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  • Join Date: August 1, 2022
Completed
Dead or Love
0 people found this review helpful
Jan 2, 2026
8 of 8 episodes seen
Completed 0
Overall 9.0
Story 9.0
Acting/Cast 8.0
Music 8.0
Rewatch Value 10

Melhor do que eu esperava

Contrariando a maioria das avaliações, eu achei esse drama maravilhoso.

É o tipo de história que, se fosse contada de forma linear, provavelmente não teria nem metade do impacto, mas a forma como ela é construída transforma tudo num thriller extremamente empolgante, com um ritmo viciante, que te pega de jeito e simplesmente não deixa você parar de assistir. É um thriller feito pra maratonar.

É mais um daqueles dramas que começam interessantes, e ficam cada vez melhores a cada episódio. Você sente a narrativa ganhar velocidade conforme se aproxima do clímax e conforme você vai entendendo o que realmente está acontecendo.

No início, temos apenas uma mulher casada com um homem estranho e uma jornalista assassinada, e só isso. Mas aos poucos você passa a entender quem é essa mulher, quem foi essa jornalista e, principalmente, quem é esse marido. Quanto mais o passado dele se revela, como eles se conheceram, como se casaram, o que estava acontecendo na época da morte da jornalista, mais o drama cresce e mais fascinante ele se torna.

Todos os episódios são recheados de pistas muito sutis e, ainda assim, os acontecimentos passam longe de serem óbvios. Eu fiquei genuinamente surpresa e empolgada assistindo, e quanto mais eu conhecia o protagonista, mais eu gostava dele e mais empatia eu sentia, por mais “vilão” que ele seja.

Também gostei muito do papel de cada personagem. Mesmo sendo um drama curto, o tempo de tela é muito bem distribuído, nada sobra e nada falta. Os personagens secundários têm função, personalidade e peso na trama, não estão ali só pra preencher espaço, eles realmente importam. Isso foi uma das coisas que mais me agradou.

Eu amei, amei mesmo. Diálogos críveis e naturais, personagens instigantes e um “vilão” que está longe de ser genérico. Ele não mata simplesmente por matar, há uma motivação forte por trás, e eu acabei sentindo empatia por isso. Foi difícil não acabar torcendo por ele no final (o que é curioso, porque no começo ele nem parecia alguém interessante, mas rapidamente roubou a cena).

Gosto da montagem, da maquiagem, da ambientação, da trilha sonora, gosto de tudo. Só não dei nota máxima por um ou outro exagero que aparece no caminho, mas nada que realmente tire o brilho da história.

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Completed
Tada Rikon Shitenai dake
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Dec 29, 2025
12 of 12 episodes seen
Completed 0
Overall 8.0
Story 8.0
Acting/Cast 8.0
Music 10
Rewatch Value 8.0

Surpreendente

Esse drama me surpreendeu em um nível que eu jamais esperaria.

É daquele tipo que a gente começa sem expectativa nenhuma porque toda a apresentação dele é feia, o pôster, o título e até a sinopse, tudo parece pouco convidativo.

Comecei despretensiosamente só porque eram episódios de pouco mais de 30 minutos e apenas 12 no total, então dá pra imaginar o baque que levei com essa história.

Dá pra dizer que ela tem duas fases muito bem definidas. A primeira é um drama denso e pesado, que vai ficando cada vez mais dark conforme avança. Você vai se afundando na obscuridade do protagonista e vendo como ela engole as pessoas ao redor dele. Até que acontece um ponto de virada no roteiro que transforma tudo em um thriller intenso e angustiante de acompanhar. A tensão cresce a cada cena, a cada episódio, de um jeito tão poderoso que em vários momentos eu precisei pausar só pra recuperar o fôlego. As reviravoltas me mantiveram grudada na tela, e muita coisa eu realmente não esperava que fosse acontecer.

Ao mesmo tempo, tanto na fase do drama quanto na do thriller, vai sendo construída uma redenção muito bem desenvolvida em torno do protagonista. E o desfecho disso no último episódio é tão bonito que foi impossível não me derramar em lágrimas.

Acabei me apegando muito aos personagens, principalmente a ele. Por maiores que tenham sido seus erros (e não foram poucos), acompanhar sua angústia, seu desespero e sua depressão acabou me fazendo entender sua dor e criar empatia por ele.

É realmente um drama interessante, pesado e angustiante, e vale muito a pena assistir. Teve um ou outro exagero que me incomodou, mas no geral continua sendo uma experiência ótima.

Gostei demais de como tudo foi interligado, dá pra notar que, mesmo sendo um drama de baixo orçamento, a diretora-roteirista conseguiu extrair ouro do material.

Tô feliz demais de ter encontrado esse drama pra assistir.

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Completed
I Just Didn't Do It
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Dec 27, 2025
Completed 0
Overall 6.0
Story 6.0
Acting/Cast 8.0
Music 6.0
Rewatch Value 5.0

Bom

Esse filme foi realmente interessante de acompanhar, é bem feito e me entreteve.

Ainda assim, achei desnecessariamente longo. Presumi que as mais de duas horas de duração seriam usadas para desenvolver melhor o personagem ou o drama dele, mas o que temos é basicamente um filme sobre o julgamento, quase todo passado dentro de um tribunal. Isso não é ruim em si, mas poderia ter sido melhor explorado.

Além disso, o filme carrega uma trama conceitualmente perigosa. Percebi pelas reviews e comentários que muitos homens deturparam completamente a mensagem do filme, interpretando-o como uma crítica às “acusações falsas” feitas por mulheres contra homens inocentes, quando na verdade o que o filme mostra de forma bastante clara é como o sistema judiciário japonês é falho, como juízes e promotores ficam limitados às provas disponíveis e como tribunais não existem para estabelecer a verdade absoluta, mas para julgar com base no que é apresentado processualmente. Isso pode resultar tanto na absolvição de um culpado quanto na condenação de um inocente.

O perigo dessa abordagem está justamente aí: ela abre margem para reforçar o discurso ultrapassado de que não se deve confiar na palavra da vítima. E sabemos que assédio é uma das coisas mais difíceis de se comprovar judicialmente, e que a palavra da vítima ainda hoje é constantemente invalidada, apesar de ser algo que nós, mulheres, temos conquistado aos poucos dentro do sistema jurídico.

No geral, achei um bom filme, mas senti falta de mostrar melhor o peso emocional e psicológico daquele processo sobre o protagonista. Faltou drama. A narrativa acabou ficando excessivamente jurídica, quase como assistir a um julgamento de fora, de alguém que eu não conheço e sobre quem não sei nada além do que a defesa e a acusação estão alegando.

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Completed
Bijo to Danshi
0 people found this review helpful
Oct 28, 2025
20 of 20 episodes seen
Completed 0
Overall 9.0
Story 10
Acting/Cast 8.0
Music 10
Rewatch Value 9.0

Um verdadeiro achado

ai gente sinceramente? eu amei, esse roteiro deixou tudo tão natural, e a atenção aos detalhes é incrível

acho que quem assistir esperando um romance vai se frustrar (e não culpo, porque a sinopse e o começo do drama vendem exatamente isso) mas ele vai muito além

acompanhamos uma mulher extremamente competente, mas também arrogante e difícil de lidar, que tenta transformar um garoto qualquer em uma estrela de cinema, ele é presunçoso, preguiçoso e pouco comprometido com o que faz, mas aos poucos ambos crescem e amadurecem

ele aprende a lutar pelos seus objetivos e principalmente a se apaixonar pela atuação

o drama mergulha fundo na indústria do entretenimento, mostrando como é árduo partir do zero e chegar ao topo, tudo é retratado com tanta veracidade: as dificuldades, o processo de crescimento, as frustrações e as conquistas, vemos um ator que não sabia atuar se transformar em um verdadeiro ás, e uma mulher que reencontra uma nova vocação

os personagens secundários também são muito bem construídos, e tudo serve a um propósito

em 20 episódios, o drama não foge do tema nem cria conflitos desnecessários, cada arco, cada papel que o protagonista interpreta, reflete algo que os personagens estão vivendo naquele momento

é uma história linda, embora o romance não seja o foco (está bem longe disso, aliás), ele é desenvolvido com muita sensibilidade: duas pessoas que não se respeitavam se tornam verdadeiros companheiros, que se desafiam, se apoiam e se entendem como ninguém, duas almas gêmeas que juntas alcançam o que tanto desejavam

eu achei simplesmente lindo, me emocionei várias vezes, a forma como desenvolveram cada personagem é impecável, dá pra notar o crescimento deles até nas expressões e na linguagem corporal

um drama muito bem escrito, dirigido e atuado, um verdadeiro achado

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Completed
Saikou no Rikon
0 people found this review helpful
Sep 6, 2025
11 of 11 episodes seen
Completed 0
Overall 7.0
Story 7.0
Acting/Cast 9.0
Music 10
Rewatch Value 7.0

Me surpreendeu

Esse drama me surpreendeu. Esperava uma comédia romântica qualquer, mas encontrei um baita slice of life.

Acompanhamos o casamento e o divórcio de dois casais, com uma narrativa simples, focada no cotidiano e nos problemas que qualquer casal poderia ter. Os personagens são únicos e incrivelmente reais.

A maior força do drama está nos diálogos. Eles são naturais, necessários, nunca expositivos, e o impacto vem durante as conversas. Os monólogos e as discussões estão entre meus momentos favoritos. Há tanto realismo que parece que estamos observando pessoas reais, não atores.

Outro ponto que adorei foi o jogo de câmera, sempre posicionada de forma estratégica nos dando a sensação de espiar a vida desses casais, sem zooms nem exageros, como se estivéssemos escondidos acompanhando cada detalhe. É tão imersivo que me peguei chorando várias vezes pela naturalidade dos conflitos. Não há nada grandioso, apenas a realidade.

As atuações são incríveis e os personagens cheios de personalidade, sem excessos. Também achei brilhante a escolha de não usar flashbacks em momentos marcantes. Quando uma personagem conta como perdeu o pai, por exemplo, tudo acontece apenas pelo diálogo, com detalhes tão bem colocados que você consegue visualizar a cena inteira sem esforço. Isso exige um roteirista muito bom e esse fez um trabalho excepcional.

É um drama que ficará no meu coração por muito tempo. Realmente muito bom.

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Completed
First Kiss
0 people found this review helpful
Aug 26, 2025
11 of 11 episodes seen
Completed 0
Overall 9.0
Story 9.0
Acting/Cast 9.0
Music 10
Rewatch Value 10

Um achado

Uma comédia dramática que flerta com o slice of life da forma mais tocante possível. Acompanhar uma menina redescobrindo o amor pela vida encheu meu coração de felicidade, e ver o irmão dela se tornando um homem responsável por causa dela foi a cereja do bolo.

É um drama lindo, cheio de evolução, com personagens vivendo, aprendendo e reaprendendo a viver. Que experiência sensível e emocionante.

Se não fosse por algumas piadinhas incestuosas totalmente fora de tom e por certas cenas em que o humor passava um pouco do limite, eu facilmente teria favoritado. Ainda assim, é um drama muito bonito sobre dois irmãos cuidando um do outro.

Ela, aos 20 anos, enfrenta uma doença grave e tem uma cirurgia de alto risco marcada para dali a dois meses. Decide, então, passar esse tempo com o irmão mais velho, com quem não tinha contato há dez anos. Ela não se importava com nada, não tinha apego a nada e acreditava que ser cruel com as pessoas era a única forma de ser lembrada. Ele, aos 30, era um homem perdido, irresponsável, imaturo, vivendo no piloto automático e sem lutar pelos próprios sonhos.

A aproximação dos dois é desenvolvida com tanta delicadeza que se torna impossível não se envolver. Aos poucos, vão criando laços, se redescobrindo e transformando um ao outro. Ele aprende a ser responsável, a cuidar dela e de si mesmo. Ela tem experiências que jamais imaginou por causa da doença, faz amigos e até se apaixona.

O drama é lindo, tocante e sensível. A evolução dos personagens é, sem dúvida, o seu maior trunfo. Que achado!

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Completed
Regeneration
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Aug 22, 2025
10 of 10 episodes seen
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 10
Music 10
Rewatch Value 1.0
This review may contain spoilers

Frustrante

Vou explicar por que esse drama me deixou tão frustrada.

A história gira em torno de um grupo de pessoas que não têm nada em comum além de terem sido enganadas pelo mesmo estelionatário, o protagonista. O começo é bobo, a forma como juntam essas pessoas tão diferentes é clichê, pouco crível e, sinceramente, meio preguiçosa. Só que, ao mesmo tempo, você sente que há algo oculto, que não pode ser tão raso assim.

A trama então começa a alternar entre presente e passado. No presente, cada personagem conta como foi enganado, e aí mergulhamos no passado e as cenas são espetaculares, sem exagero. O protagonista é carismático, sedutor, extremamente inteligente, manipula sem remorso, com uma confiança quase hipnótica. O ator é fenomenal e a cada cena você quer mais e mais. Como ele fez isso? Por quê? O que o motiva? Ele é interessante demais para não ser assistido.

O problema começa quando voltamos ao presente. O ritmo quebra de forma insuportável. Eu simplesmente não consegui maratonar por mais que tentasse. O presente é chato, arrastado, e os personagens não inspiram empatia. Tudo o que queremos é saber como foram enganados e o roteiro claramente quer que gostemos do protagonista, não das vítimas.

Até aí tudo bem.

Mas então vem a reta final e tudo desmorona com muita força e de forma abrupta. Surge a revelação de que nem tudo é o que parece. Essa é uma arma muito poderosa para thrillers quando bem usada. O problema é que aqui os roteiristas não souberam o que fazer com ela. Em vez de construir pistas sutis ao longo da narrativa, de modo que a descoberta complementasse a história e preenchesse lacunas, eles simplesmente mentiram.

Metade do drama nos faz apaixonar por um personagem que no fim praticamente não existiu, pelo menos não da forma como foi mostrado. Ou seja, tudo aquilo que vimos e admiramos, todo o impacto das cenas do passado, simplesmente não valeu de nada. É uma quebra imensa de roteiro, um balde de água fria que destrói justamente a parte mais interessante da história.

Descobri que havia quatro roteiristas envolvidos no projeto, e chega a ser perceptível qual parte cada um assumiu. Um escreveu o passado (perfeito), outro cuidou do presente (arrastado), outro inventou esse plot twist mal aproveitado, e outro ficou responsável pela pior personagem do drama: a jornalista. Ela não tem personalidade, não existe para a trama, só para explicar tudo para o telespectador. Sinto como se ela estivesse lá apenas para mastigar a história e cuspir na boca do telespectador para ficar mais fácil de engolir. Cada diálogo dela é expositivo, artificial, mastigando as mensagens que o diretor quer passar, inclusive a lição de moral final e aquela redenção apressada e forçada do protagonista.

Quando um diretor faz isso, sinto como se ele estivesse chamando o público dele de burro, e foi exatamente essa a sensação que tive. E eu de verdade me senti ofendida.

É uma história com potencial, um protagonista fascinante e um elenco muito bom, principalmente o ator principal que é gigantesco, mas o presente é mal desenvolvido, a narrativa se perde e a reviravolta destrói a própria trama. Os dois últimos episódios ainda conseguem brilhar um pouco ao retomar o passado e mostrar a adolescência e o início da fase adulta do protagonista, mas já é tarde demais, o estrago já tinha sido feito.

No fim, não dá pra dizer que é um drama inteiramente ruim. As cenas do passado são um primor, a cinematografia impressiona e o protagonista é irresistível (muito irresistível). Mas também não dá pra dizer que é bom. As quebras de ritmo, os diálogos expositivos, o presente arrastado, a reviravolta mal construída e o final clichê tornaram a experiência frustrante. A sensação que fica é de ter investido tempo em algo que no fim não aconteceu.

É uma pena. Esse drama poderia ter sido incrível, mas escolheu se sabotar. Saí da experiência me sentindo meio idiota, meio roubada.

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Completed
My Blooming Days
0 people found this review helpful
Jun 29, 2025
16 of 16 episodes seen
Completed 0
Overall 10
Story 10
Acting/Cast 10
Music 10
Rewatch Value 10

Tocante

Esse drama é, sinceramente, uma das coisas mais lindas que já assisti. Com uma delicadeza comovente, ele toca o coração de forma sutil e genuína.

Passei por cada episódio com um sorriso no rosto, os olhos marejados e o coração completamente envolvido. A naturalidade com que a história se desenrola é impressionante, tudo acontece com uma autenticidade tão viva, humana e sensível que, por momentos, eu esquecia que estava vendo uma ficção.

Não há vilões, antagonismos forçados nem reviravoltas absurdas. As situações são comuns, cotidianas até, mas são justamente essas pequenas coisas que tornam a trama tão especial. Os sentimentos são construídos devagar, com cuidado, e isso torna cada gesto, cada olhar e cada diálogo mais significativo.

Embora não seja exatamente um slice of life, o drama tem essa sensação de realismo e leveza. A trama gira em torno de uma mulher que, após receber um transplante de coração da cunhada de seu noivo, se aproxima, sem perceber, do irmão dele, um viúvo com dois filhos. Aos poucos, entre encontros casuais e diálogos sinceros, nasce um amor delicado e verdadeiro entre os dois.

Um dos maiores méritos do drama é fugir dos clichês. Não há pais opressores, ex-namoradas maquiavélicas ou disputas melodramáticas. Até o noivo da protagonista, que poderia facilmente ser retratado como um obstáculo, é um homem apaixonante, gentil e compreensivo. Tudo é voltado para o drama humano, com momentos leves, emocionantes e carregados de significado.

A narrativa é coesa do início ao fim. Não há pressa para contar a história, mas também não há enrolação, tudo tem seu tempo e seu peso. A construção do clímax acontece de forma orgânica, sem precisar recorrer a eventos forçados ou revelações abruptas. Cada ponto da trama é bem amarrado, cada subtrama tem relevância e todos os personagens cumprem um papel importante.

A química entre o casal principal é encantadora, e as interações do protagonista com os filhos são, talvez, o que há de mais tocante no drama. É raro ver crianças escritas com tanta autenticidade, uma menina que amadureceu cedo, mas que ainda é criança, e um garotinho adorável, com reações naturais para sua idade. Nada é exagerado ou caricato. São, de fato, crianças normais, com personalidade, doçura e presença marcante.

As relações familiares são desenvolvidas com sensibilidade, e cada interação carrega significado. Não há cenas desperdiçadas. O ritmo é envolvente, com equilíbrio entre drama, emoção e leveza. Ri muito, chorei bastante, e sorri mais do que tudo. É uma história para guardar no coração.

Já entrou para os meus favoritos, e recomendo de olhos fechados. The Spring Day of My Life é um drama sobre amor, reconstrução, e humanidade. Lindo do começo ao fim.

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Completed
My Girl
0 people found this review helpful
Jun 24, 2025
10 of 10 episodes seen
Completed 0
Overall 2.0
Story 1.0
Acting/Cast 4.0
Music 4.0
Rewatch Value 1.0

Desinteressante

Com peso no coração decidi abandonar My Girl após três episódios.

É uma decepção ainda maior pelo fato de a premissa estar entre as minhas favoritas: um homem que descobre ter uma filha da qual nunca soube e, após a morte da mãe, precisa assumir a paternidade. Amo esse tipo de história por seu potencial emocional. Acompanhar um personagem inicialmente egoísta ou imaturo amadurecendo por meio do amor e da responsabilidade de cuidar de uma criança sempre mexe comigo. É o tipo de jornada que costuma equilibrar humor, afeto e drama do jeitinho que eu adoro. Mas, infelizmente, não foi isso que encontrei aqui.

O protagonista é, desde o início, um homem bonzinho, ingênuo, que não precisa passar por uma grande transformação. Ele já quer ser um bom pai, já quer conciliar tudo e ser responsável. Na teoria deveria ser positivo, mas na prática tira qualquer possibilidade de desenvolvimento significativo. A narrativa não oferece conflitos reais nem obstáculos emocionais que tornem essa transição interessante.

A filha, embora encantadora, é reduzida a uma criança fofa que não quer incomodar o pai. Ela não tem voz própria, nem momentos de destaque ou emoção. A dinâmica entre os dois, que deveria ser o coração do drama, é rasa e repetitiva.

O enredo também se perde em longas cenas no ambiente de trabalho do protagonista, que pouco acrescentam à história principal. Fica claro que a intenção é criar um conflito entre carreira e paternidade, mas isso é feito de maneira forçada, sem tensão ou consequência real.

Além disso, os flashbacks com a ex-namorada, que poderiam aprofundar o drama e mostrar camadas do luto ou da culpa, se resumem a lembranças genéricas e idealizadas com diálogos sem peso e cenas que não acrescentam nada além de minutos de tela.

Os personagens secundários são todos unidimensionais e servem mais como cenário do que como parte viva da história. Os diálogos são mornos, as cenas carecem de impacto emocional, e o drama, que deveria ser o fio condutor, simplesmente não existe.

Após três episódios, tudo parece girar em torno da mesma fórmula, ele tentando conciliar o trabalho com a paternidade e falhando, enquanto a menina tenta se apagar para não atrapalhar.

Talvez My Girl funcionasse melhor como um filme, com ritmo mais enxuto e uma história mais focada. Mas como drama seriado, falta carisma, propósito e, principalmente, personalidade. É uma trama que promete muito, mas entrega muito pouco. Por isso estou desistindo.

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Completed
The Ravine of Goodbye
0 people found this review helpful
Jun 20, 2025
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 8.0
Music 6.0
Rewatch Value 4.0

Desperdício de potencial

The Ravine of Goodbye é um filme que tinha tudo para ser impactante, mas tropeça nas próprias escolhas narrativas. Trabalha com duas histórias paralelas que, embora prometam convergir, acabam se anulando.

De um lado, temos um jornalista investigativo observando de perto o caso de uma mulher presa, acusada de assassinar o próprio filho. Do outro, a trama de uma mulher marcada por um estupro coletivo sofrido na adolescência, tentando recomeçar a vida ao lado de um dos estupradores, com quem agora é casada (inacreditável, eu sei). O elo entre as duas histórias seria esse homem: suposto envolvimento amoroso com a mulher acusada e, no passado, agressor da esposa atual.

Mas a promessa de conexão entre essas tramas nunca se cumpre de verdade. A narrativa em torno da mãe assassina parece deslocada, quase descartável. O mistério do crime não é desenvolvido, a criança nunca aparece em cena, e a suspeita de envolvimento do protagonista soa forçada e sem fundamento. Essa metade do filme é morosa, pouco envolvente e não acrescenta quase nada à experiência como um todo, além de arrastar o ritmo.

A segunda história, no entanto, é muito mais poderosa. Trata do trauma, da vergonha pública, da impossibilidade de seguir em frente, e do luto íntimo que uma mulher carrega por ter sido violentada.

A forma como o filme aborda o arrependimento do agressor também é um ponto forte. É possível sentir o quanto ele se envergonha do que fez, o quanto isso o assombra e o quanto ele busca desesperadamente o perdão. Não como redenção mágica, mas como um pedido de humanidade. Há algo de genuíno nesse arco, e talvez seja o único fio emocional verdadeiramente bem conduzido no filme.

Ainda assim, a condução geral da narrativa peca por escolhas questionáveis. O ritmo beira o slice of life, mas sem o charme ou a sensibilidade que esse estilo costuma exigir. É lento demais, disperso demais, e muitas cenas parecem existir apenas para ocupar tempo. Os momentos de silêncio não carregam densidade emocional, apenas a sensação de que o filme se alonga sem necessidade.

As cenas de sexo, com exceção da cena de estupro (angustiante, curta e filmada com o desconforto necessário), soam gratuitas, desconexas e desnecessariamente longas. São desconfortáveis não pelo conteúdo em si, mas porque parecem colocadas sem real propósito narrativo (mais uma entre várias decisões duvidosas da direção).

No fim, The Ravine of Goodbye deixa a sensação de um filme com grande potencial, especialmente por conta de seu segundo arco, mas que erra no foco e na execução.

É sombrio, carregado de temas fortes, e tem momentos de potência emocional real, mas desperdiça tempo demais com uma trama secundária mal amarrada. Não é um filme para qualquer um, e talvez nem tenha sido um filme para mim. Recomendo, mas com muitas ressalvas.

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Completed
Breath
0 people found this review helpful
Jun 18, 2025
Completed 0
Overall 7.0
Story 7.0
Acting/Cast 7.0
Music 10
Rewatch Value 7.0

Respirar como forma de sobreviver

Breath me surpreendeu de forma extremamente positiva.

Minha curiosidade inicial era saber como o filme lidaria com a barreira linguística, já que o protagonista é interpretado por um ator taiwanês em uma produção coreana. A solução encontrada é ótima: ele é um condenado à morte, um maníaco suicida que, logo nos primeiros minutos do filme, tenta se matar enfiando um objeto na garganta, o que o deixa fisicamente incapacitado de falar. É um silêncio imposto, mas profundamente simbólico.

A história gira em torno de uma mulher que, ao descobrir uma traição do marido, se vê emocionalmente sufocada. Sem saber ao certo o porquê, passa a visitar esse prisioneiro silencioso, cuja tentativa de suicídio repetidamente aparece no noticiário.

O título do filme, Breath, não poderia ser mais certeiro. Aquelas visitas se tornam para ambos momentos de pausa, de escape, de respiro diante da asfixia emocional em que vivem.

As cenas entre eles são de uma beleza desconcertante. Ela o visita em salas de encontro íntimo, que decora a cada vez com o tema de uma estação do ano. Leva um rádio, escolhe uma música simbólica, canta para ele e compartilha uma memória marcante que tem relação com aquela estação.

No começo, ele apenas a observa com desejo, o que é compreensível, considerando o isolamento e a solidão de anos numa cela cercado só por homens. Mas aos poucos o erotismo dá lugar a outra forma de intimidade. Ele relaxa, e ali, eles respiram juntos. Há uma entrega silenciosa, uma troca de vulnerabilidades.

É um filme sobre a necessidade vital de conexão, ainda que breve, ainda que improvável. Sobre como, em meio à dor, à traição, ao desespero, duas pessoas completamente diferentes podem se tornar a válvula de escape uma da outra.

A escolha estética de ter sempre apenas um dos personagens falando em cada cena reforça essa dualidade: o que se diz e o que se guarda.

O início do filme é mais morno, mas à medida que as visitas começam, o enredo ganha corpo. O ritmo melancólico é bem dosado, a estética dramática contribui para a imersão, e o simbolismo da respiração permeia toda a narrativa de forma comovente. Não é um filme perfeito, há escolhas que podem parecer excessivamente metafóricas ou abstratas, mas é uma experiência tocante e única.

No fim, é exatamente isso, um filme sobre duas pessoas que, mesmo em mundos opostos, se encontram no mesmo fôlego.

Recomendo.

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Completed
End of Summer
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Jun 18, 2025
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 7.0
Music 10
Rewatch Value 1.0

Uma atmosfera impecável a serviço de muito pouco

End of Summer é um filme interessante, mas dificilmente chamaria de bom. Seu maior trunfo está na ambientação. A recriação do Japão dos anos 50/60 é tão sensorial que, por instantes, parece que estamos mesmo lá.

A cinematografia também é belíssima, os enquadramentos e movimentos de câmera traduzem com delicadeza a estagnação e frustração da protagonista. Mas infelizmente, todo esse cuidado visual parece desperdiçado diante de um roteiro que não sabe muito bem o que fazer com seus próprios personagens.

A trama gira em torno de uma mulher que mantém um relacionamento estável, mas extraconjugal, com um homem mais velho, casado e com uma filha. A esposa dele, que vive em outra cidade, aceita esse arranjo e permite que o marido divida o tempo entre as duas casas. A protagonista, então, vive num eterno entrelugar: nem esposa, nem livre, presa a uma promessa que nunca se cumpre. Sua frustração cresce e a leva a se envolver com um segundo homem, um conhecido de longa data que sempre a desejou. Mas ela não o ama, e essa tentativa de fuga só aprofunda o vazio.

Há um esforço para criar um retrato sutil do tédio, da estagnação emocional e das vidas silenciosamente sufocadas, ingredientes típicos de um slice of life. Mas o filme se afoga no próprio silêncio. Os diálogos são escassos, o ritmo é moroso, e embora isso possa ser uma escolha estética, falta à narrativa a densidade necessária para que esses silêncios digam algo. Muitas cenas parecem existir apenas para preencher tempo, e não para desenvolver personagem ou trama.

O que mais me incomodou foi o desperdício de potencial, sobretudo do amante da protagonista (talvez o personagem mais intrigante da história), que é deixado de lado, mal desenvolvido, mesmo com toda a carga emocional e narrativa que poderia oferecer.

O filme ainda se complica com idas e vindas temporais entre o passado e o presente, sem qualquer sinalização clara. Não há mudanças visuais nem elementos que ajudem a diferenciar as linhas temporais, o que torna algumas cenas confusas, já que os mesmos personagens estão presentes em ambas.

End of Summer acerta no cenário, na atmosfera e na proposta de mergulhar em vidas à deriva, mas falha em dar substância a esses personagens. Algumas questões são levantadas e logo abandonadas. Outras, nem chegam a ser abordadas com profundidade.

Eu gostei da experiência, mas não o considero um bom filme e tampouco o recomendaria.

É o tipo de obra que encanta os olhos, mas apenas os olhos.

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Completed
Lovers Vanished
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Jun 17, 2025
Completed 0
Overall 1.0
Story 1.0
Acting/Cast 7.0
Music 6.0
Rewatch Value 1.0

Um desastre

Lovers Vanished é um desastre. Um filme que poderia ter sido denso, profundo, tocante, mas que acaba sendo apenas vazio e frustrante.

A direção é um dos maiores problemas. É excessivamente fragmentada, com cortes rápidos que sabotam qualquer tentativa de construir emoção, tensão ou profundidade. Cenas que deveriam durar são reduzidas a flashes, e assim o filme corre por cima da própria história como se estivesse apressado para acabar.

Não há fluidez, não há ritmo, não há envolvimento. O diretor parece mais interessado em pular de momento em momento do que em construir algo. E isso compromete tudo. As cenas não têm peso. Os personagens não têm tempo de existir. Eles não são desenvolvidos, não têm voz própria, apenas estão ali, perdidos num enredo que se desfaz a cada novo corte.

A premissa em si é interessante: um presidiário contrai HIV na esperança de ser libertado — o que não acontece — e então foge. Paralelamente, temos uma assistente de palco que se envolve num assassinato acidental, é protegida por um mágico que assume a culpa por ela, e contrai HIV dele, o mesmo mágico que depois transmite a doença ao protagonista.

Mas a execução é um desastre. A subtrama envolvendo a mágica é tão deslocada e artificial que beira o risível. Parece uma tentativa pretensiosa de adicionar simbolismo e camadas, mas o resultado é apenas forçado.

Falta densidade emocional, falta carga dramática, falta humanidade. Para um filme que se propõe a tratar da AIDS, um tema tão potente, é quase criminoso como o impacto da doença é negligenciado. Os personagens não reagem, não processam, não mudam. São apenas peças sendo arrastadas por uma narrativa rasa que tenta soar profunda, mas falha em todos os aspectos.

O único mérito vai para o elenco, especialmente Kim Namgil, que entrega uma atuação surpreendentemente boa, mesmo com o roteiro e a direção jogando contra ele o tempo todo. Ele dá tudo de si, mas sozinho não consegue salvar uma obra que se perde desde a primeira cena.

O que mais me incomoda é a sensação de desperdício. Dá a impressão de que o filme foi gravado em excesso e depois brutalmente picotado na edição, sem cuidado, sem critério, sem compromisso com o que deveria ser contado. E como o diretor também assina o roteiro, é impossível não responsabilizá-lo por esse desastre completo.

No fim, Lovers Vanished é um filme sem propósito e sem impacto. Um projeto que até poderia ter sido marcante (poderia?), mas não foi. Arrependida de ter assistido.

Não recomendo.

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Completed
The Light Shines Only There
0 people found this review helpful
Jun 16, 2025
Completed 0
Overall 10
Story 10
Acting/Cast 10
Music 10
Rewatch Value 10

Dolorosamente lindo

Sabe quando um filme é tão bom desde o início que você já sofre só de saber que ele vai acabar? Foi exatamente essa a minha experiência com The Light Shines Only There. E o mais curioso é que ele é desconfortável e, ainda assim, eu queria permanecer mais tempo naquele universo cruel e melancólico.

A premissa é simples, mas executada com precisão e intensidade. Seguimos um homem solitário, carregando uma depressão que o afunda em jogos, bebidas e cigarros, que acaba criando uma amizade improvável com um ex-detento, um rapaz que é o completo oposto dele: espontâneo, animado, cheio de vida. A partir desse encontro, ele conhece a irmã mais velha do rapaz, uma mulher que se prostitui para sustentar a casa. E é com ela que nasce um romance tão torto quanto necessário.

A família desses dois irmãos vive em condições miseráveis. Tudo fede a abandono, dor e sobrevivência, e o filme não tenta aliviar esse retrato em nenhum momento.

Mas o que torna o filme tão poderoso é justamente a sensibilidade com que constrói as relações entre os personagens. A amizade entre os dois homens é uma das coisas mais bonitas do roteiro. O vínculo entre eles é tão genuíno que parece uma relação de irmãos. O romance com a irmã é igualmente intenso. E cada vínculo funciona como uma pequena fagulha tentando iluminar o abismo emocional em que todos se encontram.

O filme é triste, mas há beleza nessa tristeza. É bonito ver como o amor e a amizade oferecem pequenos respiros. É tocante ver o protagonista ganhando cor ao se apaixonar. É comovente quando ele deseja proteger alguém que já não sabe mais o que é ser protegida. E também é doloroso ver os três tentando escapar do inferno particular em que vivem.

A fotografia é impecável, crua, mas delicadamente bela. A direção é segura e sabe exatamente onde colocar a câmera para extrair o máximo de dor, desejo e desconforto. As cenas de nudez são conduzidas com uma maestria rara, especialmente ao contrastar o sexo cheio de afeto com o protagonista com o sexo mecânico, degradante e traumático com o antagonista.

Nada é gratuito aqui. Nem o sofrimento, nem a nudez, nem os silêncios, nem os gritos. O roteiro acerta ao se manter centrado nos dramas dos personagens, sem tentar abraçar temas demais. Os diálogos são realistas, a atmosfera é carregada e, mesmo com um ritmo lento, o filme prende. É aquele melodrama sombrio que sabe o que quer dizer e como dizer.

É difícil encontrar um filme que cause tanto incômodo e encanto ao mesmo tempo. The Light Shines Only There me deixou arrasada, tocada e apaixonada. Um filme para sentir na pele. E um dos melhores nessa temática que já vi.

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Completed
Wanee and Junah
0 people found this review helpful
Jun 15, 2025
Completed 0
Overall 5.0
Story 5.0
Acting/Cast 8.0
Music 10
Rewatch Value 5.0

Silêncios que pesam mais do que palavras

É difícil escrever sobre Wanee and Junah. Faz tempo que um filme não me deixava tão dividida entre o que senti e o quanto gostei.

Sei que gostei, mas até que ponto, eu ainda não sei. Talvez porque seja um filme que mais provoca do que responde, mais evoca do que entrega.

É uma história lenta, contemplativa, que funciona justamente por se passar numa cidade pequena do interior. O ritmo calmo da vida se espelha no tempo do filme.

Acompanhamos Wanee, uma mulher que vive com o namorado, Junah. Eles se amam, mas há uma desconexão sutil entre os dois, um ruído de fundo, um silêncio desconfortável. Algo que ela evita nomear.

Tudo começa a mudar quando Wanee recebe a notícia de que seu irmão está voltando. A partir daí, memórias esquecidas ou reprimidas começam a emergir. E quanto mais o passado vem à tona, mais ela se distancia do presente e de Junah, que tenta entender o que está se passando.

Aos poucos, o filme revela que a relação entre Wanee e o irmão ultrapassou o aceitável. Eles se apaixonaram. E a partida dele foi a ruptura silenciosa de algo que nunca teve permissão para existir. Esse sentimento mal resolvido a paralisa. Ela não consegue seguir em frente, não com verdade, não com entrega. E Junah, que claramente a ama mais do que é amado, se vê cada vez mais impotente diante desse afastamento silencioso.

Gosto muito da forma como o filme conduz essa revelação. Não há pressa. As memórias vêm aos poucos, sem estardalhaço, quase como se brotassem da melancolia. O passado e o presente se misturam de forma orgânica, embora às vezes confusa. As transições de tempo são sutis demais, e se não fosse por um detalhe mínimo como um corte de cabelo, seria quase impossível identificar o que é flashback.

Há escolhas de direção que me pareceram pouco funcionais. O filme dedica tempo demais às cenas dela trabalhando como animadora. Entendo a tentativa de dar um paralelo simbólico — ela se refugia no trabalho para fugir de casa, fugir de si mesma —, mas a execução cansa um pouco. Existem maneiras mais eficazes de mostrar esse afastamento emocional sem recorrer tanto ao cotidiano profissional, que parece deslocado do centro emocional da trama.

Ainda assim, Wanee and Junah tem méritos fortes: a fotografia é lindíssima, a atmosfera tem um peso melancólico envolvente, e há um cuidado visível em tratar o tema com delicadeza.

Mas também fica a sensação de que o diretor queria dizer algo profundo e íntimo, só não encontrou completamente o caminho. O filme promete um melodrama contido, cheio de silêncios dolorosos e sentimentos proibidos, mas por vezes hesita em mergulhar de fato neles.

No fim, Wanee and Junah é uma experiência sensorial. A gente sente mais do que entende. E talvez seja esse o ponto. Mesmo com seus tropeços, ele me marcou. Eu gostei. Mas com um pouco mais de entrega emocional, eu poderia ter amado.

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