Surpreendente
Eu simplesmente não consigo acreditar no quanto adorei esse filme.A Conviction of Marriage é um thriller psicológico fascinante sobre uma serial killer no corredor da morte que começa a receber visitas regulares de um homem determinado a se casar com ela.
A trama é repleta de reviravoltas e entrega um plot twist muito bom, mas o que realmente me impressionou foi a profundidade emocional da história.
Em apenas duas horas, o roteiro consegue desenvolver absurdamente bem tanto a protagonista quanto o homem interessado por ela, sem jamais parecer apressado ou raso. O drama tem substância, e a construção dos personagens é tão envolvente que, mesmo achando a protagonista insana à primeira vista, você se pega emocionalmente apegado a ela.
A cinematografia é um espetáculo à parte. A atmosfera do filme é tão intensa que te suga completamente para dentro desse thriller psicológico — você sente cada cena como se estivesse lá.
E o que dizer da atuação dos protagonistas? Simplesmente impecável. Eles entregam performances tão naturais e viscerais que você até esquece que está assistindo a um filme. Ela encarna perfeitamente a loucura e instabilidade da personagem, enquanto ele transmite um fascínio inquietante por ela.
Outro ponto alto é a forma como o filme usa flashbacks. Diferente de muitos thrillers, que às vezes abusam desse recurso de forma cansativa, aqui eles são bem explorados e inteligentemente encaixados. Cada cena te faz interpretar a história de uma maneira, só para, logo em seguida, vir outra cena que muda completamente sua percepção. É esse jogo psicológico que mantém o filme tão intrigante.
E mesmo com duas horas de duração, a sensação que fica é de que você acabou de sair de uma maratona de série, não por ser cansativo ou arrastado, mas porque há tantas camadas e tanta complexidade que o impacto é profundo.
Ah, e ainda tem uma cena pós-créditos que muda completamente a forma como enxergamos algumas partes da trama. Um detalhe que só reforça o quão bem amarrado o roteiro é.
Não espere um thriller recheado de violência gráfica. Aqui, o terror está na mente dos personagens. Mas se você gosta de um bom suspense psicológico com doses de romance e drama, A Conviction of Marriage é um filme que vale muito a pena.
Recomendo demais!
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Chato
Que filminho ruim, viu? Nem vou terminar. Fui até a metade e já foi mais do que suficiente.Apesar da cinematografia bonita, a história tem a profundidade de um pires. São tantas cenas vazias de luta que, por um momento, achei que estava assistindo a um filme estadunidense genérico.
Não tenho do que reclamar das cenas de ação, elas são muito bem executadas, e o Ikuta entrega tudo nelas (o cara é bom, não tem jeito). Mas de que adianta quando o personagem mal tem falas e a narrativa é praticamente inexistente? Metade do filme se resume a pancadaria sem substância, sem um enredo realmente envolvente por trás.
E a suspensão de descrença aqui simplesmente não existe. O protagonista leva um tiro na cabeça, é dado como morto, depois descobre que está vivo, mas tetraplégico. Do nada, se recupera milagrosamente e já sai por aí matando uma multidão como se nada tivesse acontecido. É tudo muito forçado, uma tentativa óbvia de reforçar o quão fodão ele é, sem o mínimo de coerência.
Não gostei do que vi e não faço questão de ver o resto.
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Previsível
Tão previsível que chega a ser chato.Eu já não tinha grandes expectativas em relação a esse drama, a apresentação dele é bem feia, mas ainda assim ele conseguiu me frustrar.
Desde o primeiro episódio fica óbvio quem é o culpado e quem é inocente, o que destrói completamente o mistério. É tudo tão clichê que é impossível se enganar, e a tentativa do diretor de iludir o telespectador é tão batida e transparente que não dá nem para cair. Foram literalmente dez episódios só para revelar o que já estava escancarado desde o início.
A trama dos assassinatos é sem graça, não gera tensão nem curiosidade. Eu não fiquei minimamente empolgada porque nada acontece de forma envolvente. O romance dos protagonistas também não funcionou pra mim, não senti química nenhuma e a narrativa é repetitiva e cansativa. Todo episódio termina do mesmo jeito, com ele fazendo aquela reflexão sobre comi ele é culpado, o que fica exaustivo muito rápido.
O drama perde tempo demais com câmera lenta e narração em monólogo, recursos que além de repetitivos não são nem um pouco atraentes.
Faltou desenvolver melhor os personagens. O único que tentaram trabalhar, e ainda assim de forma superficial, foi o protagonista. Nem a protagonista teve um arco de desenvolvimento minimamente relevante. O casal secundário então nem se fala, parece que só jogaram ali para preencher espaço. Se tivessem explorado, por exemplo, o trauma da melhor amiga da protagonista, isso poderia ter dado alguma profundidade a ela, mas nem isso. No fim, os personagens secundários mais parecem figurantes de luxo.
E o episódio final que deveria ser o grande clímax com a descoberta (óbvia), foi um verdadeiro show de horrores, uma sucessão de cenas convenientes. Tudo acontece da forma mais forçada e conveniente possível.
Enfim, é um drama bem fraquinho. Só não dou a nota mínima porque o protagonista tem um certo carisma, o personagem tem alguns bons diálogos, e o Jun fez um bom trabalho na interpretação. A atriz da mocinha é mediana, mas me convenceu dentro do que o roteiro permitia. De resto, nada a destacar. A fotografia é ok, a trilha sonora teve mais erros do que acertos, no geral é isso, um drama fraco e esquecível.
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Simples, mas um simples bem feito
The Harmonium in My Memory é um filme simples, mas é um simples bem feito.É um retrato real e tocante da Coreia dos anos 60, com uma ambientação tão bem construída que parece nos transportar no tempo. Com uma narrativa no estilo slice of life, ele mergulha nas pequenas nuances da vida cotidiana de uma comunidade rural, revelando a beleza escondida nos detalhes mais singelos.
A história gira em torno de um jovem professor recém-formado que deixa a capital em busca de experiência em uma escola do interior. Lá, ele acaba despertando a atenção de uma de suas alunas, enquanto se apaixona discretamente por uma colega professora. Embora essa premissa possa sugerir clichês, o roteiro conduz tudo com muita autenticidade e personalidade.
Não é um romance entre professor e aluna, é uma história sobre o despertar do primeiro amor, do ponto de vista de uma menina vivendo suas primeiras emoções de forma ingênua e sincera.
Essa representação do amor juvenil me tocou, pois me remeteu à minha própria adolescência, àquelas paixões idealizadas e inocentes (e impossíveis). É bonito ver como o filme trata isso com sensibilidade, sem forçar situações ou estereótipos.
Ao mesmo tempo, o filme apresenta um retrato honesto das dificuldades enfrentadas por alunos e professores daquela época. Alunos cujas famílias são analfabetas, que não têm acesso a materiais básicos como lápis de cor, que levam irmãos pequenos para a escola por falta de apoio em casa. Crianças que carregam responsabilidades demais para a idade. Tudo isso é mostrado com naturalidade, sem exageros.
A professora, por sua vez, representa uma tentativa de renovar um sistema educacional rígido e ultrapassado, tentando tornar o ensino mais humano. O jovem professor, enquanto descobre o que significa realmente lecionar, vai construindo vínculos com seus alunos e com os colegas. A forma como o roteiro desenvolve esses três personagens principais é um dos pontos altos da obra.
Apesar de ser um filme adorável e envolvente, senti que alguns elementos poderiam ter sido melhor aprofundados. E, particularmente, não gostei da cena pós-créditos. Embora ela faça sentido dentro da proposta do filme, me causou um certo desconforto.
No geral, The Harmonium in My Memory é ótimo. Um filme encantador, com um ritmo tranquilo, que fala sobre amor, amadurecimento e educação. Recomendo especialmente para quem aprecia histórias intimistas e ambientações bem cuidadas. Foi uma verdadeira viagem no tempo.
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Entediante
Não considero Dependence um filme necessariamente ruim, mas também está longe de ser bom. O grande problema é que ele é, acima de tudo, chato, e isso foi o suficiente para torná-lo ruim.Demorei dois dias para terminar um filme de apenas 1h40, algo que raramente acontece. A narrativa se arrasta e pouca coisa realmente acontece.
Os personagens carecem de carisma e de qualquer traço que gere empatia. Não há química entre eles, e sua evolução ao longo do filme é praticamente nula. A sensação é de que os personagens que vemos no início são os mesmos que encontramos no fim. Não há uma jornada transformadora, o que compromete o propósito do enredo e enfraquece o envolvimento do espectador.
A direção acerta pontualmente na estética, mas fora isso, é difícil destacar algum outro mérito técnico.
A história acompanha um casal desinteressante: ela, uma mulher carente, dependente, sem ambições ou objetivos, que passa os dias entre a cama e visitas a um pet shop; ele, um homem frustrado profissionalmente, que trabalha em uma editora e sonha em ser escritor. Ao longo do filme, ela começa a ganhar destaque na área dele, o que desgasta a relação até levá-los à separação.
Ainda assim, ao final da trama, ela continua sendo uma mulher sem grandes aspirações, apenas adaptada à nova realidade, mas ainda desmotivada e desconectada do mundo. Ele, por sua vez, segue sendo o mesmo homem frustrado profissionalmente. Nada muda de fato, e isso esvazia completamente a narrativa.
O roteiro tenta inserir discussões e reflexões que não têm base na construção dos personagens ou dos conflitos. A separação do casal, por exemplo, parece acontecer sem um motivo concreto. Fica uma sensação vaga de que ele talvez gostasse da dependência dela, e que sua autonomia passou a incomodá-lo, mas essa possível tensão não é explorada de forma significativa.
No fim, Dependence é um filme fraco, insosso e cansativo. Não vale a pena nem como drama, nem como romance (este praticamente inexiste). A atuação dos protagonistas também não impressiona, o que apenas reforça o desinteresse geral causado pela obra.
Infelizmente, não recomendo.
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Estou sem palavras
Que filme alucinante, estou em êxtase!The World of Kanako é completamente fora da caixinha (insano, visceral, perturbador) e me manteve vidrada em cada minuto. É daqueles filmes que você assiste com os olhos arregalados, soltando um "meu deus!" a cada reviravolta.
Os três maiores acertos, sem dúvida, foram:
1. O elenco, que entrega atuações arrebatadoras. Estamos falando de performances intensas, viscerais, daquelas que transbordam desconforto e verdade.
2. Os diálogos, sempre crus, violentos, cheios de tensão. Cada fala carrega um impacto narrativo real.
3. A montagem, que é simplesmente sensacional. Os cortes abruptos, os flashes e as transições caóticas refletem perfeitamente o estado mental do protagonista. Em cenas onde ele está mais perturbado ou sendo hipócrita, a edição acompanha seu colapso psicológico ou hipocrisia de forma sensacional.
A premissa parece simples: um ex-detetive alcoólatra e emocionalmente destruído descobre que sua filha desapareceu. A partir daí, embarca numa investigação desordenada e pessoal para encontrá-la. Aos poucos, ele descobre que a filha que idealizou está longe de ser inocente. Na verdade, Kanako é tão perturbadora, cruel e manipuladora quanto ele.
Um dos grandes méritos do filme é como ele brinca com as linhas temporais. No início, o roteiro sinaliza claramente o que é passado e presente, mas conforme a trama se intensifica, essa distinção desaparece, e curiosamente não fica confuso. A narrativa embaralhada acaba sendo mais um reflexo do caos interno do protagonista do que um mero recurso estilístico. E funciona.
As transições são um espetáculo à parte. Até as cenas mais calmas ganham tensão com a montagem agressiva, cheia de cortes rápidos e inserções quase subliminares. A maquiagem também merece destaque, não economizam em sangue, dor e impacto visual. A violência é gráfica, brutal, e atinge o espectador com força.
Outro ponto que adorei: não há ninguém para se apegar. Todos os personagens são moralmente podres. O filme não nos oferece mocinhos, só acompanhamos, como testemunhas horrorizadas, uma sucessão de decisões autodestrutivas. É um mergulho num abismo humano onde não há redenção (NÃO HÁ!!).
Mas claro, nem tudo funcionou. Por volta da metade, há uma quebra de ritmo difícil de ignorar. Um plot twist muda a perspectiva do protagonista e do espectador, mas também abre as portas para um excesso de tramas paralelas. A partir daí, o roteiro tenta dar conta de muitos elementos: envolvimento com empresários ricos, assassinos de aluguel, um policial perturbado e caricato (até agora não entendi sua real função na trama), guerra de gangues, rivalidades adolescentes. É como se o filme tentasse multiplicar os suspeitos e as teorias, perdendo o foco do que realmente importa.
Apesar desse exagero, o roteiro consegue se reencontrar perto do fim, entregando uma conclusão à altura do caos que construiu.
Sim, é um filme absurdamente violento. Em vários momentos, fiquei FISICAMENTE desconfortável, especialmente por causa da crueldade gráfica contra os personagens. E é importante deixar claro que o protagonista é um ser humano desprezível, podre, repulsivo. E sua filha não fica atrás. É um filme sobre a podridão humana, sem qualquer tentativa de suavizar ou justificar o que mostra.
Ainda assim, The World of Kanako me conquistou. Me entreteve, me chocou, me jogou no chão. Tem identidade, tem estilo, tem cenas memoráveis, diálogos densos e atuações monstruosas tanto do elenco jovem quanto dos veteranos.
Recomendo fortemente para quem curte filmes perturbadores que desafiam sua zona de conforto. Mas vá preparado, é preciso estômago, e nenhuma esperança de encontrar bons personagens. Aqui, todos estão afundando e levando os outros junto.
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Impactante
Enrolei muito para começar esse filme, justamente por conta de sua fama como um dos melhores thrillers da Coreia do Sul. De fato concordo: é realmente muito bom. Ainda assim, acho que ele peca em alguns pontos, e por isso minha nota final fica em 8/10.Extremamente bem filmado, com uma fotografia imersiva e uma direção que transforma todas as cenas de violência em experiências agonizantes e perturbadoras, I Saw the Devil me surpreendeu. A violência não é gratuita: as sequências longas, com poucos ou nenhum corte, criam uma tensão absurda, te deixando angustiado e com vontade de desviar o olhar.
O vilão, interpretado magistralmente, não busca ser carismático: ele é grotesco, cruel, quase um animal. Na primeira metade do filme, achei que ele fosse o “diabo” do título, enquanto o protagonista seria apenas alguém que o “viu”, um homem em busca de vingança pela morte brutal da noiva.
O vilão é um serial killer incontrolável, com sede de sangue, um maníaco sexual que escolhe como alvos mulheres bonitas e vulneráveis, embora também não hesite em matar qualquer homem que atrapalhe sua caçada. A direção acerta muito ao não romantizar essa figura. Por mais que o ator tenha carisma, o personagem não tem nada. E que atuação incrível, ele simplesmente se transforma, e não falo de maquiagem, mas de presença, de entrega.
Do outro lado, o protagonista — que inicialmente parece o "mocinho" clássico — me surpreendeu ainda mais. No começo, imaginei que seria o típico filme de vingança: um herói que persegue o vilão até matá-lo. Mas a segunda metade desconstrói totalmente essa expectativa. O vingador não quer apenas matar, ele quer transformar o vilão em sua presa, num jogo de caça cruel e psicológico. Ele o pega, tortura… e solta. Pega de novo, tortura… e solta. Vai quebrando o vilão física e mentalmente, criando nele o mesmo terror que causou às vítimas. A sombra da vingança o domina de tal forma que é possível sentir que ele está gostando desse jogo. Quem antes era apenas alguém que “viu o diabo”, acaba se transformando no próprio “diabo” aos olhos do vilão.
A mensagem do filme sobre vingança é poderosa, ela nunca traz vitória, apenas mais destruição. O vingador já havia perdido tudo no momento em que perdeu sua noiva, e o vilão nunca deixa que ele esqueça disso.
O filme é cru, violento, sombrio. Me peguei várias vezes tampando a boca, seja por susto, seja por incredulidade. Particularmente, achei a segunda metade muito superior à primeira (como se houvesse uma conversão do thriller em thriller psicológico), embora a direção fosse impecável do começo ao fim, potencializada ainda mais por uma trilha sonora precisa, que intensifica cada cena.
Mas nem tudo funcionou para mim. Duas coisas me incomodaram bastante.
A primeira foi aquela cena forçadíssima na reta final: a polícia inexplicavelmente enrolando para prender o serial killer, dando tempo para o protagonista sequestrá-lo antes da prisão de uma maneira ridícula e mentirosa. Foi uma clara conveniência de roteiro, que destoou de toda a construção cuidadosa do filme até ali.
A segunda foi a inserção desnecessária da “família canibal”, numa clara referência (ou cópia) a O Massacre da Serra Elétrica: um amigo do vilão, que vive isolado com a esposa, e que também é canibal. Achei essa parte mal inserida e mal desenvolvida, não acrescentou praticamente nada à trama. Pelo contrário contrário, soou como um artifício gratuito para chocar, algo que o resto do filme não precisava.
Enfim, é um filme ótimo, um baita thriller, que recomendo para quem tem estômago forte. Tem alguns jump scares (o primeiro quase me matou de susto), mas, no geral, não é um filme de terror, e sim um thriller psicológico denso e impactante.
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Japão sendo Japão
Resolvi assistir à famigerada bomba Love and Fortune para entender se ela realmente merece a péssima reputação que carrega.E, infelizmente, tenho que concordar: merece sim.
Gosto de ver esse tipo de produção polêmica para formar minha própria opinião. Afinal, todos temos nossos guilty pleasures, e gosto pessoal nem sempre anda de mãos dadas com qualidade técnica. Não sou crítica profissional, então minha análise parte mesmo de como a história me afeta. E, nesse caso, me afetou de forma bem negativa.
Quando assisto algo com age gap, costumo me perguntar duas coisas: 1) essa diferença de idade é essencial para a narrativa? e 2) os personagens precisavam mesmo ter essas idades específicas?
Pego Lolita como exemplo. Ali, a diferença extrema de idade é o pilar central da história; sem ela, a trama simplesmente não existiria. A menina precisava ter 12 anos, o homem, ser muito mais velho. A crítica se sustenta exatamente nesse abismo entre eles.
Agora, em Love and Fortune, o menino precisava mesmo ter 15 anos enquanto ela tinha 31? Isso muda algo estrutural na trama? A resposta, pra mim, é não. Se ele tivesse 17, quase 18, ainda seria um relacionamento ilegal no Japão e ainda levantaria os mesmos dilemas éticos.
Quando uma escolha narrativa parece existir apenas para causar choque, sem aprofundamento nem propósito real, soa gratuita e, nesse caso, completamente irresponsável.
O que mais me incomodou foi a naturalidade com que a protagonista lida com a idade dele. Ela vê que ele tem 15 anos e em nenhum momento questiona suas atitudes, não hesita, não reflete sobre as implicações éticas e morais de se envolver romanticamente com um adolescente. Pelo contrário: ela se aproveita claramente de sua posição de superioridade e da vulnerabilidade dele. É um menino tímido, sem amigos, inseguro, e ela, uma mulher adulta, projeta nele seus desejos e frustrações. Foi impossível não ver isso como uma relação abusiva. Mesmo que o roteiro tente suavizar a situação com a ideia de “consentimento”, até que ponto um garoto de 15 anos tem maturidade emocional para consentir plenamente nesse contexto?
A trama até tenta, de forma superficial, abordar os dilemas de mulheres na casa dos 30: a pressão social para casar, ter filhos, manter uma carreira. Mas a abordagem é rasa e pouco convincente. O único ponto em que o roteiro realmente acerta é ao mostrar o desgaste da rotina em um relacionamento. A protagonista está infeliz no trabalho, no namoro, e ao invés de enfrentar isso com diálogo ou autoconhecimento, ela simplesmente trai. Mas nem essa traição é tratada com densidade. Ela não conversa com o namorado, não confronta os próprios sentimentos. É apática, desconectada, quase infantil. Uma mulher de 31 anos que se comporta como uma adolescente perdida, sem qualquer senso de responsabilidade sobre seus atos.
Esperei até o fim por alguma consequência, redenção ou ao menos uma reflexão mais profunda. Mas não veio. No lugar disso, vemos ela destruindo emocionalmente um garoto que ela mal conhecia, alimentando todas as inseguranças dele até o ponto de ruptura: ele abandona a escola, se torna paranoico, inseguro, ciumento. Mas, sinceramente, como julgá-lo? Ele é só um menino.
O drama me deixou com um gosto amargo. A mensagem que passa é torta, mal elaborada, e o desenvolvimento dos personagens não convence. A única coisa que posso elogiar, com sinceridade, é a fotografia. Realmente muito bonita e bem cuidada. Mas isso não foi suficiente para salvar a experiência.
No fim, achei o drama fraco, entediante na maior parte do tempo, com poucos momentos realmente bons. Não recomendo.
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Zaibatsu Fukushu: Aniyome ni Natta Moto yome e
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Entediante
Zaibatsu Fukushu: Aniyome ni Natta Moto Yome e foi, infelizmente, o primeiro drama de 2025 que realmente não me agradou.E nem é porque a premissa seja ruim — na verdade, ela até tem potencial. O problema é que o roteiro está tão saturado de clichês que tudo se torna extremamente previsível e, consequentemente, entediante.
Não houve uma única cena que me surpreendesse ou que me pegasse desprevenida. O roteirista conseguiu reunir todos os lugares-comuns do gênero e entregou uma narrativa sem qualquer frescor, sem personalidade e totalmente desprovida de originalidade. Todos os twists estavam na cara desde o primeiro episódio.
A trama gira em torno de um homem adotado na infância por uma família rica, que o maltratou e agora é alvo de sua vingança. Só que tudo, o motivo da adoção, os abusos sofridos, a execução de cada vingança, os desfechos dos personagens e até suas motivações, segue o manual básico do drama de vingança genérico. Tudo é raso, óbvio e já foi feito dezenas de vezes, com muito mais impacto, por outros dramas e filmes.
Mesmo com alguns bons desempenhos no elenco, não consegui me conectar ou torcer por ninguém. Os personagens são incrivelmente superficiais, e nenhum deles conseguiu gerar empatia ou sequer curiosidade. A fotografia tenta remeter aos dramas japoneses dos anos 2010, o que até poderia funcionar como charme nostálgico, mas aqui só reforça a sensação de que estamos vendo algo datado.
Além disso, várias cenas escorregam para o caricato de tão exageradas, e a quantidade de furos no roteiro chega a ser constrangedora. A história é simplória, batida, previsível e, pior ainda, vendida de forma enganosa: prometeram um thriller com romance, mas entregaram apenas um thriller morno e sem qualquer química entre os personagens.
No fim das contas, é uma obra esquecível, sem alma, sem impacto e sem nada que a torne digna de recomendação. Uma grande decepção.
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A Sweet Obsession
I’m simply obsessed. This was, without a doubt, the drama that consumed me the most this year. Ironically, much of the story revolves around obsession itself.The protagonist is a SOCIOPATH. I can’t remember the last time I saw a sociopath as the main character, and I have to say: they are fascinating. Much more interesting than psychopaths, because the dynamic they create with other characters is different and extremely engaging.
The drama revolves entirely around him. It’s about who he is, what he does, and how everyone around him tries to bring him down—whether through justice or their own means. What really hooked me is that he’s not just the villain; he’s the driving force behind everything.
I didn’t find it to be a typical thriller. Usually, thrillers focus on facts, on events that move the plot, with external twists. Here, the focus is on the characters: their motivations, relationships, and layers. It feels more like a drama with thriller tones, which is probably why I was so enchanted by it.
About obsession: the protagonist takes it to another level. I’ve never seen anyone so obsessed, and that’s what makes him so memorable. He’s violent, desperate, unpredictable, and yet brilliantly smart. He’s a bad guy with “good” justifications (in his own mind).
His story is marked by destruction. He was betrayed, manipulated, and used as a pawn, so all he could do was react. And what a reaction. His violence escalates as the episodes go on, while his humanity disappears.
His moments of humanity are rare. They surface when he thinks he’s in love or believes he has friends. But his obsession with a woman who just wants to escape from him is what truly drives his downfall.
And the script? It’s masterful. Every detail matters. Everything, no matter how small it seems, has enormous consequences later on. It’s like a beautifully crafted butterfly effect. Plus, the plot never gets dull: something is always happening.
The protagonist is the driving force. He’s the active character, moving the entire story with his unpredictable actions. Just when it seems like he’s going to stop, he does something completely impulsive and changes everything.
The cinematography is flawless. Everything is visually captivating: the setting, the art direction, the soundtrack. You can feel the care in every frame.
P.S.: There’s no romance. His obsession isn’t love—it’s pure fixation. It starts with hatred, then turns into a twisted kind of kindness, and finally, desperation. The woman he pursues is strong and never gives in. It was impossible not to root for her… but I’ll admit, since he’s my favorite, part of me wished she’d reciprocate, even if just for a second.
All in all, it was incredible. The Confidence is a heavy, violent drama centered on a completely irredeemable protagonist. But since it’s fiction, I allowed myself to enjoy it. Highly recommend it, but fair warning: prepare for intense emotions and an unforgettable sociopath.
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Simples, mas bem feito
Para um drama sobre um casal que tem um caso de uma noite, desaparecem da vida um do outro, ela descobre a gravidez e eles passam seis anos afastados, eu me surpreendi positivamente com a abordagem.Em vez de focar a protagonista apenas como mãe e fazer da maternidade o eixo absoluto da história, o drama mostra uma mulher que não perde a própria identidade. Ela continua sendo ela, trabalha o dia inteiro, busca o sonho de se tornar chef profissional e vê o filho à noite na hora de dormir enquanto os pais dela cuidam do menino durante o dia.
Isso me impressionou muito. Não gosto quando a narrativa trata a maternidade como um apagamento da mulher, como se ela deixasse de existir para ser apenas mãe. Aqui, o filho é um personagem secundário, importante para a trama, mas não o centro da identidade dela.
As avaliações negativas desse drama me parecem injustas, e sinceramente não entendo o que desagradou tanta gente. A trama é simples, despretensiosa e não tenta ser mais do que promete, é um simples muito bem feito. Um drama romântico com toques de comédia, personagens bem desenvolvidos, diálogos naturais e uma dinâmica excelente entre o casal principal. A química entre eles é ótima, e a história não perde tempo excessivo com personagens secundários.
O casal tem um realismo muito natural, eles discutem, se implicam e, no fim, conversam como dois adultos e se entendem, algo que acontece várias vezes ao longo do drama.
Também não concordo com quem diz que o protagonista é “agressivo e abusivo”. O maior traço dele é o ciúme, fora isso ele se transforma em um homem melhor por causa da protagonista. Ele aprende a amar e a ser pai, e as cenas em que tenta ganhar a confiança do filho depois de seis anos sem saber que era pai, estão entre as coisas mais lindas que já vi.
Gosto muito do companheirismo entre os protagonistas. O drama tem vários clichês, mas possui identidade e personalidade próprias. A protagonista tem diálogos maduros, e até os personagens secundários que tentam atrapalhar o casal não são insuportáveis de acompanhar.
No fim, amei a experiência. Devorei um episódio atrás do outro graças ao ritmo muito bom, gostei bastante do desfecho e fiquei genuinamente feliz por ter dado uma chance, apesar de tantas avaliações negativas.
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Marcante
Ok, eu definitivamente não estava preparada para ser tão impactada por esse drama. E aqui estou com um nó na garganta, encarando o nada, tentando digerir tudo o que acabei de assistir.Foi sem dúvida uma experiência marcante, intensa, ousada e cheia de personalidade. Um drama sobre como a covardia de dois homens foi capaz de destruir uma mulher até o fim.
Tudo é extremo. O protagonista masculino é pura explosão, tóxico, excessivo, avassalador. A intensidade dele consome tudo ao redor. Em muitas cenas eu me peguei tapando a boca em completo choque. Ainda assim, havia algo hipnótico nele, algo que me impedia de desviar o olhar. Ele é fascinante justamente por não conhecer limites.
Ele encontra uma mulher diferente de todas as outras, alguém sem orgulho, disposta a abrir mão do próprio corpo por dinheiro, que não finge sentimentos e não se ilude com promessas vazias.
Ela também é forte, direta, e isso os coloca em constante conflito. Para um homem rico, mimado, acostumado a ter tudo o que quer, ela se torna um desafio. Ele é contrariado, provocado e, de forma doentia e incontrolável, se apaixona. Uma paixão que machuca ambos.
Essa intensidade a atrai mais do que o dinheiro. Ela sempre viveu na escassez, órfã, passou frio, fome, precisou ser forte desde cedo. Por isso, consegue abrir mão do orgulho para ser a boneca de luxo dele. Ele ama mimá-la, ama tê-la ao seu lado. Mas ele é covarde. Não é capaz de abrir mão das regalias, do status e da família para assumir esse amor. Então permanece com ela mesmo comprometido, “te dou tudo, menos uma aliança”.
E então entra o terceiro vértice desse triângulo amoroso e, sinceramente, ele me irritou profundamente. O second lead é outro covarde, travestido de bom moço. É insuportável vê-lo se colocar como vítima, como se o mundo fosse injusto com ele. A protagonista o amava, queria ficar com ele. Ele também dizia querer, mas nunca fazia nada. Não tentava, não tomava atitude, apenas sofria e chorava pela própria inércia.
A diferença é gritante, o protagonista tinha muito a perder, por isso sua covardia é compreensível, ainda que condenável. Já o secundário não tinha absolutamente nada a perder, e mesmo assim passou o drama inteiro fazendo ela sofrer por uma covardia sem justificativa.
Outro ponto que me incomodou foi a forma como o drama constrói os sentimentos. Fica claro que o protagonista se apaixona por ela, no início por obsessão, ego ferido, orgulho (especialmente considerando o passado dele com a esposa e o second lead), mas, aos poucos, o sentimento ganha algo genuíno. Tóxico e abusivo sim, mas real.
Já o secundário parecia enxergá-la mais como um espelho do que como uma mulher. Ele foi o brinquedo de uma mulher rica, sofreu por alguém que nunca poderia ter por inteiro, e via nela o reflexo da própria dor. Isso gera pena, e pena não é amor. Além disso, a forma como ele tratava a própria mãe me adoecia.
Ainda assim, o drama insistia em pintá-lo como o good guy, algo que simplesmente não consegui comprar. Do protagonista eu sempre esperei o pior, e o próprio roteiro o tratava como tal. Já o secundário, arrogante e prepotente, era exaltado como se fosse um exemplo de virtude. Isso me irritou profundamente.
E aqui entra para mim o maior problema do drama: durante quase todos os episódios, senti que a protagonista gostava do protagonista. Talvez pela intensidade, pela excentricidade, pela forma quase sufocante com que ele parecia não conseguir existir sem ela. Mas gostar não é amar, e eu nunca senti que ela o amasse de verdade.
No final, o roteiro tenta justificar isso dizendo que ela não queria entregar o coração a ele porque aquele era o último resquício de orgulho que lhe restava. Mas isso não foi o que os episódios mostraram. O que vimos foi ela amando o secundário, e tudo bem, ele a tratava bem como pessoa apesar da covardia constante. O problema é que o drama não trabalhou o conflito interno dela. Não mostrou essa luta entre razão, segurança e desejo.
Faltou equilíbrio. Faltou desenvolvimento. Quando nos minutos finais o roteiro afirma que ela sempre amou o protagonista e por isso rejeita o secundário, eu não consegui comprar. Quando esse amor nasceu? Onde ele foi construído? Me senti confusa, como se tivesse perdido cenas importantes ou até episódios inteiros. A sensação foi de frustração, de algo roubado.
Mesmo assim no geral saí muito satisfeita. Queria ter me irritado menos com esse triângulo, porque o secundário é intragável mesmo não sendo tóxico como o protagonista. Queria acima de tudo que o drama tivesse investido mais no que a protagonista sentia pelo protagonista. Isso teria elevado a obra a outro nível.
Apesar dessa frustração, foi uma baita experiência. Estou genuinamente impactada. Os personagens são bem construídos, têm peso real na trama, não há desperdício com coadjuvantes irrelevantes. É um drama difícil de assistir, com cenas fortes, um “mocinho” que passa longe de ser bonzinho, surtos que causam medo real. O carisma do ator só tornou esse personagem ainda mais interessante.
Se esse ponto central tivesse sido melhor trabalhado, a nota seria muito mais alta. Ainda assim, é um drama que marca e que não sai fácil da cabeça.
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Interessante
Um filme adulto interessante sobre uma mulher sexualmente reprimida, em busca de liberdade e autoconfiança. A chegada de um novo cozinheiro ao restaurante do pai funciona como catalisador para que ela comece a se abrir, emocional e pessoalmente, e a se reconhecer como mulher.É um bom filme, me manteve entretida do início ao fim, e as cenas de sexo são tratadas de forma íntima e delicada, bonitas de assistir.
Ainda assim, senti falta de mais profundidade e de um foco maior nas questões centrais da protagonista: seus conflitos internos, suas motivações e o processo de transformação poderiam ter sido melhor explorados.
No geral, é um filme competente, mas que deixa a sensação de que poderia ir além. Daria um ótimo short drama.
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Apaixonante
Eu tenho tanta coisa para dizer sobre esse drama que fiquei até com medo de me alongar demais, mas considerando que ele é longo, acho justo permitir que a review também seja.Primeiro de tudo, uau, simplesmente uau. Eu terminei esse drama bastante impactada, a ponto de ter dificuldade de organizar os pensamentos. Depois de ler tantos comentários negativos, eu não esperava ser fisgada desse jeito, então já começo dizendo que eu fui muito surpreendida.
Eu já gosto naturalmente de tramas de viagem no tempo, especialmente aquelas em que alguém do presente vai para o passado. E aqui a ideia já me ganhou de cara: uma médica do presente vai parar na dinastia Goryeo e se envolve com um capitão que vive cercado por guerra e morte. Ela é alguém que passa a vida tentando salvar pessoas, ele é alguém que passa a vida convivendo com a perda delas. Essa oposição se reflete lindamente na personalidade dos dois e cria embates muito naturais entre eles. Isso deixou a dinâmica do casal extremamente envolvente.
Na história, para salvar a vida da rainha, um capitão atravessa um portal e sequestra uma médica do futuro, prometendo levá-la de volta assim que a missão fosse cumprida. Só que o portal se fecha, e ela acaba presa no passado. Por ter conhecimento do futuro, ela passa a despertar o interesse de figuras perigosas, e boa parte da trama gira em torno disso.
Tecnicamente, o drama começa fraco. A cinematografia não é muito bonita (dá pra sentir o peso de ser uma produção de 2012), o figurino parece de baixo orçamento e as cenas de luta são muito coreografadas, às vezes até artificiais (e mentirosas) demais. Mas algo curioso acontece, com o passar dos episódios, tudo isso melhora muito. As lutas ficam mais naturais, o ritmo melhora e a encenação ganha fluidez, o que faz sentido se lembrarmos que antigamente os dramas eram gravados de forma mais linear, então o elenco ia se entrosando aos poucos.
Ainda assim, o grande mérito dessa obra está longe de ser técnico. Está na escrita.
A trama política começa simples, e eu gostei disso. Um rei recém-coroado, que passou anos em território inimigo (a dinastia Yuan) e agora tenta aprender a governar, enfrenta um príncipe manipulador, irmão da imperatriz de Yuan, que apesar de não quer o trono, sabe jogar o jogo do poder. Ambos se interessam pela mulher do futuro, o que cria uma tensão inicial quase como uma “guerra fria”. Achei que ficaria só nisso, mas a entrada do tio do rei transforma essa dinâmica e a política cresce muito, ficando surpreendentemente boa.
Mas o que realmente brilha são os diálogos e os personagens.
Os diálogos são excelentes: naturais, orgânicos, sempre com função narrativa e emocional. Nada parece jogado só para preencher tempo. Cada conversa revela algo, move a história ou aprofunda os personagens, e tudo flui com uma naturalidade impressionante.
E os personagens, minha nossa, eu me apaixonei por eles. Não só pelos protagonistas, mas também pelos secundários, que têm voz, presença e importância sem precisar de tempo excessivo de tela. Eles não são figurantes de luxo, eles tornam o mundo mais real.
Os protagonistas, em especial, me marcaram muito. Há algo na química deles que faz parecer que estamos vendo um casal de verdade. Eles não precisaram de rivalidades artificiais, nem de intrigas forçadas. Tudo o que acontece só os aproxima mais. Eles discutem, discordam, batem de frente como qualquer casal, mas nunca se afastam de verdade. Discutem, ele sai e volta logo depois. É lindo como eles não conseguem ficar longe um do outro.
E, ainda assim, o roteiro não os transforma em um casal meloso ou infantil. Eles não são “pombinhos apaixonados”, são dois adultos que, mesmo com uma relação recente, parecem ter uma intimidade profunda, quase como se estivessem juntos há décadas.
Eu torci por eles o tempo todo. Eu me conectei com eles.
Sobre o final, também me surpreendeu. Viagem no tempo costuma ser confusa, e eu demorei um pouco para entender completamente aquele desfecho. Mas quando entendi, me emocionei muito. Tudo fez sentido. Minhas dúvidas foram sanadas, não senti pontas soltas e achei a história muito bem fechada.
Por fim, preciso destacar o Lee Minho. Ele fez um trabalho excelente, especialmente considerando que ainda era muito jovem e contracenava com uma atriz mais velha e experiente. Mesmo assim, ele brilhou. Ele tem um carisma muito forte, e isso tornou seu personagem guerreiro mais humano, mais acessível, mais real.
Enfim, um drama lindo, bem escrito, muito bem planejado e eu fiquei genuinamente feliz por ter assistido.
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Subestimado
Agora que finalmente terminei o drama, vou dar uma opinião bem sincera: eu gostei muito.Ele parte de uma premissa simples e objetiva, e o maior mérito da obra é justamente se manter fiel a ela do primeiro ao último episódio.
Tudo gira em torno da vida e da ideia de gerar: um médico obstetra, uma astronauta responsável por experimentos de reprodução de roedores no espaço, a fecundação secreta na estação espacial para que o sogro do protagonista continuasse sua linhagem, enfim, a trama nunca foge do que se propôs a discutir. Gerar é a base de tudo, e isso dá uma coesão muito bonita à narrativa.
Dentro disso, nada mais natural do que desenvolver um relacionamento entre o médico e a astronauta, o que acrescenta justamente a possibilidade de gerar vida no espaço também no plano humano. Eu gostei bastante de como essa relação foi construída. Ele é um personagem que nunca havia se apaixonado, e dividir um espaço tão íntimo e extremo com uma mulher tão dedicada, tão focada em criar e preservar a vida, acaba encantando ele. Ela, por sua vez, vive um tabu profissional ao se envolver com um turista espacial enquanto comandante, e as situações constantes de risco e quase-morte são fundamentais para despertar esse vínculo entre eles. Tudo isso fez sentido dentro do contexto.
O drama é muito gostoso de assistir. Tem um ritmo fácil, é acessível, não se perde em termos científicos nem tenta parecer mais inteligente do que é. Apesar de ser sci-fi, ele não foca em estudos técnicos, mas nas relações humanas. Acompanhar a rotina dos astronautas enquanto pessoas, convivendo, trabalhando, trocando experiências naquele ambiente tão específico, foi algo realmente prazeroso.
A mensagem do drama é bastante clara, até óbvia demais em alguns momentos, e eu nem concordo com ela. Mas, olhando como ficção, isso não me incomodou. Toda obra quer dizer alguma coisa, seja política, social ou emocional, e aqui o diretor escolheu passar a mensagem dele de forma direta. Eu gosto de assistir às coisas de forma crítica, e isso não me impede de aproveitar, pelo contrário, enriquece a experiência. Dá para perceber as intenções por trás de algumas falas e acontecimentos, especialmente quando lembramos da crise demográfica que a Coreia enfrenta hoje. Ainda assim, isso não estragou minha experiência, deu para discordar e, ao mesmo tempo, aproveitar personagens, diálogos e situações.
Um bom exemplo disso é a cena em que ela joga as mórulas fora e ele a chama de assassina. Eu discordo completamente da visão dele, mas o personagem foi construído exatamente para pensar assim. Ele é coerente consigo mesmo e com seu papel na história, e isso torna a cena válida dentro da lógica da narrativa.
Outro ponto forte é como o drama foi soltando pistas sutis desde o início sobre como tudo terminaria. O final não parece jogado, aleatório ou inventado às pressas, a história caminha para ele desde o começo, construindo aquele desfecho aos poucos.
Sinceramente, eu não entendo por que esse drama foi tão criticado. A trilha sonora é ótima, a fotografia é linda, os efeitos especiais são muito bem feitos e deixam tudo visualmente prazeroso. As cenas de tensão no espaço me deixaram com o coração na boca, e as cenas mais leves me fizeram rir à toa.
Ele não é complexo, não é profundo, mas também nunca prometeu ser. Isso não significa que seja vazio. Pelo contrário, achei interessante como o drama insere de forma natural aspectos reais das missões espaciais, a rotina, os exercícios diários por causa da perda de massa muscular, os enjoos, as sequelas físicas, inclusive ligadas à gravidez, sem transformar isso em algo técnico demais ou didático demais. São fatos reais inseridos com leveza, que enriquecem a trama sem sobrecarregar.
A química do casal é muito boa, e embora eu ache que o sentimento deles avançou rápido demais, relevei isso pelo contexto. Quando você confina pessoas em situações extremas, os sentimentos realmente se intensificam, basta ver como isso acontece até em realities como Big Brother.
Mesmo na simplicidade, os personagens conseguiram me emocionar, me fazer rir e até chorar (muito, em especial no último episódio).
Agora, se alguém me disser que se frustrou porque criou expectativas muito altas por causa da roteirista, eu entendo. Pelo peso do nome dela, esse realmente é um trabalho mais simples e modesto, poderia ter mais nuances, mais subentendidos, relações mais complexas. Mas claramente houve uma escolha do diretor por uma mensagem clara e uma narrativa linear. E, dentro dessa proposta, ele foi muito bem-sucedido.
No fim, é isso, um drama muito bom, coeso, linear, fiel à própria proposta e tecnicamente muito bem feito, que entrega exatamente o que promete, sem fingir ser algo que não é.
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