, como os arcos desnecessários e o ritmo inconsistente, ele ainda consegue manter o interesse do espectador, especialmente por suas estratégias políticas, lutas pelo poder e pela maneira como os personagens se desenvolvem. A história da ascensão de Nyang e a evolução de outros personagens são bastante satisfatórias, mas o excesso de conflitos internos no final prejudica um pouco a obra. Para quem gosta de dramas históricos com um toque de intriga política, "Empress Ki" é uma boa escolha, mas não está longe de ser uma experiência mais satisfatória se tivesse sido mais enxuta.
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Os dois protagonistas são o ponto central da história, e suas trajetórias estão repletas de cicatrizes do passado e arrependimentos. A busca por uma nova chance, por cura e superação, é a força motriz que move a trama. Gang-Doo, em particular, é o personagem mais marcado pelo sofrimento, e sua evolução ao longo da série é notável. Mesmo diante da dor, ele é alguém que, ao longo da trama, percebe o quanto é amado pelas pessoas ao seu redor, o que reforça o tema central do drama: a capacidade de se reerguer, mesmo diante das maiores adversidades.
A premissa do dorama gira em torno de um desabamento em um shopping que deixou 48 vítimas 10 anos antes. Dez anos depois, alguns dos sobreviventes se reencontram. Alguns conseguiram seguir em frente, outros não. Essa ideia de superação é o coração da história, transmitindo uma lição valiosa sobre como continuar a viver, ser feliz e encontrar esperança mesmo após grandes tragédias. O drama, portanto, trata da forma como lidamos com perdas e como honramos aqueles que não sobreviveram, seguindo em frente com coragem.
A trilha sonora é muito boa, com uma escolha musical que combina bem com o clima melancólico e sombrio da história. O sofrimento dos personagens, por mais que, em alguns momentos, tenha soado um pouco forçado, consegue realmente tocar o telespectador. O ambiente da série reflete as emoções e o tormento de cada um deles, e a direção transmite isso de forma eficaz, criando uma atmosfera de aflição e tensão.
No entanto, há pontos que poderiam ter sido melhor explorados. Um deles é o motivo do desabamento do shopping. A trama não apresenta uma explicação clara para esse evento, e essa falta de resolução deixa uma lacuna importante na narrativa. Outro aspecto que senti falta foi da relação de Gang-Doo com a Vovó e com Ma-ri. A conexão entre eles parecia um tanto superficial e poderia ter sido mais profunda e emocionalmente impactante, especialmente considerando o que a Vovó fez pela história. A forma como isso foi desenvolvido não fez jus ao peso da ação dela. Também senti que o encerramento do memorial, que foi trabalhado ao longo da série, acabou sendo deixado de lado no final. Esse detalhe, que poderia ter trazido um fechamento importante à trama, foi negligenciado.
Por fim, o maior exemplo de conveniência de roteiro é a sobrevivência de Gang-Doo. Apesar de ser uma escolha que pode ser vista como forçada para garantir um final mais otimista, eu, pessoalmente, gostei dessa decisão. Gang-Doo passou por tantas provações ao longo do drama que, de certa forma, ele merecia um final que não fosse marcado pela tragédia. Esse toque de esperança, apesar de ser uma conveniência narrativa, trouxe uma sensação de justiça ao seu sofrimento.
Just Between Lovers, é um drama envolvente, que emociona pela sua abordagem sobre perda, sofrimento e superação. No entanto, ele deixa a desejar em alguns pontos, como na falta de explicações para eventos-chave, no desenvolvimento superficial de certas relações e no descuido com aspectos que foram bem trabalhados, como o memorial. Apesar disso, o dorama entrega uma mensagem valiosa sobre a capacidade humana de seguir em frente, tornando-o uma obra que, embora não perfeita, é bastante cativante e tocante.
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Todas acreditam merecer um Sang Yan, mas poucas têm o coração piedoso e santo como Wen Shuang Jiang.No final, apesar dos pesares - principalmente em relação aos primeiros episódios, que beiram o nonsense - a experiência valeu a pena. O maior problema inicial está no arquétipo idealizado do protagonista: um “homem perfeito” cujos sentimentos ardentes por ela não recebem uma construção realmente lógica. Sendo uma história, era necessário haver camadas, conflitos internos e motivações mais bem trabalhadas e não apenas ama ela loucamente e vou fazer de tudo “porque sim”. A protagonista, por outro lado, possui certa profundidade. Suas decisões equivocadas às vezes incomodam, mas ao menos há tentativas de desenvolver suas contradições. O personagem masculino de apoio, Su Hao An, também teve momentos interessantes e camadas mais perceptíveis - algo que curiosamente faltou ao próprio protagonista. Já os amigos de infância da Wen Shuang Jiang são quase figurantes é só possuem o nome de amigos de infância, pois raramente aparecem nos momentos do passado dela, o que enfraquece a construção emocional dessas relações. Outro ponto questionável é a inclusão de “rivais masculinos” que claramente não têm a menor chance. Soa como tempo de tela desperdiçado, um recurso previsível para criar tensão artificial.
Ainda assim, descontando esses problemas e considerando os clichês e certas cafonices típicas do gênero - afinal, há um público-alvo específico - foi uma boa maratona. Gostei bastante da trilha sonora, do progresso gradual do relacionamento dos protagonistas e, especialmente, da Zhong Si Qiao, que trouxe um frescor e carisma importantes para a narrativa, mesmo carecendo de profundidade, principalmente em relação a sua amizade com a protagonista feminina.
"Quero viver seis anos a mais do que você. Assim, posso te amar por mais seis anos para compensar pelos dias que eu te deixei para trás, então estaremos quites." - Wen Shuang Jiang para Sang Yan no episódio 31.
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"Os granizos caíram nas águas do arrozal de Haecheon.Da última vez que amaram, como uma mentira, derreteram-se.
Ela pensou nele, a quem deixou no prado.
Por quanto tempo devo vagar na periferia da dor a fim de apagar tais lembranças?
Se memórias de amor também são como granizos, se são como um boneco de neve perdido na estação errada, o arrependimento é desnecessário, portanto, rezo para que desvaneça.
No prado solitário a solidão permanece.
Um amor passado vai além do oblívio.
Assim como eu, se ao menos pudesse atravessar esse campo de futilidade."
Tinha tudo para ser um excelente slice of life. A atmosfera existe - reflexiva, melancólica, aconchegante - sustentada por uma produção muito acima da média: trilha sonora sensível, paisagens montanhosas cobertas de neve, a floresta como espaço simbólico de introspecção e a tentativa constante de dialogar com poesia e silêncio. Os temas abordados são fortes e relevantes, especialmente trauma, memória, padrões emocionais e a relação entre passado e presente. O problema é que tudo isso fica no plano da intenção. Os personagens apenas simulam desenvolvimento: tocam superficialmente em suas feridas, mas raramente enfrentam ou transformam algo de fato. A extrema falta de comunicação, longe de ser sempre um recurso narrativo, torna-se frustrante e artificial, há momentos em que o silêncio não comunica, apenas paralisa a narrativa. Soma-se a isso inconsistências graves de roteiro, como a prisão da mãe da Mok Hae Won, tratada de forma excessivamente obscura e mal explicada, especialmente considerando a possibilidade de legítima defesa. A ausência de esclarecimento enfraquece o peso dramático do conflito e passa mais a impressão de conveniência narrativa do que de realismo emocional, fora as transições de cenas que são horríveis, a história parece picotada. No fim, o dorama escolhe retratar a estagnação como estado final, sem mudança ou verdadeiro amadurecimento. E esse é talvez seu maior erro: confundir realismo com imobilidade. A estética é bela, os temas são promissores, mas a execução carece de coragem para ir além da contemplação. Talvez seja por isso que é tão bem avaliado, tem sabor de profundidade, mas evita o desconforto necessário para realmente ser.
"Eun Sil, pode ser sufocante para você. Você deve achar que não é nada de especial, mas, para mim, chamo esse tipo de cotidiano de felicidade. O sonho de outras pessoas pode ser ir para a melhor universidade, ser famoso, viajar pelo mundo ou ir até a lua, mas para mim, depois de sair da faculdade, ter minha vida cotidiana comum e viver cada dia bem organizado, esse era o meu sonho. Viver diligentemente e normalmente é o que me faz feliz. Eu sei disso." - Essa frase do Lee Jang Woo, que eu complementei, me resume.
PS: Apesar de não ter uma história de fundo, a garota do encontro às cegas com Lee Jang Woo é bem melhor que a Ji Eun Shil. Ji Eun Shil é tenebrosa demais.
PS2: Kim Bo Young se mostrou ser bem melhor que a Mok Hae Won, principalmente perto do final, que tomou umas decisões bem merda. Estupidez ter abandonado o Eun Seob (apesar dele não ser expressivo e nem comunicativo em pedir pra ela ficar) e pq diabos ela foi visitar o Oh Young Woo?! Nem faz sentido.
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"Na Grécia antiga, especialmente em Parmênides e depois em Platão, a verdade (alétheia) não é algo que se “produz”, mas algo que se desvela. O verbo grego carrega a ideia de retirar o véu: a realidade, em sua essência, já é verdadeira, e o papel do filósofo é afastar as aparências (dóxa) que obscurecem esse núcleo estável do ser. No Mito da Caverna, Platão formula de modo quase narrativo essa cisão: a verdade é aquilo que permanece idêntico a si mesmo, fora do jogo das sombras, e o erro não é uma mentira deliberada, mas uma condição existencial de quem vive aprisionado à superfície do sensível. Aristóteles, embora mais empírico, preserva esse horizonte ontológico: a verdade é a adequação entre o intelecto e o ser. Ainda há, portanto, um mundo que precede o sujeito, e o juízo verdadeiro é aquele que consegue se conformar com essa ordem objetiva. A ideia - o eidos - não nasce como invenção subjetiva, mas como forma inteligível que estrutura a realidade e que a razão pode captar.
Quando avançamos para a modernidade, essa arquitetura se inverte. Em Descartes, a verdade já não começa no ser, mas no sujeito: cogito, ergo sum. O fundamento desloca-se do mundo para a consciência. Em Kant, esse deslocamento se radicaliza: não conhecemos as “coisas em si”, mas apenas os fenômenos tal como aparecem sob as formas e categorias do entendimento. A verdade deixa de ser desvelamento do real e passa a ser, em larga medida, coerência dentro de um sistema de representação.
No modernismo e nos desdobramentos contemporâneos ela se torna ainda mais instável e obscura: não apenas mediada, mas atravessada por linguagem, vontade, discurso e relações de poder.
É nesse ponto que Pinocchio se torna surpreendentemente “grego” e, ao mesmo tempo, profundamente moderno. A chamada “síndrome de Pinocchio” funciona como uma alegoria da alétheia: o corpo da protagonista reage à mentira como se a verdade fosse uma força ontológica que não pode ser suprimida sem consequências físicas. A verdade, aqui, não é apenas um acordo social ou uma convenção discursiva - ela se impõe, quase como uma lei do ser. Nesse sentido, o dorama ecoa Platão: mentir não é apenas um erro moral, mas uma ruptura com uma ordem mais profunda que exige reparação.
No entanto, a ambientação no jornalismo e na mídia reinscreve tudo no horizonte moderno. A verdade não aparece como algo simplesmente dado, mas como algo disputado, editado, recortado e narrado. Reportagens moldam reputações, imagens públicas substituem pessoas reais, e fatos se tornam “realidade” apenas quando passam pelo filtro institucional. Aqui, o dorama se afasta da ontologia grega e se aproxima de uma visão completamente moderna: a verdade é inseparável dos regimes que a produzem e a legitimam.
O paralelo, portanto, se sustenta justamente na tensão. Pinocchio encena, em termos dramáticos, o conflito entre duas concepções históricas de verdade. De um lado, uma verdade que “faz adoecer” quando é negada - quase metafísica, necessária, inescapável. De outro, uma verdade que circula como produto social, vulnerável à manipulação, à audiência e aos interesses. A protagonista vive entre esses dois mundos: seu corpo pertence ao regime da alétheia grega, mas sua profissão a lança no regime moderno da narrativa e da mediação."
Pinocchio (2014), foi um dorama que eu estava postergando durante anos e que acabou se tornando uma grata surpresa, principalmente pelos seus temas - que me lembraram e fizeram ficar reflexivo sobre como a modernidade rompeu com os gregos e medievais em relação aos temas tratados pelo dorama - sobre verdade, mentira e responsabilidade, usando o jornalismo como pano de fundo para discutir como as histórias são contadas e como elas afetam a vida das pessoas. A “síndrome de Pinocchio” da protagonista é uma ideia criativa que dá leveza e, ao mesmo tempo, profundidade ao debate moral do dorama.
Choi Dal-po/Ha Myung é um protagonista movido pelo passado e pela busca por justiça. Sua jornada funciona bem porque mostra o conflito entre querer revelar a verdade e lidar com as consequências que ela traz. Choi In-ha é carismática e sincera, e sua condição de não conseguir mentir a torna o contraponto emocional e ético da narrativa. O romance entre os dois é envolvente e ajuda a manter o ritmo da história, mesmo nos momentos mais dramáticos.
Os personagens secundários cumprem bem seus papéis dentro da redação, representando diferentes formas de lidar com a notícia: alguns mais idealistas, outros mais pragmáticos. Embora nem todos sejam muito aprofundados, eles ajudam a dar contexto ao conflito central. No geral, Pinocchio é uma obra envolvente, subtramas bem interessantes, bons personagens, romance cativante (poderia ter mais momentos e um final melhor entre os personagens) e uma proposta muito rica sobre o valor da verdade no mundo moderno. Mesmo com seus excessos, é fácil de maratonar e deixa uma reflexão que vai além do drama.
Envelheceu como vinho.
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Enquanto me dizem para não encontrar, há alguém que desejo ver. Se você me diz para não fazer, isso só me faz querer fazer ainda mais. Isso é vida e desejo. Isso é você.”
Um romance que toca mais pela atmosfera - as vezes exagerada - e pelo simbolismo do que pela força de seus conflitos.
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Esqueça a coerência - o cérebro - e aproveite o show.
Vincenzo é um dorama que aposta deliberadamente na difícil conciliação entre comédia caricata e drama criminal, mas falha em transformar essa proposta em uma experiência narrativa coesa. A obra parece constantemente dividida entre dois registros incompatíveis, optando por alterná-los em vez de integrá-los, o que resulta em um produto estruturalmente frágil, repetitivo e excessivamente alongado.Desde os episódios iniciais, a narrativa já apresenta um problema central: a lógica interna é sacrificada em favor de situações cômicas forçadas. O protagonista, um mafioso coreano italiano experiente, é colocado diante de conflitos que poderiam ser resolvidos de forma direta e definitiva, mas que são artificialmente prolongados para sustentar o humor pastelão e a duração do Dorama. Essa escolha compromete a credibilidade do personagem e esvazia o peso dramático de suas ações.
Ao longo do desenvolvimento, Vincenzo até entrega momentos isolados que funcionam - tanto no drama quanto na comédia -, porém eles jamais se consolidam como partes orgânicas de um todo. Cada cena parece existir por mérito próprio, sem contribuir de maneira efetiva para a progressão narrativa. O resultado é uma obra que se sustenta por fragmentos, não por um todo.
Os moradores do prédio, inicialmente apresentados como núcleo cômico e elemento simbólico da resistência, têm sua função narrativa esgotada ainda antes da metade do dorama. A partir desse ponto, passam a existir apenas como obstáculos artificiais para prolongar a história, repetindo situações e conflitos já resolvidos. Embora retomem alguma relevância próxima ao desfecho e incrivelmente todos são super humanos, dotados de habilidades, mas isso ocorre a um custo elevado de ritmo e coesão.
O vilão principal causa uma boa impressão inicial graças ao mistério em torno de sua identidade - o ponto mais alto. No entanto, após a revelação, não há qualquer aprofundamento ou mudança de tom. Ele permanece essencialmente o mesmo personagem caricato, sem presença ou aura de ameaça real, sendo apenas um psicopata sem qualquer inteligência funcional ou de fato um vilão que daria trabalho ao protagonista. Os antagonistas secundários seguem o mesmo padrão: estáticos, previsíveis e funcionais apenas por conveniência do roteiro. Sustentar vinte episódios enfrentando os mesmos inimigos, sem escalonamento de ameaça ou complexidade, torna a experiência cansativa e repetitiva. Essa ausência de progressão resulta em desgaste evidente. A narrativa passa a girar em círculos, repetindo estruturas, conflitos e soluções, o que leva à perda de tensão e engajamento - a ponto de certas cenas se tornarem dispensáveis, especialmente aquelas centradas no alívio cômico.
Somente nos três episódios finais o dorama finalmente encontra um tom mais adequado. A comédia praticamente deixa de existir, o clima se torna mais sério e os desfechos dos vilões são conduzidos de forma interessante e satisfatória. Esses momentos demonstram que Vincenzo tinha potencial para ser uma obra mais consistente e impactante. No entanto, essa melhora tardia não é suficiente para compensar o excesso de episódios arrastados e a repetição narrativa que domina a maior parte da série, fora o fato de optar pelo ilógico ala Looney Tunes.
No saldo final, Vincenzo funciona melhor como entretenimento escapista do que como narrativa bem estruturada. Seus acertos existem, mas são pontuais; seus problemas, por outro lado, são sistêmicos. A sensação predominante não é a de uma jornada bem construída, mas a de uma obra que poderia ter sido significativamente mais curta, mais concisa e mais eficaz se tivesse confiado menos na caricatura e mais na progressão dramática.
Como citei em certo comentário, para quem procura diversão, fuga da realidade, falta de lógica e coerência narrativa, é um prato cheio; não é à toa que é bem avaliado. Mas, para quem não acha que coerência e lógica só precisam estar em documentários ou livros de história, e sim também na literatura e na ficção em geral, certamente será uma decepção, pois trata-se de um público mais seleto, que não aceita qualquer coisa em prol do que a maioria aceita.
Ps: sofri pra terminar esse dorama.
Ps2: o chefe da máfia italiana é infinitamente mais boa pinta e estiloso que o Vincenzo, que a série ficou forçando elogios pelos personagens do prédio.
Ps3: As cenas Slow motion aqui se superaram, qualquer momento eles jogam uma, adiantei quase todas, negócio irritante.
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