Simples, mas um simples bem feito
The Harmonium in My Memory é um filme simples, mas é um simples bem feito.É um retrato real e tocante da Coreia dos anos 60, com uma ambientação tão bem construída que parece nos transportar no tempo. Com uma narrativa no estilo slice of life, ele mergulha nas pequenas nuances da vida cotidiana de uma comunidade rural, revelando a beleza escondida nos detalhes mais singelos.
A história gira em torno de um jovem professor recém-formado que deixa a capital em busca de experiência em uma escola do interior. Lá, ele acaba despertando a atenção de uma de suas alunas, enquanto se apaixona discretamente por uma colega professora. Embora essa premissa possa sugerir clichês, o roteiro conduz tudo com muita autenticidade e personalidade.
Não é um romance entre professor e aluna, é uma história sobre o despertar do primeiro amor, do ponto de vista de uma menina vivendo suas primeiras emoções de forma ingênua e sincera.
Essa representação do amor juvenil me tocou, pois me remeteu à minha própria adolescência, àquelas paixões idealizadas e inocentes (e impossíveis). É bonito ver como o filme trata isso com sensibilidade, sem forçar situações ou estereótipos.
Ao mesmo tempo, o filme apresenta um retrato honesto das dificuldades enfrentadas por alunos e professores daquela época. Alunos cujas famílias são analfabetas, que não têm acesso a materiais básicos como lápis de cor, que levam irmãos pequenos para a escola por falta de apoio em casa. Crianças que carregam responsabilidades demais para a idade. Tudo isso é mostrado com naturalidade, sem exageros.
A professora, por sua vez, representa uma tentativa de renovar um sistema educacional rígido e ultrapassado, tentando tornar o ensino mais humano. O jovem professor, enquanto descobre o que significa realmente lecionar, vai construindo vínculos com seus alunos e com os colegas. A forma como o roteiro desenvolve esses três personagens principais é um dos pontos altos da obra.
Apesar de ser um filme adorável e envolvente, senti que alguns elementos poderiam ter sido melhor aprofundados. E, particularmente, não gostei da cena pós-créditos. Embora ela faça sentido dentro da proposta do filme, me causou um certo desconforto.
No geral, The Harmonium in My Memory é ótimo. Um filme encantador, com um ritmo tranquilo, que fala sobre amor, amadurecimento e educação. Recomendo especialmente para quem aprecia histórias intimistas e ambientações bem cuidadas. Foi uma verdadeira viagem no tempo.
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Tocante
Esse drama é, sinceramente, uma das coisas mais lindas que já assisti. Com uma delicadeza comovente, ele toca o coração de forma sutil e genuína.Passei por cada episódio com um sorriso no rosto, os olhos marejados e o coração completamente envolvido. A naturalidade com que a história se desenrola é impressionante, tudo acontece com uma autenticidade tão viva, humana e sensível que, por momentos, eu esquecia que estava vendo uma ficção.
Não há vilões, antagonismos forçados nem reviravoltas absurdas. As situações são comuns, cotidianas até, mas são justamente essas pequenas coisas que tornam a trama tão especial. Os sentimentos são construídos devagar, com cuidado, e isso torna cada gesto, cada olhar e cada diálogo mais significativo.
Embora não seja exatamente um slice of life, o drama tem essa sensação de realismo e leveza. A trama gira em torno de uma mulher que, após receber um transplante de coração da cunhada de seu noivo, se aproxima, sem perceber, do irmão dele, um viúvo com dois filhos. Aos poucos, entre encontros casuais e diálogos sinceros, nasce um amor delicado e verdadeiro entre os dois.
Um dos maiores méritos do drama é fugir dos clichês. Não há pais opressores, ex-namoradas maquiavélicas ou disputas melodramáticas. Até o noivo da protagonista, que poderia facilmente ser retratado como um obstáculo, é um homem apaixonante, gentil e compreensivo. Tudo é voltado para o drama humano, com momentos leves, emocionantes e carregados de significado.
A narrativa é coesa do início ao fim. Não há pressa para contar a história, mas também não há enrolação, tudo tem seu tempo e seu peso. A construção do clímax acontece de forma orgânica, sem precisar recorrer a eventos forçados ou revelações abruptas. Cada ponto da trama é bem amarrado, cada subtrama tem relevância e todos os personagens cumprem um papel importante.
A química entre o casal principal é encantadora, e as interações do protagonista com os filhos são, talvez, o que há de mais tocante no drama. É raro ver crianças escritas com tanta autenticidade, uma menina que amadureceu cedo, mas que ainda é criança, e um garotinho adorável, com reações naturais para sua idade. Nada é exagerado ou caricato. São, de fato, crianças normais, com personalidade, doçura e presença marcante.
As relações familiares são desenvolvidas com sensibilidade, e cada interação carrega significado. Não há cenas desperdiçadas. O ritmo é envolvente, com equilíbrio entre drama, emoção e leveza. Ri muito, chorei bastante, e sorri mais do que tudo. É uma história para guardar no coração.
Já entrou para os meus favoritos, e recomendo de olhos fechados. The Spring Day of My Life é um drama sobre amor, reconstrução, e humanidade. Lindo do começo ao fim.
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Desinteressante
Com peso no coração decidi abandonar My Girl após três episódios.É uma decepção ainda maior pelo fato de a premissa estar entre as minhas favoritas: um homem que descobre ter uma filha da qual nunca soube e, após a morte da mãe, precisa assumir a paternidade. Amo esse tipo de história por seu potencial emocional. Acompanhar um personagem inicialmente egoísta ou imaturo amadurecendo por meio do amor e da responsabilidade de cuidar de uma criança sempre mexe comigo. É o tipo de jornada que costuma equilibrar humor, afeto e drama do jeitinho que eu adoro. Mas, infelizmente, não foi isso que encontrei aqui.
O protagonista é, desde o início, um homem bonzinho, ingênuo, que não precisa passar por uma grande transformação. Ele já quer ser um bom pai, já quer conciliar tudo e ser responsável. Na teoria deveria ser positivo, mas na prática tira qualquer possibilidade de desenvolvimento significativo. A narrativa não oferece conflitos reais nem obstáculos emocionais que tornem essa transição interessante.
A filha, embora encantadora, é reduzida a uma criança fofa que não quer incomodar o pai. Ela não tem voz própria, nem momentos de destaque ou emoção. A dinâmica entre os dois, que deveria ser o coração do drama, é rasa e repetitiva.
O enredo também se perde em longas cenas no ambiente de trabalho do protagonista, que pouco acrescentam à história principal. Fica claro que a intenção é criar um conflito entre carreira e paternidade, mas isso é feito de maneira forçada, sem tensão ou consequência real.
Além disso, os flashbacks com a ex-namorada, que poderiam aprofundar o drama e mostrar camadas do luto ou da culpa, se resumem a lembranças genéricas e idealizadas com diálogos sem peso e cenas que não acrescentam nada além de minutos de tela.
Os personagens secundários são todos unidimensionais e servem mais como cenário do que como parte viva da história. Os diálogos são mornos, as cenas carecem de impacto emocional, e o drama, que deveria ser o fio condutor, simplesmente não existe.
Após três episódios, tudo parece girar em torno da mesma fórmula, ele tentando conciliar o trabalho com a paternidade e falhando, enquanto a menina tenta se apagar para não atrapalhar.
Talvez My Girl funcionasse melhor como um filme, com ritmo mais enxuto e uma história mais focada. Mas como drama seriado, falta carisma, propósito e, principalmente, personalidade. É uma trama que promete muito, mas entrega muito pouco. Por isso estou desistindo.
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Desperdício de potencial
The Ravine of Goodbye é um filme que tinha tudo para ser impactante, mas tropeça nas próprias escolhas narrativas. Trabalha com duas histórias paralelas que, embora prometam convergir, acabam se anulando.De um lado, temos um jornalista investigativo observando de perto o caso de uma mulher presa, acusada de assassinar o próprio filho. Do outro, a trama de uma mulher marcada por um estupro coletivo sofrido na adolescência, tentando recomeçar a vida ao lado de um dos estupradores, com quem agora é casada (inacreditável, eu sei). O elo entre as duas histórias seria esse homem: suposto envolvimento amoroso com a mulher acusada e, no passado, agressor da esposa atual.
Mas a promessa de conexão entre essas tramas nunca se cumpre de verdade. A narrativa em torno da mãe assassina parece deslocada, quase descartável. O mistério do crime não é desenvolvido, a criança nunca aparece em cena, e a suspeita de envolvimento do protagonista soa forçada e sem fundamento. Essa metade do filme é morosa, pouco envolvente e não acrescenta quase nada à experiência como um todo, além de arrastar o ritmo.
A segunda história, no entanto, é muito mais poderosa. Trata do trauma, da vergonha pública, da impossibilidade de seguir em frente, e do luto íntimo que uma mulher carrega por ter sido violentada.
A forma como o filme aborda o arrependimento do agressor também é um ponto forte. É possível sentir o quanto ele se envergonha do que fez, o quanto isso o assombra e o quanto ele busca desesperadamente o perdão. Não como redenção mágica, mas como um pedido de humanidade. Há algo de genuíno nesse arco, e talvez seja o único fio emocional verdadeiramente bem conduzido no filme.
Ainda assim, a condução geral da narrativa peca por escolhas questionáveis. O ritmo beira o slice of life, mas sem o charme ou a sensibilidade que esse estilo costuma exigir. É lento demais, disperso demais, e muitas cenas parecem existir apenas para ocupar tempo. Os momentos de silêncio não carregam densidade emocional, apenas a sensação de que o filme se alonga sem necessidade.
As cenas de sexo, com exceção da cena de estupro (angustiante, curta e filmada com o desconforto necessário), soam gratuitas, desconexas e desnecessariamente longas. São desconfortáveis não pelo conteúdo em si, mas porque parecem colocadas sem real propósito narrativo (mais uma entre várias decisões duvidosas da direção).
No fim, The Ravine of Goodbye deixa a sensação de um filme com grande potencial, especialmente por conta de seu segundo arco, mas que erra no foco e na execução.
É sombrio, carregado de temas fortes, e tem momentos de potência emocional real, mas desperdiça tempo demais com uma trama secundária mal amarrada. Não é um filme para qualquer um, e talvez nem tenha sido um filme para mim. Recomendo, mas com muitas ressalvas.
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Respirar como forma de sobreviver
Breath me surpreendeu de forma extremamente positiva.Minha curiosidade inicial era saber como o filme lidaria com a barreira linguística, já que o protagonista é interpretado por um ator taiwanês em uma produção coreana. A solução encontrada é ótima: ele é um condenado à morte, um maníaco suicida que, logo nos primeiros minutos do filme, tenta se matar enfiando um objeto na garganta, o que o deixa fisicamente incapacitado de falar. É um silêncio imposto, mas profundamente simbólico.
A história gira em torno de uma mulher que, ao descobrir uma traição do marido, se vê emocionalmente sufocada. Sem saber ao certo o porquê, passa a visitar esse prisioneiro silencioso, cuja tentativa de suicídio repetidamente aparece no noticiário.
O título do filme, Breath, não poderia ser mais certeiro. Aquelas visitas se tornam para ambos momentos de pausa, de escape, de respiro diante da asfixia emocional em que vivem.
As cenas entre eles são de uma beleza desconcertante. Ela o visita em salas de encontro íntimo, que decora a cada vez com o tema de uma estação do ano. Leva um rádio, escolhe uma música simbólica, canta para ele e compartilha uma memória marcante que tem relação com aquela estação.
No começo, ele apenas a observa com desejo, o que é compreensível, considerando o isolamento e a solidão de anos numa cela cercado só por homens. Mas aos poucos o erotismo dá lugar a outra forma de intimidade. Ele relaxa, e ali, eles respiram juntos. Há uma entrega silenciosa, uma troca de vulnerabilidades.
É um filme sobre a necessidade vital de conexão, ainda que breve, ainda que improvável. Sobre como, em meio à dor, à traição, ao desespero, duas pessoas completamente diferentes podem se tornar a válvula de escape uma da outra.
A escolha estética de ter sempre apenas um dos personagens falando em cada cena reforça essa dualidade: o que se diz e o que se guarda.
O início do filme é mais morno, mas à medida que as visitas começam, o enredo ganha corpo. O ritmo melancólico é bem dosado, a estética dramática contribui para a imersão, e o simbolismo da respiração permeia toda a narrativa de forma comovente. Não é um filme perfeito, há escolhas que podem parecer excessivamente metafóricas ou abstratas, mas é uma experiência tocante e única.
No fim, é exatamente isso, um filme sobre duas pessoas que, mesmo em mundos opostos, se encontram no mesmo fôlego.
Recomendo.
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Uma atmosfera impecável a serviço de muito pouco
End of Summer é um filme interessante, mas dificilmente chamaria de bom. Seu maior trunfo está na ambientação. A recriação do Japão dos anos 50/60 é tão sensorial que, por instantes, parece que estamos mesmo lá.A cinematografia também é belíssima, os enquadramentos e movimentos de câmera traduzem com delicadeza a estagnação e frustração da protagonista. Mas infelizmente, todo esse cuidado visual parece desperdiçado diante de um roteiro que não sabe muito bem o que fazer com seus próprios personagens.
A trama gira em torno de uma mulher que mantém um relacionamento estável, mas extraconjugal, com um homem mais velho, casado e com uma filha. A esposa dele, que vive em outra cidade, aceita esse arranjo e permite que o marido divida o tempo entre as duas casas. A protagonista, então, vive num eterno entrelugar: nem esposa, nem livre, presa a uma promessa que nunca se cumpre. Sua frustração cresce e a leva a se envolver com um segundo homem, um conhecido de longa data que sempre a desejou. Mas ela não o ama, e essa tentativa de fuga só aprofunda o vazio.
Há um esforço para criar um retrato sutil do tédio, da estagnação emocional e das vidas silenciosamente sufocadas, ingredientes típicos de um slice of life. Mas o filme se afoga no próprio silêncio. Os diálogos são escassos, o ritmo é moroso, e embora isso possa ser uma escolha estética, falta à narrativa a densidade necessária para que esses silêncios digam algo. Muitas cenas parecem existir apenas para preencher tempo, e não para desenvolver personagem ou trama.
O que mais me incomodou foi o desperdício de potencial, sobretudo do amante da protagonista (talvez o personagem mais intrigante da história), que é deixado de lado, mal desenvolvido, mesmo com toda a carga emocional e narrativa que poderia oferecer.
O filme ainda se complica com idas e vindas temporais entre o passado e o presente, sem qualquer sinalização clara. Não há mudanças visuais nem elementos que ajudem a diferenciar as linhas temporais, o que torna algumas cenas confusas, já que os mesmos personagens estão presentes em ambas.
End of Summer acerta no cenário, na atmosfera e na proposta de mergulhar em vidas à deriva, mas falha em dar substância a esses personagens. Algumas questões são levantadas e logo abandonadas. Outras, nem chegam a ser abordadas com profundidade.
Eu gostei da experiência, mas não o considero um bom filme e tampouco o recomendaria.
É o tipo de obra que encanta os olhos, mas apenas os olhos.
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Um desastre
Lovers Vanished é um desastre. Um filme que poderia ter sido denso, profundo, tocante, mas que acaba sendo apenas vazio e frustrante.A direção é um dos maiores problemas. É excessivamente fragmentada, com cortes rápidos que sabotam qualquer tentativa de construir emoção, tensão ou profundidade. Cenas que deveriam durar são reduzidas a flashes, e assim o filme corre por cima da própria história como se estivesse apressado para acabar.
Não há fluidez, não há ritmo, não há envolvimento. O diretor parece mais interessado em pular de momento em momento do que em construir algo. E isso compromete tudo. As cenas não têm peso. Os personagens não têm tempo de existir. Eles não são desenvolvidos, não têm voz própria, apenas estão ali, perdidos num enredo que se desfaz a cada novo corte.
A premissa em si é interessante: um presidiário contrai HIV na esperança de ser libertado — o que não acontece — e então foge. Paralelamente, temos uma assistente de palco que se envolve num assassinato acidental, é protegida por um mágico que assume a culpa por ela, e contrai HIV dele, o mesmo mágico que depois transmite a doença ao protagonista.
Mas a execução é um desastre. A subtrama envolvendo a mágica é tão deslocada e artificial que beira o risível. Parece uma tentativa pretensiosa de adicionar simbolismo e camadas, mas o resultado é apenas forçado.
Falta densidade emocional, falta carga dramática, falta humanidade. Para um filme que se propõe a tratar da AIDS, um tema tão potente, é quase criminoso como o impacto da doença é negligenciado. Os personagens não reagem, não processam, não mudam. São apenas peças sendo arrastadas por uma narrativa rasa que tenta soar profunda, mas falha em todos os aspectos.
O único mérito vai para o elenco, especialmente Kim Namgil, que entrega uma atuação surpreendentemente boa, mesmo com o roteiro e a direção jogando contra ele o tempo todo. Ele dá tudo de si, mas sozinho não consegue salvar uma obra que se perde desde a primeira cena.
O que mais me incomoda é a sensação de desperdício. Dá a impressão de que o filme foi gravado em excesso e depois brutalmente picotado na edição, sem cuidado, sem critério, sem compromisso com o que deveria ser contado. E como o diretor também assina o roteiro, é impossível não responsabilizá-lo por esse desastre completo.
No fim, Lovers Vanished é um filme sem propósito e sem impacto. Um projeto que até poderia ter sido marcante (poderia?), mas não foi. Arrependida de ter assistido.
Não recomendo.
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Dolorosamente lindo
Sabe quando um filme é tão bom desde o início que você já sofre só de saber que ele vai acabar? Foi exatamente essa a minha experiência com The Light Shines Only There. E o mais curioso é que ele é desconfortável e, ainda assim, eu queria permanecer mais tempo naquele universo cruel e melancólico.A premissa é simples, mas executada com precisão e intensidade. Seguimos um homem solitário, carregando uma depressão que o afunda em jogos, bebidas e cigarros, que acaba criando uma amizade improvável com um ex-detento, um rapaz que é o completo oposto dele: espontâneo, animado, cheio de vida. A partir desse encontro, ele conhece a irmã mais velha do rapaz, uma mulher que se prostitui para sustentar a casa. E é com ela que nasce um romance tão torto quanto necessário.
A família desses dois irmãos vive em condições miseráveis. Tudo fede a abandono, dor e sobrevivência, e o filme não tenta aliviar esse retrato em nenhum momento.
Mas o que torna o filme tão poderoso é justamente a sensibilidade com que constrói as relações entre os personagens. A amizade entre os dois homens é uma das coisas mais bonitas do roteiro. O vínculo entre eles é tão genuíno que parece uma relação de irmãos. O romance com a irmã é igualmente intenso. E cada vínculo funciona como uma pequena fagulha tentando iluminar o abismo emocional em que todos se encontram.
O filme é triste, mas há beleza nessa tristeza. É bonito ver como o amor e a amizade oferecem pequenos respiros. É tocante ver o protagonista ganhando cor ao se apaixonar. É comovente quando ele deseja proteger alguém que já não sabe mais o que é ser protegida. E também é doloroso ver os três tentando escapar do inferno particular em que vivem.
A fotografia é impecável, crua, mas delicadamente bela. A direção é segura e sabe exatamente onde colocar a câmera para extrair o máximo de dor, desejo e desconforto. As cenas de nudez são conduzidas com uma maestria rara, especialmente ao contrastar o sexo cheio de afeto com o protagonista com o sexo mecânico, degradante e traumático com o antagonista.
Nada é gratuito aqui. Nem o sofrimento, nem a nudez, nem os silêncios, nem os gritos. O roteiro acerta ao se manter centrado nos dramas dos personagens, sem tentar abraçar temas demais. Os diálogos são realistas, a atmosfera é carregada e, mesmo com um ritmo lento, o filme prende. É aquele melodrama sombrio que sabe o que quer dizer e como dizer.
É difícil encontrar um filme que cause tanto incômodo e encanto ao mesmo tempo. The Light Shines Only There me deixou arrasada, tocada e apaixonada. Um filme para sentir na pele. E um dos melhores nessa temática que já vi.
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Silêncios que pesam mais do que palavras
É difícil escrever sobre Wanee and Junah. Faz tempo que um filme não me deixava tão dividida entre o que senti e o quanto gostei.Sei que gostei, mas até que ponto, eu ainda não sei. Talvez porque seja um filme que mais provoca do que responde, mais evoca do que entrega.
É uma história lenta, contemplativa, que funciona justamente por se passar numa cidade pequena do interior. O ritmo calmo da vida se espelha no tempo do filme.
Acompanhamos Wanee, uma mulher que vive com o namorado, Junah. Eles se amam, mas há uma desconexão sutil entre os dois, um ruído de fundo, um silêncio desconfortável. Algo que ela evita nomear.
Tudo começa a mudar quando Wanee recebe a notícia de que seu irmão está voltando. A partir daí, memórias esquecidas ou reprimidas começam a emergir. E quanto mais o passado vem à tona, mais ela se distancia do presente e de Junah, que tenta entender o que está se passando.
Aos poucos, o filme revela que a relação entre Wanee e o irmão ultrapassou o aceitável. Eles se apaixonaram. E a partida dele foi a ruptura silenciosa de algo que nunca teve permissão para existir. Esse sentimento mal resolvido a paralisa. Ela não consegue seguir em frente, não com verdade, não com entrega. E Junah, que claramente a ama mais do que é amado, se vê cada vez mais impotente diante desse afastamento silencioso.
Gosto muito da forma como o filme conduz essa revelação. Não há pressa. As memórias vêm aos poucos, sem estardalhaço, quase como se brotassem da melancolia. O passado e o presente se misturam de forma orgânica, embora às vezes confusa. As transições de tempo são sutis demais, e se não fosse por um detalhe mínimo como um corte de cabelo, seria quase impossível identificar o que é flashback.
Há escolhas de direção que me pareceram pouco funcionais. O filme dedica tempo demais às cenas dela trabalhando como animadora. Entendo a tentativa de dar um paralelo simbólico — ela se refugia no trabalho para fugir de casa, fugir de si mesma —, mas a execução cansa um pouco. Existem maneiras mais eficazes de mostrar esse afastamento emocional sem recorrer tanto ao cotidiano profissional, que parece deslocado do centro emocional da trama.
Ainda assim, Wanee and Junah tem méritos fortes: a fotografia é lindíssima, a atmosfera tem um peso melancólico envolvente, e há um cuidado visível em tratar o tema com delicadeza.
Mas também fica a sensação de que o diretor queria dizer algo profundo e íntimo, só não encontrou completamente o caminho. O filme promete um melodrama contido, cheio de silêncios dolorosos e sentimentos proibidos, mas por vezes hesita em mergulhar de fato neles.
No fim, Wanee and Junah é uma experiência sensorial. A gente sente mais do que entende. E talvez seja esse o ponto. Mesmo com seus tropeços, ele me marcou. Eu gostei. Mas com um pouco mais de entrega emocional, eu poderia ter amado.
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Um retrato dolorosamente sutil da vida adulta
Grown-ups me pegou de surpresa, e de uma forma muito boa. É um filme slice of life, com o ritmo orgânico e por vezes entorpecido da vida real. Como o próprio título sugere, ele mergulha com delicadeza (e certa crueldade) no processo de amadurecimento, com foco especial nos momentos em que somos forçados a crescer mesmo sem estarmos prontos.A protagonista acaba de descobrir uma gravidez inesperada e não tem certeza de quem é o pai: o namorado atual ou um antigo caso de uma noite. A partir daí, o filme alterna entre presente e passado, construindo aos poucos uma teia de lembranças, silêncios e decisões mal resolvidas. Esse jogo de tempos pode causar certa estranheza no início, mas logo se torna viciante. O passado serve como chave para decifrar o presente e a protagonista.
O que realmente me prendeu foi a construção da dinâmica entre ela e o namorado. Ele não é aquele tipo clássico de homem tóxico explosivo. Pelo contrário, sua toxicidade é sutil, rasteira, silenciosa. Está nos pequenos gestos, nos silêncios forçados, nas conversas que ele sempre conduz ao seu favor. A protagonista vai se apagando aos poucos. Ela cede o tempo todo. Sente que algo está errado, mas não consegue reagir. O olhar dela, a postura, até o tom de voz com ele muda.
A manipulação dele é refinada. Ele nunca grita, nunca agride, mas sabe exatamente como culpabilizá-la, como inverter a narrativa, como aplacar qualquer rebelião com frases como “Por que você está agindo assim?” e com isso planta nela a dúvida sobre o próprio desconforto. É um retrato afiadíssimo de um relacionamento abusivo emocional, onde o abuso se disfarça de normalidade.
O ponto alto do filme, para mim, é o clímax. Um diálogo longo, cru, real, em que finalmente ela se impõe. É uma cena tensa, com uma carga dramática explosiva que fecha tudo com chave de ouro. Ali, o filme entrega tudo que prometeu construir desde o início: o amadurecimento emocional de alguém que foi esmagada por tempo demais.
As atuações são excelentes, especialmente a do ator que interpreta o namorado. Sua linguagem corporal é um espetáculo à parte. Até nos momentos de silêncio, seu corpo fala. Os gestos de contenção, os sorrisos vazios, a forma como tenta suavizar os próprios erros, é de uma veracidade impressionante.
A narrativa é minuciosa, concentrada nos detalhes. Nada é jogado na cara do telespectador, e por isso tudo tem mais peso. Mesmo com o ritmo lento, o filme prende. Vi de madrugada, exausta, mas em nenhum momento bocejei. Me manteve em estado de atenção constante, como se cada silêncio dissesse mais do que qualquer fala.
Claro, há pequenos tropeços aqui e ali, mas nada que prejudique a experiência. Grown-ups é um filme sério, humano, real. É sobre os momentos em que a vida exige que cresçamos, especialmente quando dói. É principalmente sobre aprender a dizer não, mesmo quando tudo ao redor te ensinou a ceder.
Recomendo!
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Uma surpresa gótica e grotesca
Thirst é um daqueles filmes que te pegam completamente desprevenido. Eu não tinha lido sinopse, como costumo fazer, fui pela capa e pelo elenco. Na minha cabeça, seria um filme de possessão sobre um padre exorcizando uma garota possuída. Então imagine o meu susto (e depois a minha fascinação) ao descobrir que, na verdade, era um filme de vampiros.Logo nos primeiros minutos, fiquei hipnotizada. A fotografia é soberba, a direção é marcante em cada plano, e a assinatura do diretor é tão forte que parecia estar estampada na tela o tempo todo. É um filme visualmente impressionante, com efeitos especiais surpreendentemente bons para a época e uma maquiagem impecável, que reforça a atmosfera mórbida e surreal da história.
E que história doida e original. Um padre se voluntaria para testar uma vacina experimental contra uma doença letal. Então ele morre e volta à vida após ser infectado com sangue de vampiro durante a transfusão, e acaba se interessando pela esposa de seu amigo de infância. É estranho quando se resume assim, mas o modo como o roteiro desenvolve isso é autêntico, com muita identidade visual e bem interessante (eu garanto).
O tom do filme mistura tragédia, romance, horror e humor negro com uma naturalidade absurda. É tudo muito bizarro, perturbador, mas também estranhamente humano.
O elenco está brilhante, entregando atuações intensas e cheias de nuances, especialmente a dupla central, que conduz a trama com carisma e loucura crescentes. Eles tomam decisões cada vez mais imprevisíveis, e a narrativa segue por caminhos inesperados, mantendo a atenção do início ao fim.
É um filme violento e sexual, mas nada soa gratuito. A nudez, o sangue, os impulsos mais primitivos, tudo tem um propósito dentro da história. A sensualidade está ali, mas é desconfortável e distorcida. A violência choca, mas também revela as camadas de culpa, desejo, repressão e libertação dos personagens.
Park Chanwook sabe exatamente o quanto mostrar e quando.
Houve um momento em que senti o ritmo cair, especialmente quando os personagens começam a enlouquecer de vez, e a narrativa se torna mais errática. Mas logo o filme retoma o controle e volta a me surpreender.
Thirst é como assistir a uma versão adulta, ensanguentada e sexy da Família Addams: sombrio, excêntrico e, de forma estranha, divertido.
Recomendo fortemente para quem procura um filme que fuja do convencional, que provoque desconforto e risadas nervosas ao mesmo tempo.
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This review may contain spoilers
Um soft porn mal disfarçado de drama emocional
Fruit of Love é um exemplo claro de como uma premissa até poderia render algo instigante, mas afunda completamente na execução amadora, num roteiro raso e numa direção fetichista que transforma a proposta em algo quase ofensivo.A trama é a de um “dark romance” barato, do tipo que se encontra perdido entre eBooks autopublicados na Amazon: um casal afundado em dívidas recebe uma proposta indecente de um empresário rico, ex-colega de escola deles, que oferece dinheiro para passar três meses com ela, seu antigo amor platônico. Como esperado, ela se envolve com ele emocionalmente, e a história tenta construir alguma tensão romântica a partir disso.
Mas o que poderia ser um drama passional se revela apenas um pretexto mal disfarçado para justificar longas (embora poucas) cenas de sexo mal filmadas.
A estrutura narrativa sofre com o erro clássico de "tell, don’t show". Ao invés de nos deixar sentir a história, o filme prefere personagens explicando tudo em diálogos expositivos e sem emoção. Momentos que poderiam ser carregados de tensão ou sentimento são reduzidos a falas desinteressantes que esvaziam qualquer potencial dramático. Em se tratando de uma obra audiovisual, essa escolha mata o impacto narrativo.
As cenas de sexo, por sua vez, escancaram o olhar masculino e fetichista da direção. A câmera está quase sempre centrada no corpo e nas expressões da mulher, buscando claramente excitar o espectador masculino. Isso por si só já incomoda, mas se torna revoltante na cena de estupro. Um momento que deveria ser retratado com seriedade e gravidade é filmado de forma fetichizada, como se fosse uma fantasia. A personagem repete que não quer, que não consente, e mesmo assim a câmera insiste em romantizar e erotizar a violência. A cena não tem propósito narrativo, não desenvolve personagem nem altera a trama de forma significativa. Serve apenas ao desejo sádico do diretor de provocar “prazer” visual com algo absolutamente condenável. É nojento e gratuito.
Os personagens são unidimensionais e têm falas rasas. O marido é o típico homem que não faz nada além de arrastar a esposa para o fundo do poço. Não trabalha, vive endividado, entrega a própria mulher a outro homem por dinheiro e ainda é tratado pelo roteiro como a escolha “certa” no final.
Já o empresário é o único que parece ao menos tratá-la com gentileza. Os dois têm química, e suas cenas juntos são as únicas que têm alguma centelha de autenticidade.
O filme tenta, de maneira falha e mal disfarçada, passar a mensagem de que “o dinheiro não traz felicidade” e que a vida simples e dura, ao lado de quem se ama, é o verdadeiro caminho. Mas como comprar essa ideia quando o marido é abusivo, passivo e conivente com o abuso sofrido pela esposa? E como ignorar que o final força a protagonista a escolher o retorno a essa vida miserável, ao invés de escolher ficar sozinha e passar a mensagem de que ela não precisa de ninguém para ser feliz?
O final é péssimo, incoerente, desconectado da realidade emocional construída (ou destruída) ao longo do filme. E revela muito mais sobre a visão machista e ultrapassada do diretor do que sobre qualquer arco narrativo que ele tenha tentado construir.
No geral, é um filme ruim. Amador, desconfortável, visualmente pobre (a fotografia é tenebrosa) e com uma abordagem questionável da sexualidade e do sofrimento feminino. Só não dou nota mínima porque as cenas da protagonista com o empresário ainda possuem alguma química, o resto é descartável.
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Terrível
Estou impressionada com esse filme. Nunca imaginei que pudesse ser tão ruim.Até a metade, eu estava entretida. O roteiro parecia seguir uma direção relativamente sólida. A premissa era interessante: um detetive tenta solucionar um caso de assassinato, desconfiando da viúva, enquanto lida com um drama familiar envolvendo a esposa grávida e a amante, que também descobre estar esperando um filho. Parecia que o filme ia explorar esse conflito duplo, equilibrando o thriller policial com o drama pessoal, mas de repente nada mais faz sentido.
Nem consigo explicar exatamente o que aconteceu, porque o filme simplesmente abandona tudo que vinha construindo sem mais nem menos. O assassinato, que parecia ser o fio condutor, é rapidamente descartado, com um desfecho sem pé nem cabeça. E o drama familiar do protagonista? De repente se transforma, do nada, em um interminável suspense de sobrevivência, com ele preso no porta-malas do próprio carro junto da amante.
O que deveria ser um thriller investigativo com um drama psicológico se converte, sem transição alguma, num suspense aleatório que não tem absolutamente nada a ver com o tom inicial.
O suposto plot twist envolvendo a esposa e a amante consegue ser ainda mais absurdo e forçado, contribuindo para o completo descolamento entre a primeira e a segunda parte do filme.
Sinceramente, não entendi até agora qual foi o propósito do filme, se é que havia um. O diretor ainda tentou enfiar, de maneira nada sutil, a metáfora de Adão e Eva, com alguns simbolismos espalhados, mas o resultado ficou apenas pretensioso, vazio e, francamente, tenebroso.
Enfim, detestei. Não recomendo de jeito nenhum.
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Fofo
Eu gostei demais desse drama! Ele é tão fácil de maratonar, tão simples, despretensioso e fofo que rapidamente me vi apegada à história. Não há nada de complexo aqui, e é justamente essa simplicidade que me encantou.A trama gira em torno de uma sereia que vai para a terra após sonhar que os humanos destruiriam seu lar, e acaba se envolvendo com o homem que lidera a construção de um observatório submarino. Quanto mais ela tenta impedir a obra, mais se apaixona por ele. E é apenas isso: uma história leve, de fantasia, com romance, algumas pitadas de comédia e uma pincelada de drama.
Claro que, mesmo sendo simples, poderia ter sido melhor. Algumas coisas não fizeram muito sentido ou ficaram sem explicação, mas, sinceramente, isso não atrapalhou a experiência.
Gostei demais do casal principal. A protagonista é um amor, toda doidinha, com um coração enorme, uma preciosidade. E o protagonista masculino também me conquistou. Ele parece mal-humorado à primeira vista, mas na verdade é tão fofo quanto ela, só que de um jeito estranhamente cômico e encantador. E a química dos dois é uma gracinha.
Acho que souberam equilibrar bem a comédia, me diverti bastante, embora talvez tenham exagerado um pouco nos personagens secundários, e a relação entre os três irmãos foi abordada de forma um pouco superficial e poderia ter rendido mais.
No geral, é um drama para passar o tempo. Não pretende fazer grandes reflexões, mas entretém, diverte e até conseguiu me emocionar em algumas cenas.
Recomendo com carinho, especialmente para quem quer algo leve e doce.
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interessante
Mars é um drama que, apesar de ter muitos acertos, também comete vários deslizes.Um dos maiores méritos está na forma como desenvolve um relacionamento que vai muito além da simples ideia de “estar apaixonado”. É uma relação de apoio mútuo, em que ambos se ajudam a superar traumas profundos, a recuperar a confiança em si mesmos e a amadurecer. Conforme o tempo passa, o carinho e o amor entre os dois se tornam palpáveis, e há uma naturalidade comovente nessa construção.
Acho que o drama acertou principalmente no desenvolvimento dos traumas centrais de cada um. A trajetória dela, lidando com o trauma do abuso cometido pelo próprio padrasto, é muito bem trabalhada: vemos como ela supera o medo de se aproximar de homens, aprende a fazer amigos e, eventualmente, consegue confiar o suficiente para viver um relacionamento amoroso. Da mesma forma, os traumas dele são bem contextualizados, ajudando a entender suas atitudes e inseguranças.
Gosto muito de como o contraste entre eles — ela, tímida e introvertida, e ele, livre, carismático e extrovertido — cria uma dinâmica em que um potencializa o que há de melhor no outro. Acompanhar a evolução do relacionamento foi como observar a vida real de um casal jovem: cheia de nuances, avanços e retrocessos, mas sempre verdadeira.
No entanto, o drama também apresenta falhas importantes. Sobretudo no começo, perde tempo demais com subtramas quase aleatórias, que pouco acrescentam à narrativa principal. Os personagens secundários, infelizmente, são mal desenvolvidos, com pouca personalidade e arcos superficiais. Parece que o roteiro não se preocupou em construir essas figuras com a mesma dedicação que teve com os protagonistas.
Outro problema é o desequilíbrio no tratamento dos traumas: enquanto os problemas do protagonista masculino recebem um foco excessivo, os da protagonista demoram a ser devidamente explorados. Além disso, algumas situações são tratadas de forma exagerada, especialmente no que diz respeito ao passado dele, fazendo com que certos momentos soem dramáticos além da conta.
Ainda assim, no geral, eu gostei bastante do drama. Ele tem seus desvios, seus exageros, mas o que mais me agradou foi a naturalidade conquistada ao longo dos episódios, a maneira como tudo flui com autenticidade. Só lamento que tenham insistido tanto em algumas subtramas desnecessárias, quando os traumas e o desenvolvimento dos protagonistas já eram mais do que suficientes para sustentar os 20 episódios.
Em suma: é um bom drama. Tem falhas evidentes, mas também uma sensibilidade na forma como trata a dor, a cura e o amor. Gostei e recomendo (com algumas ressalvas).
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